->

Todo começo de Temporada de Damages é parecido. Uma colcha de retalhos que, a princípio, não parece fazer sentido, mas vai tomando forma na nossa frente e começamos a compreender o mote da Temporada e a fazer as conexões entre o presente e os flashforwards. Essa linha invisível que divide o “estar totalmente perdido” do “começar a compreender” foi ultrapassada exatamente entre esses dois episódios.
Spoilers Abaixo:
Para aqueles que reclamam e xingam séries que seguem fórmula, recomendo que vejam as três temporadas de Damages. A série é um bom exemplo de que uma fórmula, quando bem feita, pode render e surpreender ainda mais. Temos os flashforwards, temos o mistério da temporada, temos o início de um caso no presente, e temos a apresentação dos personagens. Tudo isso nos 3 primeiros episódios. Sempre. Desde a primeira temporada. Mas o brilhantismo do roteiro faz com que essa fórmula não seja apenas trocar seis por meia dúzia. Porque, por mais que uma ordem seja seguida, os personagens não são os mesmos, as histórias não são as mesmas, os casos não são os mesmos, e a nossa motivação de ver a série não é a mesma. Damages se reinventa para nos manter interessados, e nós queremos mais e mais a cada ano. E mais uma vez vimos isso se repetir, nesses dois últimos episódios exibidos.
Ouvi várias reclamações de conhecidos que viram o 3º episódio e disseram que era fraco, lento, cansativo e coisas piores. Fui com pouquíssimas expectativas e acabei me surpreendendo ao ver um bom episódio. Mais fraco que os outros dois, obviamente, mas mesmo assim bom. Não tivemos flashforwards, mas tivemos ação o suficiente para nos prender durante todo o seu tempo de duração. Afinal, Patty correndo contra o tempo para conseguir encontrar Danielle Marchetti, impedir que ela saísse do país e colocá-la na lista de testemunhas me deixou um pouco angustiado. Ainda mais quando sabemos que a moça está quase morrendo por causa de Joe, que a atropelou no final do episódio anterior. Mas no final tudo dá certo (para Patty). Encontram Danielle antes que ela fuja (e morra) e levam-na para o hospital. A garota passa por uma cirurgia e some completamente no episódio seguinte. Mas se bem conheço Damages, posso afirmar que Danielle é peça fundamental para o caso e terá muito destaque na Temporada. Afinal, não “despediçariam” um episódio “focado” na moça para que ela não tivesse muita utilidade na trama. E eis aí um outro trunfo da série. Eles vão criando várias histórias paralelas e vão colocando algumas “em off” por um tempo, para que elas possam ser usadas mais adiante. E nisso inclui a Danielle e até mesmo a história da irmã de Ellen, que por mais que não nos desperte interesse nesse momento, é bem capaz de respingar na personagem mais adiante. E nos flashforwards, qualquer choro, qualquer nervosismo, qualquer sorriso, absolutamente tudo, depende da motivação de cada personagem, que pode surgir em uma dessas histórias paralelas sem que possamos perceber inicialmente.
E depois de um bom episódio, eis que me deparo com um sensacional, de tirar o fôlego mesmo. Os flashforwards retornaram e vieram com tudo, mostrando coisas para ficar martelando em nossas pobres cabecinhas por dias e dias. Mas vamos começar falando do presente. Se de um lado temos Ellen ganhando cada vez mais destaque na temporada, e se aproximando cada vez mais de Patty para fugir de seus problemas familiares, de outro temos a imagem de uma família em cacos, descobrindo que o fundo do poço é mais embaixo.
Acho interessante trazerem a família de Ellen de volta – cheia de problemas – em um momento onde a “família” de Patty também retorna. Vimos Patty ser enganada friamente por seu filho, assim como vimos Ellen ser enganada por sua irmã. A diferença? Assustadoramente respondo: nenhuma. Patty não se deixa enganar, e se não pesquisou mais afundo a vida de Michael é porque esse não é um problema que queira trazer à tona neste momento já bem difícil de sua vida. Michel finge que engana a mãe, Patty finge que acredita, não há discussões, ninguém sai machucado, todos ficam felizes. Nada me surpreende nesse lado já conhecido da personalidade de Patty. O que me chocou de verdade foi ver o olhar de Ellen para sua irmã, quando esta afirma que as drogas não são dela. Havia carinho e preocupação, mas no fundo você pode ver o olhar de Patty. Indiferente àquela situação, depois de ter recusada a sua proposta de ajuda. E fica ainda mais visível que Ellen está se transformando na Patty em outros dois momentos do episódio: quando explica para o seu chefe as motivações de Patty na entrevista com Louis, e podemos ver que há admiração pelos atos da ex-patroa. E depois, na excelente cena das duas juntas, no fim do episódio, bebendo algo e “afogando suas mágoas”. Patty e Ellen são dois lados de uma mesma moeda, por isso são tão ligadas e não conseguem se manter distantes por muito tempo.
Mesmo sendo algo sério, os dramas familiares de Ellen e Patty mal chegam aos pés do que acontece com a família Tobin. Prestes a ser preso e enviado à prisão pelo resto da vida, Louis só quer poder ver o filho mais uma vez. Sua mulher, mesmo presente, já não é a mesma desde que descobriu na noite de Ação de Graças todo o golpe do marido e a sua traição com uma mulher bem mais jovem. Lily Tomlin deu uma sumida nesses episódios mas continua fantástica cada vez que aparece. Se viver com a mulher esses últimos dias se resume a jantares iguais àquele, Louis só consegue encontrar justificativa para suas ações se souber que seu filho vai realmente fazer algo pela família. Mas Joe está se afundando cada vez mais. Voltou a beber e está deixando se destruir por isso, e simplesmente não é capaz de ir ver pela última vez o pai que nunca lhe deu atenção, mas que deixou um enorme fardo para ele. No meio de tanta pressão, somado à recusa do filho de ir vêlo, Louis Tobin acaba cometendo suicídio, tendo contato pela última vez com Patty Hewes, para quem deixou um envelope que foi interceptado por Joe. O arrependimento e a morte de Louis Tobin elevou o episódio a outro nível, sendo que poderia acabar ali mesmo que ainda assim seria fantástico. Mas ainda nos chocaríamos nos minutos finais.
Ver Patty naquele desespero ao telefone imediatamente despertou a lembrança do desespero dela ao mandar matar Ellen na Primeira Temporada. Sei que a série aproveita do recurso dos flashforwards para plantar pistas falsas e nos despistar, mas eu prefiro cair na armadilha dessa vez. Não imagino qualquer outra coisa que desperte em Patty reação semelhante a que ela teve ao telefone a não ser estar envolvida diretamente na morte de Tom.
Com Martin Short ganhando mais destaque, o caso avançando e a trama começando a tomar um pouco mais de sentido para nós, afirmo que Damages continua avançando muito bem nessa que pode vir a ser sua melhor temporada.











Postado em 20/02/2010 às 21:32
Martin Short fazendo caretas na TV = vida. Mesmo o terceiro episódio ter sido mais-ou-menos, o quarto foi mesmo sensacional.
Postado em 20/02/2010 às 23:29
Justamente por ter assistido as temporadas anteriores de Damages continuo achando que anteriormente o ritmo da série era no mínimo mais frenético. Contudo concordo com você, pois o “caso” dessa vez por abordar uma família toda deve ser trabalhada com mais calma, ainda que isso me custe muita paciência.
Outro fator que contribui para essa minha sensação é que essa é a primeira vez que estou acompanhando uma temporada em “tempo real”, as anteriores eu pude assistir um episódio após o outro no meu HD.
Mal posso esperar para Ellen se unir a Patty, ainda achando que a Ellen está a procura de vingança (achei que fala do Wes sobre Perdão e Vingança exibida no previously da season premiere muito bem plantada e espero de todo coração que tenha sido de propósito).
Também achei que focar um episódio todo na personagem Danielle Marchetti, somente para mostrar que pai e filho dividiam a mesma amante foi um tanto inútil, mas vamos esperar para ver se era somente isso mesmo.
O atuação de Martin Short é sensacional mas não entendi o porquê dele ficar fazendo caretas na frente da TV. Será que ele vai dar alguma entrevista bombástica ou algo assim?
Cruzando os dedos para que o próximo episódio seja o melhor de todos, superando até o da season premiere. Até o próximo julgamento !
Postado em 21/02/2010 às 14:53
A cena das caretas não me disse nada, na hora. Agora acho que foi prá mostrar o quanto o advogado é narcisista e/ou pouco está interessado nos dramas da família Tobin.
Pelo tanto que ele negou a história prá Patty, acho que ele é o maior beneficiário da grana dos Tobin.
A morte de Tom é que me encomoda. Gosto do personagem e achei que ele seria permanente. Mas a história vem em primeiro lugar, né?
Postado em 23/02/2010 às 7:41
Marcinho,
eu entendi que ele estava fazendo caretas na frente da TV pra ter um alibi, já que Joe iria ser assassinado ou pelo menos sequestrado.
Quanto a Danielle até que prove o contrário não acho que ela era amante do Tobin pai, simples demais pra Damages.