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A obra que retrata uma menina curiosa que segue um coelho branco até um mundo fantástico foi um dos contos que marcaram minha infância, e que continua a me agradar até hoje.
Spoilers Abaixo:
Depois de Tin Man (versão SyFy de “O mágico de OZ”), tinha certeza que Alice seria algo espetacular, juntando um mundo de fantasia com ficção científica. Infelizmente, ao misturar muitas versões de Alice, a história perdeu um pouco do seu sentido, e o personagem mais importante foi deixado de fora.
O que deve ser levado em consideração, é que a mini-série não é apenas uma mistura da história de Lewis Carroll com um toque SyFy. Existem muitos personagens e várias partes da trama que remetem ao livro “The Looking Glass Wars”, de Frank Beddor, e ao jogo de videogame “American McGee’s Alice”.
No livro de Beddor, Alice (que na trama se chama Alyss) é a princesa do país das maravilhas, mas quando ocorre uma guerra civil liderada por sua tia, Redd Hart, a menina foge para a Terra, junto com seu guarda-costas Hatter Madigan (o chapeleiro). No entanto, ambos são separados quando chegam à Terra – Alyss caindo em Londres e Hatter na França. A jovem é adotada pela família Liddell e ao passar do tempo, ela acredita que Wonderland não passa de um conto de fadas. Na trama, ainda pode se encontrar Jack of Diamons (um rapaz egoísta que fora definido como o futuro noivo de Alyss, quando ambos eram pequenos) e Blue Caterpillar (chefe dos guardiões de um sagrado cristal).
Já a história do videogame é mais sombria e mórbida. Depois do segundo livro de Alice, a casa da garota pega fogo, matando sua família. Ela se sente culpada pelo fato e tenta se matar – tornando-se catatônica. Alice é colocada em um asilo, e dez anos mais tarde, o coelho branco a aborda pedindo sua ajuda para parar a Rainha de Copas. Como Wonderland é uma projeção da mente de Alice, o lugar se tornou uma terra insana e macabra, e Alice é a única que pode ajudar o lugar, assim como a si mesma. No jogo, o Chapeleiro é um louco cientista. Ele faz vários experimentos na Lebre de Março, e substitui seu torço e braço direito por partes mecânicas. Tweedle Dee e Tweedle Dum são sádicos irmãos que trabalham para o Chapeleiro, gerenciando o asilo do lugar.
Algum desses personagens os lembra alguma coisa?
Voltando para a adaptação do SyFy, a primeira parte é consideravelmente bem estruturada e coesa. Somos apresentados a uma Alice igualmente esperta e independente, no entanto mais velha, ágil e…morena. A trama dessa parte gira em torno de Alice em Wonderland tentando achar seu namorado Jack, que foi sequestrado pela organização White Rabbit. Gostei que Alice teve um bom motivo para seguir o “coelho branco” até Wonderland, e não apenas sua curiosidade.
O roteiro dessa parte permitiu uma história original fazendo várias referências à obra literária – desde o caminho que Alice percorre até a personalidade de alguns personagens e citações do livro. No entanto, por ser uma releitura de “Alice no país das maravilhas”, acho que faltou um pouco do nonsense que é tão bem colocado no livro – com suas falas inteligentes cheias de silogismos, sofismo e falácias.
Mesmo assim considero a primeira parte boa, terminando com a aparição de dois dos melhores personagens da mini-série: Tweedle Dee e Tweedle Dum. Já a segunda parte, é outra história (em vários sentidos).
Sua busca por Jack é encerrada e o novo estímulo para Alice ficar em Wonderland é achar seu pai. Nessa parte tudo acontece muito rápido, com ações sem serem explicadas propriamente. As perseguições são um tanto quanto ridículas, principalmente as que ocorrem dentro do cassino (realmente é muito difícil para um bando de “engravatados” derrubar uma porta possivelmente de vidro presa apenas por uma vassoura). E quanto ao “exército” que o cavaleiro branco Charlie leva para frente do local? Pra mim foi o ápice do mal feito. A história inteira se passa sem o uso do nonsense (a não ser pelas falas de Charlie) e chega nessa hora e todo mundo acredita que aquilo é mesmo um exército? Pois não convenceu (isso que eu nem vou perguntar COMO ele conseguiu levar aqueles esqueletos até lá).
Se tudo isso não fosse o suficiente, Alice consegue quebrar muito facilmente o sistema do cassino e no final, quando tudo é destruído e ela consegue o anel de volta, ela faz o gesto mais clichê que existe, levantando seu braço e segurando o objeto como um troféu. Também achei incrível como todos comemoram a vitória de Alice. Se eu fosse uma “ostra” que tivesse acabado de “acordar” eu estaria confusa, e não teria a mínima idéia do que era aquele anel.
Para não dizer que a segunda parte foi de todo mal, devo dizer que gostei do arco de Alice com o Carpinteiro, que era o seu pai. Assim como do Hospital dos Sonhos e de seus “pacientes”. A transformação da Duquesa também foi interessante. Ela sempre foi retratada como uma criatura horrorosa, algo que muda drasticamente nessa versão, embora continue agindo como antagonista da Rainha. E não poderia deixar de fora o fofo do Hatter, que possui um grande papel durante toda a mini-série e que torna o final bonitinho.
Quanto à personagem da Rainha de Copas, ela era coerente demais, sem as mudanças bruscas de humor e o desejo de cortar a cabeça de todos (o que acontece, mas pouco). Também acho que Caterpillar não foi muito bem retratado. Ele poderia ter sido muito mais enigmático e com uma fala mais pausada. E o principal: o que aconteceu com o Mestre Gato?? Na minha visão, ele é o personagem mais importante e cheio de significados, e os roteiristas o transformam em uma aparição de dois segundos sem um propósito maior? Acho que esse foi o maior pecado cometido.
Tendo tudo isso dito, considero “Alice” uma mini-série divertidinha de assistir uma vez, mas não passa disso. A história e os personagens não foram tão bem explorados quanto eu esperava. Boa parte da filosofia foi deixada de lado sem se ter criado uma nova.
E para terminar minha crítica, devo dizer que fiquei altamente irritada com o cabelo de Alice. A garota foge dos soldados da rainha, cai na água, tenta se livrar de um assassino psicopata, fica frente a frente com um Jabberwocky, cai na água de novo, destrói o reino de Copas e mesmo assim seu cabelo sempre está impecavelmente penteado e perfeitamente preso com uma fivela. Queria que o meu também fosse assim…











Postado em 26/01/2010 às 10:23
Xará, eu discordo de você. Justamente em razão do non sense que envolve as muitas versões de Alice, eu não estranhei o Charlie levar os esqueletos ou eles serem realmente vistos como um exercito. Não me incomodei com o papel reduzidissimo do coelho branco. Não senti falta das mudanças de humor da rainha de copas. Só curti. Tudo, do inicio ao fim.
Primeiro: é uma microsserie. Não se tem tempo para construir personagens, então, ou se deixa que estes sejam rasos, ou os torna menos multifacetados. Não é a mesma coisa.
Concordo que o primeiro episódio é superior ao segundo – mas o primeiro livro também é!
O que gostei na review foram as referencias esternas, como “The Looking Glass Wars” que eu vou procurar. Sempre amei Alice e estou ansiosa pelo filme do Tim Burton.
E na microsserie, meu preferido foi mesmo o chapeleiro. Muito Fofo, amei ele! Foi minha primeira série do SyFy, e pelo que eu vejo será a primeira de muitas.
Postado em 27/01/2010 às 11:46
Camila Vieira [2]
Andreew Lee Potts como Chapeleiro deu um show, fiquei a história inteira torcendo pra que ele se desse bem. Haha
Mas de fato, vai ter muita gente se doendo por querer ver uma adaptação totalmente fiel ao original, apesar de os conceitos de “além da imaginação” ainda terem sido mantidos. Como fã de Alice, eu me diverti.
Postado em 10/02/2010 às 2:00
Acabei de assistir à segunda parte e acho que posso dizer que partilhei tanto de sentimentos da Camila Picheth como da Camila Vieira, do primeiro comentário.
Não sei qual é o critério de veracidade utilizado pelas produções do Syfy, mas Alice flertou mais com o trash do que eu esperava. Pode parecer exagero, mas na cena em que a protagonista e o Chapeleiro se escondem da Lebre de Março atrás de uma cabine telefônica me fez pensar na hora em Dr. Who! Até o clima, de repente, pareceu o mesmo. E isso não desmerce os efeitos especiais, independente de o tom trash ter sido proposital ou não.
Quanto à história, temos de ser compreensíveis para gostar. Como disse a Camila Vieira, eu simplesmente curti. Foi legal ver o Coelho personificado, a Rainha mais centrada e menos escandalosa, os motivos de cada personagem para fazer o que faziam.
No final, ficou sim aquele sentimento de que podia ter sido mais. Há o nonsense, mas o diálogo e as histórias pessoais se perdem no tempo curto para contar a história central. Mas, ainda assim, vale muito a pena! Um ótimo material alternativo (mais um? Tim Burton tá quase aí…) pra quem gosta desse universo!
Postado em 17/03/2010 às 1:47
Eu amo Alice, mas gostei da microsserie justamente pq em varios momentos fugiu do livro.
Achei meigo, divertido, interessante e insano tambem.
Mas é uam versao alternativa, entao nao se pode esperar que copiem o livro.
Me divertir muito!
Postado em 1/12/2010 às 10:47
Eu gostei bastante do coelho branco, coisa bizarramente carisática aquele cabelo, mas ele apareceu pouco com certeza.
Postado em 15/05/2011 às 2:51
A série me surpreendeu justamente por tirar um pouco desse nonsense. Pra quem leu o livro original de Lewis acaba percebendo que essa distorção e confusão acaba meio que bagunçando um pouco uma história que poderia ter sido muito boa. Adorei a versão centrada da história e o par romântico foi perfeito.
Postado em 15/05/2011 às 13:37
gente, alguém sabe onde vende o dvd??