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A cidade de Dallas gostaria de mostrar ao American Idol mais uma vez o impacto de sua reputação como celeiro de grandes talentos da música. Embora tenhamos visto uma ou outra apresentações dignas de nota, o episódio não foi dos melhores.
Spoiler Free!
DALLAS, TX
Guest Judges: Neil Patrick Harris & Joe Jonas
Cada um dos convidados traz ao painel qualidades diferentes. NPH é um dos atores de televisão mais populares hoje em dia, com uma série de performances memoráveis no bolso e emplacando uma ótima personagem em “How I Met Your Mother”. Ainda me surpreende ver o Neil com uma expressão séria no rosto, mas quem sabe essa postura seja a que ele escolheu adotar profissionalmente enquanto alheio às lentes das câmeras em sitcoms. Eu sentia a mesma estranheza ao ver entrevistas, por exemplo, do Pedro Cardoso. Quem o vê em “A Grande Família” não imagina a sisudez com que ele se porta numa entrevista não-familiar.
Joe Jonas, um dos Jonas Brothers, é o rapaz que compõe a bancada na segunda metade do programa. Ao menos a meu ver, só pode estar lá para providenciar um olhar mais jovem para a análise dos candidatos a uma vaga na Hollywood Week. O próprio Joe Jonas, tivesse escolhido fazer auditions para o American Idol, poderia até chegar ao Top 12, mas seria eliminado antes do Final Four. Nas primeiras temporadas, então… Talvez nem isso.
Mas eu respeito ambos como profissionais, a despeito das minhas opiniões. Vamos aos destaques dessa leva de performances, sim?

Julie Kevelighan: Poucas pessoas que assistem Idol hoje vêm acompanhando o programa desde a sua primeira temporada. Quem tomou conhecimento do que é AI apenas com a Sony no Brasil, passou a assistir o reality a partir da season 2. A aparição da Julie é comparável a vermos novamente no programa o William Hung, por exemplo. É como se fosse um resgate surreal de figuras lendárias que construíram os pilares do programa desde o seu início, mesmo com auditions terríveis. A da Julie, também pela frase do Simon ao final, foi exibida em diversos lugares do mundo, com destaque para um potpourri especial na única edição do World Idol, em 2003. Especificamente sobre a performance, a moça continua a mesma. Não consegue segurar as notas, aparenta um esforço descomunal para seguir a melodia e, no fim das contas, parece uma repetição do que aconteceu no princípio de tudo. Ela continua, de uma forma até um pouco aparentemente forçada, clueless.

Lloyd Thomas: O Lloyd está no penhasco do limite para o American Idol, com seus vinte e nove anos. Ele parece super gente boa, tem um senso de humor bastante agradável, e pode chegar com uma certa facilidade ao Top 40. Se nesse momento os jurados vão querer dar a ele a chance de cantar para o público, é uma boa pergunta. Outros de personalidade amigável duraram muito pouco na Hollywood Week. Destaque para a cena dele lambendo os dedos, que quebrou a minha poker face na avaliação das apresentações em Dallas.

Kimberly Carver: A Kimberly me parece o tipo exato de pessoa que seria eliminada no group round em Hollywood. Embora o Simon tenha feito a piadinha do “Jazz TV”, existem cantoras com timbres muito mais afinados com o jazz do que a Kimberly, de acordo com o que deu pra ver e ouvir na audition (um bom exemplo é o bluesy jazz da Melody, meu tesouro particular). Há mais no estilo que o estalar de dedos e subidinhas anos 40. Vamos torcer para que ela se dê bem na etapa seguinte, mas eu desde já tenho minhas reservas.

Dexter Ward: Eu tenho, na verdade, uma relação antiga com “If I Ever Fall In Love Again”, especialmente na voz dos Boyz II Men. Há uns cinco anos atrás, quando eu comecei a fazer aulas de canto, minha professora me impediu de ouvir músicas na língua inglesa por alguns meses, para me desintoxicar de alguns maneirismos a que eu recorria de quando em quando. Essa música estava no meu iPod e eu não podia ouvir, embora gostasse. O Dexter, por obséquio, escolheu mal – mas eu acho que a raiz de ele não cantar bem deve ser bem comum: a voz rouca me dá a impressão de que ele tem uma personalidade contagiante, e fala pelos cotovelos. Bons cantores têm o hábito de falar apenas o necessário e preservar a voz para o palco. Ah, e precisam ser afinados também.

Erica Rhodes: Ela era uma menininha que dançava ao redor de um dinossauro roxo gigante… E cresceu para se tornar uma artista performática que canta coisas como “Free Your Mind”, do En Vogue. Afinada, ela até é – o problema é que a música não tem absolutamente nada a ver com a voz. Ou com o programa, já que tamborila em coisa de quatro notas e pronto. Eu consigo imaginar a Erica saindo bem cedinho em Hollywood, talvez na etapa das filas.

Dave Pittman: Você provavelmente acharia injusto, mas os produtores de American Idol influenciam as escolhas dos jurados (não, sério?). E eu consigo ver o Dave progredir na competição se apresentando com músicas que, escolhidas por outros concorrentes, não receberiam os mesmos elogios. A voz é agradável e ele mantém um controle ótimo da respiração em cada verso, mas se vai acontecer com ele o que aconteceu com o Scott MacIntyre na temporada passada (de não ser eliminado em algumas noites nas quais foi efetivamente o candidato de pior apresentação), não sei dizer. Torço pra que ele chegue longe por si só, e quem sabe? Com essa voz e a simpatia, pode conseguir.

Todrick Hall: “Color Purple” é um espetáculo que, há alguns anos, escalou a Fantasia Barrino, vencedora da terceira temporada de American Idol para seu elenco. Como integrante desse grupo, o Todrick devia mesmo ser bom cantor. O que talvez tenha chamado a atenção dos jurados, mas não tenha sido posto pra fora nos comentários depois da musiquinha, é a naturalidade com a qual o rapaz encara o público. Ficou bem evidente e, embora vocês possam sustentar que isso é normal para quem trabalha em musicais, uma competição como o Idol (e sim, ressaltemos o caráter competitivo do programa) exige muito mais que a afinação do boa-praça que canta com um violão à sombra da mangueira. Tranqüilidade em cima do palco e diante dos refletores chama bastante a atenção, e pode distinguir um Top 40 de um Top 24. Vamos ver o que acontece com o rapaz nas fases seguintes.

Dawntoya Thomason: Eu não vou aqui escrever um tratado sobre o que eu achei da Dawntoya, já que tudo o que exibiram foi ela cantando uma única estrofe. Mas o timbre dela geralmente só consegue se destacar em Idol com apresentações bombásticas, notas lá em cima sustentadas por uns dez compassos, pra deixar todo mundo com o queixo lá embaixo. Eu não consigo ver isso nela, pelo menos não pelo pouco que deu pra ouvir.

Michael Castro: Esse cara nem chegou a cantar pros jurados, mas quem assistiu às duas temporadas anteriores sabe que ele é o irmão do Jason Castro. Pelo que eu ouvi do Michael no passado, a voz dele ainda me parecia bem incipiente, bem crua. Não sei se isso mudou, e também não sei se ele tem muitas chances em Hollywood não.

Stephanie Daulong: A Stephanie não escolheu a melhor música do mundo pra cantar, mas ela tem um vozeirão bem interessante. Pelo pouco que deu pra ouvir, eu já consigo imaginar a moça se dando bem nas etapas seguintes, caso escolha músicas populares e que funcionem para o seu timbre.

Maegan Wright: Dos candidatos que nos foram apresentados nesse episódio, a Maegan é provavelmente a mais bonitinha. E a que mais me intriga. A voz tem nuances mais profundas que, por exemplo, a de algumas candidatas de temporadas anteriores que poderiam se encaixar no mesmo estilo (eu estou pensando em uma Megan Joy Corkrey, com ressalvas, e naquela loira que foi eliminada em Hollywood há umas duas seasons. O nome me foge agora). Eu não sei se ela vai chegar ao Top 24 não, e francamente não sei o que esperar dela em Hollywood.

Vanessa Johnston: Eu sei e você também sabe que isso não é roupa de se apresentar perante os jurados numa audition. Eu gostei demais do sorriso e da personalidade contagiante, mas a moça cantou “At Last” completamente fora de tom, de melodia, de qualquer suspiro de afinação. Pena.

Christian Spear: Para você que não sabia que mulheres também podem se chamar Christian, quero ver o dia em que você conhecer uma James ou, como eu já tive o prazer de encontrar, uma Michael. Eu não gostei da audition nem um pouco, pra ser perfeitamente sincero com vocês. A música, embora eternizada pela maravilhosa Etta James, ficou bem oca no timbre da Christian. A voz dela, aliada ao sobrenome, me fez imaginar por alguns segundos o que aconteceria caso ela tivesse cantado “Oops, I Did It Again”. E meus ouvidos alertaram minha cabeça para a possibilidade de que ficasse grotescamente igual à original.
Talvez você já saiba o que eu vou dizer em seguida, mas nenhuma das pessoas mostradas nesse episódio me parece ter chances de conseguir o título de American Idol. Nem o Todrick, nem o Lloyd, nem mesmo algumas das moças. E o programa tem dessas coisas – algumas vezes, você chega a umas cidades em que os melhores cantores simplesmente resolveram ficar em casa.
E você, o que achou das auditions em Dallas? Curtiu alguma? Acha que algum desses candidatos tem chance de chegar pelo menos ao Final Four? Comente, comente, comente.
P.S.: Meu endereço no Twitter é www.twitter.com/LucasLCarvalho. E se você quer me ouvir cantar, basta visitar meu MySpace.
P.S.2: Eu usei trema nesse post e não me arrependo. E posso usar até 2012, então agüentem aí.
P.S.3: Já diminuí essa minha paixonite por video-games (ou não).










