
Cancelada e triunfante!
Spoilers Abaixo:
Algumas semanas depois que escrevi o review do 3×06, estou de volta, finalmente, para comentar a metade final da última temporada de umas das melhores séries que já foram ao ar. United States Of Tara, com seus 36 episódios, fez muito mais no quesito atuação e roteiro do que muita série por aí. Inclusive, ganhou prêmios pelo trabalho excelentíssimo de Toni Collette que, convenhamos, era quem dava vida à série. Afinal, não é fácil interpretar oito personagens e convencer o telespectador de que aquilo é real. Trabalho de atriz de primeira.
De início já quero deixar clara e exposta minha indignação pelo cancelamento da série. Achei um absurdo, apesar da audiência ser uma das piores do Showtime. O que me leva a concluir que US of Tara foi uma série para poucos. Mesmo. Poucos acompanhavam religiosamente as ‘aventuras’ dos Gregson e poucos realmente sabem o quanto a terceira temporada foi imensamente superior às suas anteriores, com qualidade de roteiro estupenda e direcionamento para uma quarta temporada em novos territórios. Entretanto, antes que pudéssemos sonhar com mais um ano de episódio inéditos, veio a notícia do cancelamento e a consolidação do meu mais profundo conceito de julgamento: a massa é burra, principalmente a americana.
Deixarei de lado os julgamentos a respeito da audiência que a série não recebeu. O que importa é comentar o que vimos nestes seis excelentes (não pouparei adjetivos) episódios finais da série, que foram animadores e frustrantes ao mesmo tempo. Animador pelo excelente desenrolar da trama e frustrante porque a cada semana o fim se aproximava. Pegamos carona numa montanha russa de acontecimentos que levaram Tara ao limite de sua insanidade, principalmente com o novo alter. Onde imaginaríamos que Bryce, a grande causa do distúrbio da protagonista, se manifestaria como um alter homicida? Foi completa surpresa. Assim como o assassinato de cada alter, explorando um lado desconhecido da doença.
A trama de Tara e Max foi bem ‘encerrada’, ainda que exista espaço para continuação, e veríamos muito mais dos limites do amor do casal se a série continuasse. Gostaria de ver mais momentos de pura insanidade de Max, como no último episódio, mostrando muito bem que o bom marido não é de ferro, afinal. Gostaria de ver os novos horizontes para a possível cura da doença de Tara, os momentos de fofura amorosa, as brigas, os choros… Construo uma história em minha mente, mas é pura idealização. Talvez esteja na decisão de um final aberto o grande trunfo de US Of Tara. Os roteiristas deixaram em nossas mãos o destino dos personagens, com o que há de melhor, ou não, na imaginação de cada um para idealizar a vida futura de seus preferidos. Eu, particularmente, achei um final digno, triunfal. Um fim brusco na melhor temporada da série.
Tenho dúvidas a respeito dessa terceira temporada. Ainda não sei se gostei porque foi o fim ou porque finalmente os personagens ficaram diferentes, mais relevantes do que já foram. Charmaine aprendeu a ser mãe, apesar de continuar sendo uma chata, inconveniente e insuportável mentirosa. Deu até para soltar suspiros de fofura com o pedido de casamento que ela fez ao Neil, no fim das contas. Finalzinho ‘feliz’ e merecido.
Kate finalmente encontrou sua vocação, pelo que percebemos, e viveu mais alguns momentos bizarros antes de perceber que não dá para ter uma vida a dois sem compartilhar problemas e inconstâncias que cada um de nós carrega pela vida. Afinal, todos têm o direito de escolher os próprios problemas. Poderia dizer que Kate amadureceu, então? Talvez. E a dúvida é o que deixa tudo ainda mais interessante.
Marshall, o personagem que mais cresceu psicologicamente nesta temporada, foi incrivelmente perfeito. Tudo parecia bobo e sem sentido na trama do garoto com as ideias de fazer cinema, o novo caso amoroso e o término com a única pessoa que o tornava interessante: Lionel. E, pasmem, só fui perceber a falta que o loirinho danado fazia na trama quando este passou para o outro plano, deixando dor e sentimentos poderosos no peito de Marshall. Não bastasse a tragédia, toda a saga de ódio entre ‘mãe’ e filho se formou para dificultar a vida do pobre intelectual. Sem dúvida uma etapa que o fez ficar mais consistente e ganhar o coração dos que ainda não haviam se rendido aos seus atrativos sarcásticos.
Por fim, o series finale foi uma belíssima despedida, repleto da poesia comum à série. Tara e Max foram para Boston, enquanto Charmaine, Neil, Kate e Marshall ficavam. Todos cheios de novas histórias a viver, novos obstáculos a superar. Assim como eu que finalmente consegui escrever sobre esses últimos episódios, afinal a angústia e a revolta pelo fim me desanimaram, juntamente da correria dos últimos dias do semestre na faculdade. Ainda assim, aqui estou para me despedir dos personagens que acompanhei por longos e maravilhosos dois anos, com muito orgulho.
E é isso. As aventuras de Tara chegaram ao fim na TV americana, mas estão eternizadas nos corações do fãs que apesar de tristes comemoram o triunfo da série que garantiu qualidade do primeiro ao último episódio.
P.S. Que Alice, Buck, Franguinha, Gimme, Shoshana e T descansem em paz.
P.S.2. Será que os alters voltaram?
P.S. 3. FUCK YOU, BRYCE!!!