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O quarto episódio dessa nona saga de American Idol nos traz a Orlando, uma cidade perigosamente próxima de Miami, onde o Dexter mora. Watch out, Simon.
Spoiler Free!
ORLANDO, FL
Guest Judge: Kristin Chenoweth
A Kristin – que sempre me lembrou uma jovem Cloris Leachman – é um amor de jurada. Gosto muito da experiência diversificada que ela tem, incluindo musical theatre. É certo que, para os Série Maníacos de plantão, a Cheno (como chamada pelo meu querido Olavo Domingues, também comentarista de AI e fanático por musicais e diva stuff) é meio que uma “caveira de burro” em seriados mil, quase como a Paula Marshall. Ultimamente ela tem se dado bem com as participações em Glee, mas eu temo que, para o paladar yankee, ela seja um tanto quanto adocicada demais.
Como jurada part-time em Idol, contudo, ela não fez feio junto aos mais experientes. E a Kara. Vamos aos destaques em Orlando!

Theo Glinton: Também conhecido como Tetéu Glitter, o provável integrante surpresa do BBB 11 cometeu alguns erros cruciais. Faça uma experiência comigo, sim? Tire o véu, a maquiagem, a pena de ganso, as moedas de cinqüenta centavos, coloque uma camisa azul-petróleo, uma calça jeans meio preta, um par de tênis All Star, até. Em seguida, programe a cabeça dele pra cantar, ao invés de uma música exorcizante da Pat Benatar, um clássico meio tom abaixo do Joe Cocker, “Unchain My Heart”. Faça ele sorrir bastante, se portar como um jovem de boas maneiras e aparentar respeitáveis origens familiares. Eu e todas as temporadas de X-Factor, X-Factor Dinamarquês (você ficaria surpreso), American, Australian, Canadian (é, eu sei) e World Idol dizemos em uníssono que ele pelo menos passar pra Hollywood, passava.

Seth Rollins: “Someone To Watch Over Me” é provavelmente uma das músicas mais bonitas que eu já ouvi, quando cantadas do jeito certo. Embora eu tenha gostado da escolha, eu percebi uma certa limitação vocal no Seth, especialmente nas notas mais agudas. Ele traz de volta a sensação de ouvir o Elliott Yamin, porém num nível bem menos impactante. Eu consigo imaginar o Seth desfrutando de uma certa leniência no Hollywood Round se escolher mal as músicas, mas eu não vejo esse carisma o levar muito mais longe não. Tomara que eu esteja errado.

Jermaine Purifoy: Esse é outro dos early favourites nos fóruns internacionais de Idol, conquistando meio mundo com a versão simples e agradável de “Smile”. A voz dele é perfeita para apresentações dignas de nota durante o Hollywood Round, para falar a verdade (e isso fica evidente na referência da Kristin à ausência de “costuras” no canto, argumento com o qual eu concordo plenamente). Eu quase consigo imaginar o Ryan falando de fracassos no palco durante a etapa e, como numa virada de bateria, mostrando o Jermaine fazendo bonito perante os jurados e os outros candidatos. Numa observação paralela, perceba o olhar do Simon ao ver o Jermaine cantar. Sabe que olhar é aquele? Como em todas as outras ocasiões com todos os outros participantes, o olhar do Simon é e sempre será o olhar do dinheiro. Enquanto você e eu muitas vezes nos restringimos a conversar sobre se o cara atingiu as notas ou não, o Simon quer é saber se ele vai vender. Se for vender, a conta dele engorda, e isso o faz dar aqueles sorrisos durante as auditions. Quem concordar, diga “Yay!”.

Shelby Dressel: A boca torta, embora eu reconheça que a câmera de certa forma mitigou seu efeito filmando a moça pelo outro lado, não me incomodou nem um pouco – acho que, de certa forma, ela nasceu com uma deficiência que é compensada por moças que tem a mesma idade que ela tem e que fazem esse bico curvo por charme. Gostei da voz e gostei da simplicidade com que ela se apresentou perante os jurados. Me lembrou, embora não vocalmente, a Kelly Clarkson, que também era garçonete na época que foi pra audition. Torço pra que a Shelby explore esse lado Norah Jones o máximo possível, pra não tentar competir no gogó com as protodivas que estarão por todos os lados em Hollywood. Quem sabe ela não vira uma Brooke White morena (pun intended)?

Jay Stone: Em primeiro lugar, é interessante ver que o cara é um “Music Business Grad Student”. Se o Jay-Z tivesse isso no currículo, podia ser milionário! Moving on, o cara começa a fazer beat box cantando fora do tom, bem pior que o próprio Blake Lewis. A respeito disso, por sinal, eu quero fazer um adendo: detesto quando os jurados, e particularmente o Randy e o Simon, falam como quem mal se recorda de pessoas tão importantes na história do programa diante das câmeras. O Blake pode ter sido um fracasso de vendas, mas ele foi runner-up na pior temporada de Idol – isso tem que ter alguma relevância, for Pete’s sake. Ao final da bateria, o cara começa a cantar “Ain’t No Sunshine” e canta bem! Eu fiquei dividido, especialmente porque me parece que, quando ele faz beat box, ele esquece da música. O Blake pelo menos conseguiu juntar as duas coisas como pôde.

Janell Wheeler: A escolha de “House Of The Rising Sun” pode ter irritado os mais saudosos, mas eu até que gostei. Da escolha. Com relação à voz e ao resto, eu não percebi na Janell qualquer coisa diferente, espetacular ou digna de nota. Tomara que ela escolha músicas mais e mais interessantes em Hollywood, mas até agora… Não vi nela qualquer chamariz. Quando um homem aparecer cantando HOTRS igual ao Matthew Bellamy, a gente conversa.

Brittany Starr James: Engraçado como, embora a música que ela cantou seja raríssima em programas do naipe de American Idol (“American Boy”, da Estelle), eu não tenha gostado nada da audition. A Brittany sem dúvida sabe cantar, mas há um colorido e uma densidade no vocal da Estelle que é fundamental pra canção – ela não trouxe nada disso, e me pareceu algo que o Simon poderia tachar, em etapas posteriores da competição, de “karaoke performance”.

Kasi Bedford: Aspereza em voz feminina me remete quase que diretamente à Melissa McGhee, eliminada em 12º lugar na quinta temporada de American Idol. O maior problema com esse timbre roucornado é a necessidade de precisão em cada song choice (e se você, marinheiro de primeira viagem em Idol, acha que eu estou batendo muito nessa tecla, aguarde até chegarmos em Hollywood), porque há sempre a possibilidade de que uma determinada escolha seja criticada por não cair bem na voz, por não transmitir a sensação original do compositor… Essas coisas. Ela canta até bem, mas se essa voz tem chance de integrar o Top 24, ainda é cedo pra dizer.

Cornelius Edwards: A audition do Cornelius nos dá a oportunidade de conversar sobre as diferenças entre ouvir um cantor ao vivo e através de uma transmissão televisiva. Eu tenho certeza de que você, assim como eu, ficou um tanto quanto perplexo ao ouvir os jurados passando o cara pra próxima fase. Pelo pouco que ele cantou, eu percebi uma voz legal e até certo ponto controlada, mas geralmente quem rasga as calças perante as câmeras ganha um fora automático. Nos faz pensar em como a acústica da sala das auditions e a percepção dos jurados bem na frente do candidato contribuem para esse diferencial de opiniões. Eu ainda não consigo ver esse cara com qualquer futuro em Hollywood, mas talvez tenha se continuar fazendo essas manobras perigosas no palco.

Amanda Desimone & Bernadette Desimone: Certamente as duas são um tanto quanto, digamos, propensas a brincar com os rapazes durante as próximas etapas em Hollywood. Dito isso, gostei de ambas – e talvez o Randy tenha gerado uma certa onda de comentários dentro e fora do Idol sobre a escolha da música por parte da Amanda, que eu achei um tanto quanto mais lugar-comum, embora mais difícil sem dúvida. As duas sabem cantar bem, e eu até chego a dizer que talvez a Amanda se desse melhor com “Hit The Road Jack” que a irmã. Infringiram uma regra preciosa do programa, qual seja a de jamais fazer auditions em conjunto, mas esse é um momento agradável pra reconhecer que vozes afinadas, decotes e pernas à mostra go a long way. You tell ‘em, Halegs.

Jarrod Norrell: A audition do Jarrod causou um certo burburinho nos fóruns internacionais, não necessariamente quanto à voz (quase um motor de carro trepidando nos nossos ouvidos) ou à escolha da música. Pessoas esquisitas, gente sem a menor esperança e todo tipo de weirdos comparecem em massa aos estádios na expectativa de cantar diante dos jurados. Mesmo que eventualmente sejam ofensivos ou rudes, é muito raro a gente ver pessoas sendo escoltadas pra fora pelos seguranças. Eu diria que essa temporada teve o maior número até o momento de hopefuls acompanhados pra fora da audition room pelos grandalhões. O que me surpreendeu e chamou a atenção de muita gente foi ver o Jarrod sendo algemado. Faz a gente se perguntar se ele sacou uma arma, botou a mão na jugular do Simon ou coisa assim (é bom lembrar daquele rapaz que jogou água na cara do Simon – ele não foi algemado, embora tenha aparentemente enfrentado um processo judicial).

Matthew Lawrence: A previsão da Kara pra ele é de que chega fácil ao Top 12, e eu concordo (surpreendentemente ou não. Ela é uma das juradas, vale destacar). A primeira coisa que me veio à mente quando eu comecei a ouvir o Matthew foi uma mistura dos timbres do Taylor Hicks e do Michael Sarver, e quem conhece ambos deve ter a mesma opinião. Ele não é apontado como um early favourite, mas deve ter aquele voto de leniência dos jurados durante o Hollywood Round. Se escolher bem as músicas, não deve ter muitos problemas pra chegar longe.
Chegamos ao final das auditions em Orlando. Se você tiver algum comentário a fazer, não deixe de usar o nosso espaço aqui embaixo pra dizer o que pensa. Auf Wiedersehen!
P.S.: Meu endereço no Twitter é www.twitter.com/LucasLCarvalho. E se você quer me ouvir cantar, basta visitar meu MySpace.
P.S.2: Eu usei trema nesse post e não me arrependo. E posso usar até 2012, então agüentem firme.
P.S.3: Já diminuí essa minha paixonite por video-games (ou não).
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Postado em 3/02/2010 às 0:55
Adorei sua review… Ótima mesmo.
Mta propriedade em um texto enxuto/objetivo.
E outro parabéns gigantesco pelas mpusicas q vc interpretou. É vc mesmo? ahuahuah.
“Delilah” é uma das minhas favoritas.
Postado em 3/02/2010 às 15:14
Lucas,
O que é “costuras no canto”?