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Cinco histórias. Um episódio majestoso. Hugh Laurie estreou como diretor com o pé direito.
Spoilers Abaixo:
Convenhamos: House já é uma série longa. Já estamos na sexta temporada, e o sucesso dá série sempre se deu, entre outros fatores, pela sua fórmula que conquistou milhões de fãs. A partir de determinado ponto, porém, toda série veterana precisa elaborar novidades para manter a fidelidade desses fãs por mais tempo. É o que vem acontecendo com House. Nesta temporada, intercaladamente, a produção da série está inserindo alguns episódios que fogem completamente daquela chamada zona de conforto. E, para a nossa alegria, até agora em todos esses episódios ‘atípicos’ a qualidade sempre se manteve alta.
Lockdown se inicia com o bloqueio do hospital por causa do desaparecimento de um bebê, forçando a permanência de todos nos lugares em que estão até que a criança seja encontrada. O sériemaníaco mais experiente vai se lembrar que a ideia de confinar personagens em um local restrito é recorrente em diversas séries. A grande sacada de House foi que, diferentemente da maioria dos casos onde o confinamento se dá em uma situação de stress (assalto a banco, ataque terrorista, whatever) aqui o bloqueio não ameaçava a vida de ninguém. Isso permitiu ao próprio Hugh Laurie comandar uma direção mais livre, podendo usar e abusar de elementos cômicos, coisa que seria impossível em um cenário de tensão absoluta.
Dessa vez não tivemos um caso da semana. Porém, como se trata de um hospital, não poderia deixar de faltar um paciente aqui. A grande ironia da participação (excelente, por sinal) do personagem de David Strathairn foi que, dessa vez, House estava diante de alguém que ele não tinha como salvar. O professor, cujo caso fora rejeitado pelo médico, acabou conhecendo a pessoa que se achava boa demais para resolver um caso tão simplório como o dele era. Entre diálogos bem escritos e cenas repletas de significado, House percebeu quanta diferença ele pode fazer em outra pessoa, até mesmo determinando quem vive e quem morre.

Ironicamente, é também com o mesmo paciente que House externa para nós o quão fraco ele realmente se considera. Por trás de toda a pose e banca que apresenta, House continua com seus problemas físicos e, lógico, emocionais. Foi emocionante ver como, mesmo após todas as idas e vindas entre ele e Cuddy, a mulher que mais o tocou foi aquela com quem ele por menos tempo conviveu. Lydia, em sua rápida (mas marcante) passagem pela vida do doutor, provocou mais estragos do que qualquer Stacy jamais conseguiria. Arrisco dizer que, se por um lado o envolvimento com Lydia foi fundamental para a recuperação de House, por outro lado o fim abrupto do relacionamento fez com que o médico não se recuperasse plenamente de seus demônios. House atingiu uma melhora, isso é notório. Mas o desenvolvimento completo nunca será alcançado, pois o doutor percebeu que sempre estará vulnerável, e é isso que o afasta das outras pessoas.
Ainda sobre falsas aparências, foi gratificante ver a volta de Cameron ao show. Por mais que os fãs tenham aprendido a gostar dos caminhos complexos que a série costuma tomar, o rompimento dela com Chase permanecia no ar, necessitando de uma explicação mais convincente. Acredito que uma descrição detalhada do que aconteceu não vai ser necessária, pois muito provavelmente qualquer leitor já esteve em uma situação onde o clima entre o casal esteve tenso, ora tendendo à separação definitiva, ora aparentando resultar em um retorno. E a resolução final da situação dos dois ainda pode render muito. Em tempo: não poderia deixar de citar aqui o excelente jogo de sombras utilizado no quarto onde estavam Chase e Cameron. A iluminação transmitia com perfeição todo o clima tenso e pesado que estava presente naquele quarto. Efeito semelhante também foi feito no quarto de House, lá com uma pequena diferença: tendia muito mais à melancolia, até mesmo pela situação sem volta em que se encontrava o paciente.
Alheios a tudo isso, Taub e Foreman, até então severamente desprezados por mim (e acredito que por muitos fãs) passaram a se mostrar de outra forma. Desde o início o Foreman foi o personagem que sempre bateu de frente com House, e, querendo ou não, ninguém que vai contra o protagonista consegue o amor do público. Não venho com isso dizer que esse é o único fator, mas é fato: a audiência nunca gostou do Foreman. E quase na mesma situação de desapego se encontrava o Taub. Talvez o que precisava era uma mudança de perspectiva.

O que aconteceu nesse episódio, de forma mastreal, foi que o telespectador teve a chance de conhecer melhor os personagens de forma individual. As separações em duplas resultraram em uma atmosfera de privacidade que acabou ‘soltando’ os personagens, fazendo com que exibissem, assim, algumas características que estavam inexploradas. Ainda na questão Taub/Foreman, ambos sempre foram, entre todos os coadjuvantes, os mais frios, reservados, introspectivos. Com este episódio, analisando os porquês dessas atitudes, podemos olhar com novos olhos para estes personagens, constatando que a angústia sempre esteve presente na vida dos dois. Foreman angustiado com aquele que sempre foi, e Taub com aquele que nunca conseguirár ser. Vou olhar com mais carinho pra história dos dois daqui em diante. Até porque a cena dos dois chapados não vai sair da minha memória tão cedo.
Ainda nessa linha, dois personagens que raramente estão juntos na série – Thirteen e Wilson – puderam se reunir e nos proporcionar ótimos momentos. A confissão de Wilson sobre o interesse em sua ex-esposa (que será interpretada por Cynthia Watros, a falecida Libby de Lost) já deu o gancho de um futuro conflito para o seguimento da série, mas sobre isso falaremos depois. O importante aqui foi que a interação dos dois se deu de uma forma muita boa, o que, sinceramente, foi uma surpresa pra mim.
Alheia à tudo isso estava Cuddy, que, como não poderia deixar de ser, foi a principal comandante da busca pela criança desaparecida. Fica a menção à excelente atuação de Lisa Edelstein nesse episódio, como é possível ver nas cenas dos diálogos dela com a mãe do bebê. Seja por se tratar da diretora do hospital, ou seja por ela ser a ‘mãezona’ da série, ficou claro que não poderia ser outra a pessoa a solucionar o mistério do sumiço.
E é com isso que eu encerro o meu post de hoje (até porque o review ficou enorme, e se você chegou até aqui eu te parabenizo, guerreiro). Ficou ao fim a constatação de que esse episódio serviu para o aprimoramento de todos os personagens da série, sem exceção de nenhum deles. É raro termos uma oportundiade de crescimento como essa, e House conseguiu agarrá-la da melhor maneira possível. Alguém discorda?
Até semana que vem, um abraço a todos!











Postado em 14/04/2010 às 19:16
Realmente foi um ótimo episódio, tinha até esquecido que o Hugh Laurie tinha-o dirigido.
Ri muito quando a 13 perguntou pro Wilson se ele estava falando da ex dele e ele respondeu: “No, my mother!”. Haha.
Postado em 14/04/2010 às 19:39
Episódio primoroso.
Excelente review. E sim, eu a li até o fim…rss
Postado em 14/04/2010 às 19:44
Review digna de um episódio (como foi dito) MAJESTOSO.
Um dos melhores episódios da temporada (‘Broken’ tem uma categoria a parte) e mais, um dos melhores episódios da séroie (pra mim).
Jennifer Morrison “volta” de forma majestosa, pena (MUITA PENA MESMO) que não é pra ficar :/
O que falar de um episódio que deixou até os personagens mais chatos da série (Foreman e Taub) interessantes?
Thirteen genial junto com o Wilson ( bela dupla Robert e Olivia, hein? ), Hugh Laurie desumano como sempre, Lisa idem, e se pá, todos os personagens foram dignos, tiveram a devida atenção.
Mais um episódio para a lista dos clássicos de House
Postado em 14/04/2010 às 21:33
Sensacional! Eu amei esse episódio!
Não sabia q as pessoas não gostavam do Forman! Eu acho ele essencial a série! A iluminação de cada quadro foi otima! Reamente mostrou o tom de cada conflito!
Postado em 14/04/2010 às 21:44
-Dude.
-Dude.
Viram? Até Foreman e Taub concordam com a minha opinião.
Episódio majestoso. Se eu fosse Hugh Laurie, estaria orgulhoso.
Postado em 14/04/2010 às 22:18
Amei!!! Como não rir de Taub e Foreman chapadaços!!! rsrsrs:
T: a sala ainda tá girando? F: a minha ainda tá!!! rsrsrsrs
E ainda o envolvimento de House com o paciente…foi perfeito! a identificação de House com aquele homem solitário, o apoio que ele precisou e o House deu e ainda a certeza de que apesar de tudo, House ainda é e se sente um “miserable”…5tadinho, quando ele falou da Lydia, foi perfeito…pq a presença dela foi mto intensa na vida dele…
Ah!! e Cameron e o Chase tbm…nossa qdo ela disse aquilo com ele, ficou com dó dos dois….pq como ela mesma diz, como ela é complicada!!! dificil de entender…amei os dois se despedindo…fofo!!!
E Cuddy como foi dito…superheroína, conversando com a mãe, com o enteado, diagnosticando a enfermeira e ainda achando a bebê, com aquela carinha de choro (supermãe msm!!)
E o Wilson, como se enrola pra falar de sentimentos, nossa a 13 enrolou ele bonito…e o que foi a cena do “roubo”…hilária!! rsrsrs Todo mundo acordou e olhou pra ele…kkkk
Tava com saudades de House e seu retorno foi bem gostoso de ver….Hugh arrasou na direção…o ator convidado tbm deu show!! como dito MAJESTOSO
P.S.: espero q não demore tanto pro próximo!
Postado em 14/04/2010 às 22:37
Defato, House (a série) é ótimo na sua “zona de conforto”, mas é perfeito fora dela.
1º – Vou contra a maré. Sempre gostei do Foreman, nas primeiras temporadas, o Chase era o chatinho, mas ele melhorou muito depois que saiu da equipe na 3ª temporada. A storyline entre Taub e Foreman foi muito boa. Realmente deu pra sacar mais dos dois, apesar de já termos visto essa faceta do neurologista em episódios anteriores.
2º Acho que Chase e Cameron encerraram. De fato, a história deles carecia de um ponto final e creio que o tiveram nesse episódio. Foi um relacionamento daqueles que todos tivemos: muito bacana, intenso, onde aprendemos algo e saímos com um respeito imenso pelo outro, pois deu o que tinha que dar, sem arrependimentos e ressentimentos. Chase não sofre mais por ela a partir de então e por isso Jenifer Morrison pode seguir a carreira dela fora da série.
3º Wilson, meu coadjuvante favorito só cumpriu tabela. Sua storyline com Thirteen serviu pra duas coisas: alívio cômico e introduzir o conflito dele saindo com a ex-esposa (o que se fez em 15 segundos). No mais, tinham que ocupar os personagens com alguma coisa e a Thirteen já teve sua história muito trabalhada com a doença, bissexualidade e relacionamento com Foreman. É uma pena, podiam ter trabalhado mais essa parte do roteiro.
4º Cuddy fez o que sabe fazer: cuidou do seu hospital, teve uma empatia materna digna de Dona Benta e administrou bem a situação; com destaque para a epifania à la House, encontrando o bebê graças a atenção aos detalhes do ambiente e do sintoma da enfermeira. Nada de novo, mas ela teve um episódio só dela há pouco tempo, e já vimos isso tudo.
5º House , então, acaba no local mais improvável… com um paciente. Sentia falta do House visto em “broken”e, aparentemente o próprio Hugh também. House estava fadado a acabar como o paciente, miserável e sozinho, mesmo na morte e algum pessimismo ainda o traga para essa visão. Não mais tenho dúvidas, ele pode até acabar com a Cuddy, mas definitivamente Lydia vai aparecer na série antes do fim, meio que para dar um ponto final nessa mágoa que deixou no protagonista, afinal, não dá pra ele seguir em frente com um buraco no peito do jeito que está (aguardo ansiosamente mais um episódio com o House vulnerável, coisa rara na série).
É isso aí, bacana mesmo as duplas improváveis Taub / Foreman, Wilson / Thirteen e House / paciente (e por que não, Chase / Cameron, pois que ela já não dava as caras), afinal, foge do clichê de botar um casal se reconciliando ou uma dupla de patetas fazendo comédia apenas.
No mais… Saudades.
Postado em 14/04/2010 às 22:48
akspoakspoakspoaksoa Wilson roubando caixa, ri muito
Postado em 15/04/2010 às 0:03
episódio maravilhoso. temporada perfeita até agora.
Postado em 15/04/2010 às 0:36
Melhor episodio que esse só Broken, onde vimos House amando, e cantando, que pra mim foi hilario.
Destaque meeesmo pra mim foi a dupla super divertida 13 e Wilson, no seu jogo adolescente.
Mostrar os peitos para o Taub, hushauhsauha, ri de mais.
House novamente no seu momento “sombrio”,mas sem perder a piada.
Episodio perfeito sim, e segundo melhor de toda série.
Hugh arrasou na direção.
=D
Postado em 15/04/2010 às 11:02
achei q ninguem ia comentar o pagamento de promessa da 13. E justo uma mulher comentou. Boa Carol (se me permite).
Impressionante, mas a 13 estava muito bonita nesse episodio, nao sei se era a maquiagem ou o fato se nao estar trabalhando. Arrasou mona. (ahhahahaha). Cuddy e seus decotes tb nao podem faltar.
Desculpem o momento tarado.
Episódio ótimo e review ótima tb. Comentando até sobre iluminacao e tudo, por isso que leio reviews. Odeio reviews resumo, essa captou quase tudo do episódio, boa Tiago.
Postado em 15/04/2010 às 17:12
Só eu que nõ achei esse episódio tão bom assim? Claro que ão foi ruim, foi bom, mas “Majestoso”? ¬¬’. Pra mim não chegou nem perto. Sou muito mais qualquer um daqueles episódios diferentes que focaram no Wilson ou Na Cuddy, do que esse…
Parece que só porque foi dirigido pelo Hugh L. o povo endoida… pra mim não foi nada de mais, só bom mesmo.
Postado em 16/04/2010 às 8:02
Concordo contigo, Diogo. Episódio meia-boca. Segmentado demais, demorado e até previsível. Essa coisa de “dizer a verdade” que os americanos tanto idolatram é uma chatice. Até por insistirem demais nisso. Em House, então, isso já deu o que tinha que dar.
Quanto à direção de Hugh L. não posso avaliar direito. Não sei se o roteiro diferenciado é coisa dele ou do próprio episódio. Só achei muita divulgação prá algo tão comum. Em Damages, Tate Donavan dirigiu vários episódios, em Without a Trace foi o LaPaglia, e agora em Breaking Bad teve o próprio Brian Cranston. E não foi esse auê todo.
Postado em 16/04/2010 às 14:57
Nossa, surpresa! Eu seeeempre amei o Foreman, desde o início da série. Tá certo q ele é meio escroto mas e daí, o House é muito mais e todos o amam! Uma amiga minha me disse esses dias q não gostava dele, achei estranho, e agora li isso aqui no review. Bom, eu o amo!

Ótimo episódio, ótima review! Só agora pude me atualizar com House, o q foi ótimo, pq essa sexta temporada tá melhor que todas, então assistir os episódios seguidos foi mara. Agora vou poder acompanhar as reviews
Bjos