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American Idol: A Temporada Inteira, Nota Por Nota

Continuando nossas considerações finais sobre American Idol. Neste penúltimo texto, analiso a temporada e mostro o que levou o programa ao fundo do poço. Vejam logo abaixo, deêm uma lida e comentem.

Começar a falar aleatoriamente de American Idol é tão difícil quanto iniciar uma pesquisa de mestrado sem fazer uma distinção do que irá abordar. O tema é gigante, por isso mesmo espero que a minha linha de pensamento seja acompanhável. Que essa nona temporada foi o prego no caixão do programa, isso é basicamente uma uniminidade, mas algumas (muitas) vertentes que puxam desde o próprio conceito do reality precisam ser analisadas.

Para começar, Idol é um reality show bem peculiar. Me lembro de um texto do Paulo Antunes, pro Teleséries, em que ele comentava a diferença do programa ser um show que surpreendentemente se foca no lado bondoso da competição. Sim, nós temos uma dose cavalar de drama nas auditions, que vão desde mulher grávida cantando pra bebê morto que tá dentro da barriga até vítimas dos mais bizarros acidentes, doenças e crimes. Mas ao mesmo tempo, assim que a competição se desenrola no grande palco, os dramas são deixados de lado para se focar na principal missão dos candidatos ali: cantar. E aí está estabelecido a meritocracia. Cantou bem, continua, não cantou, adeus.

Outra característica de Idol é a sua relevância. Obviamente por ser o programa mais assistido dos EUA, a pessoa vencedora (e não só ela, é claro) já dispõe de um trampolim imediato para a fama. Não é como America’s next Top Model , que entretem mesmo conosco sabendo que dali não sairá Top Model alguma. O grande barato de Idol é saber que do programa pode realmente sair uma grande estrela. Aliás, ainda na comparação com realities como ANTM, uma grande diferença é a duração do programa. O programa de moda existe há 7 anos e já exibiu 14 temporadas. Já o reality musical, mesmo na estrada há 9 anos acaba de terminar sua nona temporada. Como isso? Simples. Enquanto a maioria dos realities de competição exibe duas temporadas ao ano, Idol sempre investiu em uma edição anual, de duração bem mais longa que uma temporada comum de reality.

E aí entra um parenteses. Para um programa como esse, cujo intuito é relevar alguém completamente comum no dia a dia, e dali fazer surgir uma super estrela, nós temos que ver tudo desde o início. Não tem como ser emocionante se não for tão longo assim. Mas ao mesmo tempo essa grande virtude também acaba sendo uma das grandes pedras no sapato. 9 temporadas depois, não tem como não se cansar ao imaginar que vai começar tudo de novo.

Certo, considerações iniciais feitas, pulemos então para essa nona temporada, que logo no seu início já tentou entregar algumas novidades para esse desgastado modelo, como a presença dos jurados de luxo nas auditions, enquanto a Ellen não assumia seu cargo de vez na Hollywood Week. Uma ideia interessante, mas que se mostrou uma tremenda furada depois da seleção de jurados que a produção arrumou. Ou será coincidência os dois finalistas saírem justamente da mesma audition com a Shania Twain, provavelmente a única jurada convidada com alguma grande relevância musical (para recordar, alguns dos outros jurados eram Avril Lavigne, Katy Perry, Joe Jonas, Victoria Beckham… Ou seja.)

Além do tiro no pé que os jurados convidados acabaram se tornando, um fator curioso já sinalizava um clima fatídico pra essa temporada: o pequeno número de bilhetes dourados que eram distribuídos nas auditions, chegando ao cúmulo da própria edição tirando sarro de que ninguém conseguia ser aprovado. Não que o nível estabelecido pelos jurados estivesse alto, era justamente o oposto que entrava pela porta.

Então vamos somando: decisões não acertadas, baixa qualidade dos candidatos, um programa cujo formato tem se mostrado extremamente cansado em seu nono ano, e, principalmente, a saída de um dos criadores e único jurado cujas opiniões nós ainda prestávamos atenção. Olhando tudo por cima, até que não é surpresa alguma a receita ter desandado tanto.

Chegamos então na entrada de Ellen DeGeners para o time de jurados. Não que ligássemos para o fato dela não ser nenhuma expert em música, afinal, todo mundo sabia que ela estava ali só para alavancar a audiência e fazer piadas atrás de piadas. O problema é que em poucos episódios nós vimos a falta de graça da apresentadora em seus comentários, e o que era para ser o alívio cômico da mesa de juri se mostrou como mais um jurado que a gente não dá a mínima pra opinião. Um Randy de calças.

Com o time completo de jurados caminhamos para a formação do nosso Top 24, e a impressão que tínhamos é que nunca antes tivemos tantos participantes carismáticos concorrendo por uma vaga entre os 24. A surpresa? Muitos, mas realmente muitos não sobreviveram ao corte, o que trás a questão: será que a forçação de barra querendo surpreender não acabou mandando muitos bons candidatos para casa de maneira precipitada? Outra pergunta que nunca saberemos a resposta.

Outro traço marcante do Top 24 já formado era a força disparada do bloco feminino, considerado o mais forte de todas as edições. Alguns meses depois, ironicamente, a Crystal era a única mulher no meio dos homens do Top 5. Culpa das eliminações não muito felizes de gente como a lacey, Didi, Lily Scott, e também culpa de todo mundo que chegou cantando nessa season 9 como se fosse o palco do Ídolos Brasil. Em uma temporada com o maior número de candidatos mais artísticos, onde quase todos tocavam algum instrumento, o aspecto autoral de candidato foi inúmeras vezes confundido com couver acústico de boteco da praça. Também parcialmente influenciados pelos jurados que incentivavam apresentações cada vez mais simples, apenas com o violão. Resultado, adeus performances grandiosas e homoeróticas a la Adam Lambert.

No fim das contas a temporada ficou sem rumo algum, não tinha mais traço autoral, o público disputava com o próprio Simon pra ver quem queria largar isso mais rápido, os cadidatos se misturavam entre garoto adolescente de Raul Gil e uma das maiores revelações femininas recentes. Nem uma sinergia decente os executivos da Fox souberam introduzir, como até a Miley Cyrus sendo mentora, ao invés de um bem mais coerente Ryan Murphy, que ainda pimparia Glee. Ficou um samba de criolo doido, onde restaram apenas dois concorrentes de pé na final: a early favorite que merecia ganhar desde o primeiro dia de programa e o dark horse que já virou costume aparecer em Idol, que após umas duas apresentações boas perto do fim ganha a simpatia do povo e rouba o título do mais merecedor.

E o que é o Lee restando como o único homem de pé? Uma grande decepção. Não me entendam mal, ele continua sendo um rapaz gente boa, cutezinho e que tem uma voz agradável, mas seu coroamente como o novo ídolo americano foi a cereja no topo do sorvete estragado que foi essa temporada. Acontece que o Lee nada mais é do que um Daughtry, Michael Johns, David Cook e Kris Allen, arrisco dizer, com bem menos personalidade que seus predecessores. Sua vitória foi a constatação final de que todo esse seu esforço de telespectador, na mais longa temporada de todas, foi tão relevante quanto a construção psicológica dos personagens de The Big Bang Theory. Como se precisássemos de uma chuva prateada de papel picado para entendermos isso.

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7 Comentários

  1. Guilherme
    Postado em 5/06/2010 às 12:16

    Sei lá, acho que você pegou um pouco pesado demais com essa temporada. Ela foi ruim, foi, mas também, o que você quer que faça diferente??
    Já pro ano que vem, cortaram o result show ao meio (vai ser só meia hora), e além, se não focassem só no canto, o show perderia o propósito, viraria um Fama apresentado pela Angélica (hahaha).
    E quanto ao Lee ganhar, uma coisa é certa: ele é o que mais evoluiu no programa. E como todos os jurados disseream, o programa é sobre isso. E vamos e venhamos, o Idol tem histórico de early favorites nao ganharem (vide Lambert).
    E você falou dos golden tickets. Esse ano não foi menos tickets não. Foram 181 desse anos contra 149 do ano passado!
    Essa temporada, no final das contas, não passou de uma temporada igual as outras, com um certo criticismo a mais, devido a saída da Paula e do Simon e a entrada da Ellen, nada mais…

  2. Régis Eduardo
    Postado em 5/06/2010 às 12:36

    Foi a pior temporada? Foi. Mas sempre vou ser imensamente grato a este ano do Idol por um motivo bem simples: ter revelado aquela que é na minha opinião, a melhor cantora já saida de um Idol. Nem preciso dizer qual, né?

    Seguida pela Carrie, e a Kelly, ambas que eu também amo.

  3. Rodrigo
    Postado em 5/06/2010 às 14:15

    Realmente, a pior temporada e não vejo futuro pro Idol ano que vem (já anunciaram que vai ser a última, né?). A Crystal e a Siobhan foram os destaques. O pior de tudo foi a demora em eliminares tanta gente ruim depois que o Top 12 foi formado.

    Agora, vocês vão acompanhar e fazer review do Ídolos Brasil a partir da semana que vem?

  4. Vinícius P.
    Postado em 5/06/2010 às 14:56

    Pior temporada de “Idol”, de longe até. Se brincar, pior até que alguma edição do “Fama”, hehehehe.

  5. Camila Oliveira
    Postado em 5/06/2010 às 21:12

    Eu nunca tinha assistido o American Idol e resolvi acompanhar esse ano. Comecei quando o programa já estava no meio e me surpreendi com a qualidade dos participantes. Assisti as audições e a Hollywood Week com uma rapidez surpreendente, adiando, inclusive, vários episódios de séries.

    Na Hollywood Week, participantes como Didi Benami, Casey James, Crystal Bowersox, Janel Wheeler, Andy Garcia, entre outros, me encantaram. Alguns também me irritaram profundamente, como a Mary Powers e o Jermaine Sellers. Um momento que me deixou desapontada foi quando a Hope Johnson não foi selecionada para o top 50, mas isso é do jogo.

    No top 24 foi que as coisas começaram a desandar, na minha opinião. Não sei como deixaram a Haeley Vaughn entrar e participantes bem melhores como a Shelby Dressel e a Angela Martin de fora. O pior, porém, foi a presença do Tim Urban entre os 24. De todos que poderiam chamar para substituir o rapaz com cabelo de ovelha que não pôde mais participar do programa, sério que o Tim era o melhor? E o Thaddeus Johnson que era talentosíssimo, carismático e, segundo os próprios jurados, não fez nada de errado?

    Na formação do Top 12, nunca vou me conformar com a eliminação do Alex Lambert e Lily Scott. Eu tiraria facilmente o Tim e Katie para dar lugar àqueles. Se pudesse também substituiria a Paige pela Janell, mas, enfim, parei de assistir quando o Top 12 foi formado. Vou retomar agora, mas confesso que perdi a vontade de continuar vendo quando soube da eliminação da minha candidata preferida, Didi Benami. No mais, das garotas, minha torcida ficava para a Siobhan e a Crystal. Dos garotos, meus favoritos eram o Casey e o próprio Lee. De qualquer forma, já é um alívio saber que o Tim não ganhou…

    De qualquer maneira, por via das dúvidas, na próxima vez verei Survivor.

  6. Anderson Vidoni
    Postado em 6/06/2010 às 9:42

    Régis, sei de quem tu ta falando não. Conta ai, hehehe.

  7. Régis Eduardo
    Postado em 6/06/2010 às 13:47

    Hhuaua, pois é Vidoni posso te garantir que não é a Haeley. Mas vou dar uma dica… Começa com Crystal e termina com Bowersox.

    E temora que a Shebly Dressell faça uma audição pro ano que vem, pra eu ter por quem torcer. Queremos Shelby no Top 12…

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