->

No ano passado, estreou pelo canal A&E, a série The Beast. Nada tinha de novo ou a mais a oferecer se comparado as tantas outras séries policiais. Sua audiência, estável e satisfatória no início, foi minguando com o tempo, até que, após concluir sua primeira temporada, a série terminou cancelada. Mas, por um acontecimento que nada teve de relação com sua produção, The Beast merece ser lembrada: ela foi o primeiro e último trabalho para a TV do falecido ator Patrick Swayze.
Swayze, famoso por filmes como Dirty Dancing e Ghost, faleceu no dia 14 de setembro de 2009, vítima de um câncer de pâncreas que havia sido diagnosticado um ano e meio antes do óbito. O detalhe é que o ator recebeu a notícia justamente a poucos dias das gravações da série se iniciar. Claro que a notícia foi como uma bomba nos estúdios e logo se começou a indagar-se se com a quimioterapia ele teria condições físicas para gravar. Indagações válidas especialmente por se tratar de uma série policial, onde haveria tiros e correria em quase todos os episódios, como manda a regra deste tipo de produção.
Após receber a notícia, o ator concedeu uma entrevista coletiva onde afirmou que teria apenas mais dois anos de vida. Mesmo assim confirmou que ainda participaria da série e que não abandonaria o trabalho artístico. E, dando um exemplo de superação, esteve presente em praticamente todos os dias de gravação no set de filmagem (faltou em apenas um), além de continuar mantendo o papel de protagonista da série (fator que acabou por contribuir para o cancelamento da série após a sua morte).
Uma curiosidade é que o canal A&E, pouco tempo após ter recebido a notícia, fez questão de adiar o início das gravações. A ideia era de que Swayze tivesse tempo suficiente para se preparar psicologicamente e fisicamente, além de permitir que ele ficasse mais tempo com sua família em um momento tão crítico como aquele. Atitude elogiável do canal, sem dúvida.
Sobre a série em si, ela conta a história de um agente do FBI, Charles Barker (Swayze), que acaba de ganhar um novo parceiro, Ellis Dove (Travis Fimmel), um agente novato e inexperiente. A partir daí, durante 13 episódios de quarenta minutos cada, vimos os dois se infiltrarem em grupos criminosos, resolverem casos de drogas, vendas de armas e até mesmo “sequestros” que envolviam uso de vírus.
Havia também uma trama paralela as histórias de cada episódio, que esteve presente em praticamente toda a primeira temporada. Logo no episódio piloto, o novato é abordado por um grupo de agentes que afirmam estar investigando Barker, e acusam seu parceiro de pertencer a um grupo de agentes do FBI que realiza trabalhos sujos para quem lhe pagasse mais, incluindo países inimigos e multinacionais.
É inegável que a trama da série era um conjunto de clichês típicos de produções policiais: muitos oficiais corruptos (The Shield); um agente experiente que costuma usar métodos ilegais para resolver seus casos (24); dois policiais com personalidades diferentes formando uma parceria (Southland); uma grande conspiração no alto escalão da agência (Rubicon); muitos trabalhos como infiltrados no crime organizado (Dark Blue). Nada disso, no entanto, impediu a série de receber ótimas críticas, especialmente direcionadas a Patrick Swayze e seu personagem.
O destaque também foi à atuação de Swayze (e a sua aparência claramente debilitada pelo tratamento), que sempre se manteve inabalável. Diria até, irretocável. Segundo palavras do próprio ator, aquela era a primeira vez que ele interpretaria um personagem tão profundo e complicado, especialmente por se tratar de um agente veterano cheio de segredos sobre seu passado. Seu personagem foi o principal fiador de toda a série, com certeza.
Particularmente, fiquei surpreso mesmo com Swayze, já que não me lembro de ter assistido nenhum filme em que ele interpretou um personagem como o desta série. Mais interessante foi vê-lo mostrar que ele é um ator muito superior ao que seus filmes mais famosos indicavam. Foi sem dúvida uma grata surpresa.
A série não chegou a ser superior a tantas outras produções do gênero, mas soube trabalhar e apresentar bem seus personagens. É claro que os demais atores também contribuíram com o resultado final, principalmente Travis Fimmel (Ellis Dave, parceiro de Swayze), Kevin J. O’Connor (agente Harry Conrad) e Larry Gilliard Jr. (agente Raymond Beaumont). O destaque negativo fica com a atriz Lindsay Pulpipher, cuja personagem foi “sem sal”, sem graça, sem tudo. Uma tramazinha paralela completamente dispensável na série.
The Beast foi também uma ironia. No piloto, aparece no início do episódio, uma frase de autoria de Marie Louise De La Ramee, uma escritora inglesa, que diz: “Tire a esperança do coração de um homem, e o tornará em uma besta”. Charles Baker era uma besta, mas o ator que o interpretou era verdadeiramente um homem. Um grande homem.











Postado em 16/07/2010 às 15:58
Eu achei a serie particurlamente especial por causa do ator Patrick Swayze, sempre apreciei o trabalho dele mesmo em filmes muito agua com açucar,o papel que ele fez no filme Caçadores de Emoçao pra mim foi otimo, entre outros.quando vi a apresentaçao da serie na A&E aqui do Brasil ainda tava com Tv a cabo em casa, me chamou a atençao o estado fisico de Patrick ele estava magro muito magro alias, eu ainda nao sabia que ele tinha cancer, enfim começei a ver a serie mas por causa do ator, e que grata supresa, a historia era muito boa e teve boas atuaçoes, Swayze estava tao confortavel no papel que seria impossivel dizer que ele estaria doente apesar da aparencia dizer ao contrario, começei a ver a serie com outros olhos, toda aquele trama sobre quem seria o traidor ou traidora na corporaçao ficou esquentando ate a Series Finale foi muito satisfatorio o final na minha opiniao, realmente ja esperava o fim da serie muito por causa da doença de Swayze, fiquei esperando noticias da renovaçao mas infelizmente ele veio a falecer junto com seu ultimo trabalho, foi uma grande perda pra td mundo… muito vao dizer que a serie so se sustentava por causa do nome de Swayze eu discordo muito, a trama ja gasta em outras serie tinha vida propria sim,as boa atuaçoes era a vida da serie… infelizmente mais uma boa serie que morre
Postado em 16/07/2010 às 17:00
Que tal um Bau com Seinfeld?
Postado em 17/07/2010 às 2:03
Adriel, adorei seu texto.
Postado em 17/07/2010 às 2:58
Assisti e comentei todos os episódios dessa série. Vi a lista de clichês que você elencou acima, mas isso a gente vê em quase toda série policial. The Beast tinha, entre outras coisas, uma dupla de protagonistas com uma química perfeita. Os roteiros eram bastante complexos e o resultado final ficou acima da média. Foi uma ótima saida de cena do Swayze. Lembro-me de ter ficado tristíssimo com sua morte, mesmo não sendo fã. Passei a sê-lo por conta da série.
Abraço!
Postado em 17/07/2010 às 6:08
Ele fez a serie norte e sul