
O gráfico de ascensão de American Horror Story não avança patamares, mas mantém-se estável e divertido.
Spoilers Abaixo:
Já havia sido cantado em verso e prosa que o episódio dessa semana ia falar sobre o Rubber Man (ok, agora sabemos mesmo que era borracha), e é claro que havia uma expectativa imensa com relação a esse momento. Mas na hora de avaliar a dramaturgia de AHS uma coisa ficou muito clara pra mim: não demos grandes saltos desde a semana passada, mas mantivemos uma estabilidade mitológica que merece ser respeitada.
O episódio em si veio num gráfico à parte. Cresceu muito nos primeiros minutos, caiu um pouco na metade e voltou a subir no final. Agora vamos tentar entender melhor isso.
Mais um belo teaser de abertura, com direito a um retorno às seqüências do piloto e a revelação de que Tate era o Rubber Man. Talvez tenha residido aí a minha maior decepção. Acho que essa concentração exagerada no personagem não é saudável para a trama, já que ele tem ligações muito consolidadas dentro da história. Está conectado a uma série de mistérios e não precisava ser o catalisador de mais um. Ficou claro que o episódio quis demonstrar que Tate não é um fantasma ingênuo que não sabe sobre sua condição, mas sim um manipulador. No entanto, sem as pistas necessárias sobre isso, tudo acabou soando um pouco desarrumado, com Tate cumprindo metas que tinham a ver com a primeira dona da casa. Entendemos que ele lança para diferentes direções o seu foco de atenção, mas eu teria ficado mais satisfeito se o Rubber Man fosse um traço da mitologia que girasse em torno de si mesmo e não que precisasse da interferência de um personagem que já parecia muito definido. Esse excesso de camadas acaba empobrecendo Tate, ao invés de enriquecê-lo.
Essa primeira parte do episódio, mesmo assim, acabou ganhando muito com o retorno de Zachary Quinto. Mais uma vez, o recurso dos flashbacks foi muito bem inserido na trama e deu uma bem vinda sensação de continuidade. Foi bom entendermos a origem do traje de borracha, embora eu preferisse que a história do traje ficasse centrada nesses dois fantasmas, para que com isso a dinâmica da casa permanecesse bem distribuída.
Também é um risco que a morte do casal gay tenha vindo pelas mãos de Tate. Até porque, se matar com as próprias mãos é possível para os fantasmas, não seria necessário tanto esforço mental. Para justificar isso, então, os roteiros acabam tendo que providenciar desculpas psicológicas frágeis. Um exemplo disso é Hayden, que entra em cena novamente para manipular Viv e condená-la ao triste papel da personagem que passa de louca perante a família. AHS trabalha com clichês de gênero, mas sabe fazer isso subvertendo-os e não seguindo-os à risca. Assim não fica interessante e o gráfico de qualidade do episódio caiu bastante diante daquela cena tola de Viv sendo perturbada pela defunta. O programa ganha muito mais mostrando as motivações simples, e por isso mesmo geniais, de Moira pagando boquetes para conseguir a construção de uma piscina, do que com esse tipo de obviedade. Hayden conseguir mandar Viv pro hospício não é lá nenhuma grande reviravolta.
E o que dizer do fato de que os personagens fantasmas continuam transando e até engravidando pessoas?
O episódio só volta a crescer novamente quando a mitologia passeia pela linha do tempo e vamos vendo ótimas cenas do presente mescladas com o passado. Com direito a uma cena final muito boa e a promessa de melhores episódios agora que o season finale se aproxima.
Vale lembrar que o episódio foi escrito por Ryan Murphy e que isso se refletiu profundamente na volta dos personagens gays (atenção galera dos comentários, o Tate realmente não é gay) e nas cenas longas com um excesso notável de pzisimo. Acho que se o Rubber Man tivesse nos apresentado uma outra vertente da trama, teria sido mais rico. Tate estar por trás daquela máscara não representou pontos positivos, mas apenas pontos repetitivos. Talvez uma atenção ao marido de Constance (que fez falta essa semana) fosse a melhor saída.
Antes de terminar só quero deixar bem claro que embora eu tenha tido essas ressalvas, eu continuo muito satisfeito com o programa. American Horror Story mantém-se em ótimo nível e ainda me diverte como poucas andam fazendo.