->

De tempos em tempos surge aquela série única, com uma premissa original e bem construída que te faz ter certeza em apenas um episódio que o potencial de tal série é gigantesco. Fazia tempo, mas esse dia chegou. Kings é fantástico.
Spoilers Abaixo:
Imagine um conto épico, porém moderno, onde a monarquia é a forma de governo e personagens de nomes bíblicos revivem histórias que são familiares tanto para os amantes de sagas medievais como para os que têm alguma familiaridade com a bíblia. Imagine um elenco formidável encabeçado por Ian McShane (rei Silas). Imagine a história de um jovem soldado chamado David Shepherd (Christopher Egan) que após desobedecer ordens e resgatar sozinho o filho do rei das mãos do exercito inimigo acaba se envolvendo no mundo corrupto e glamoroso da monarquia. Kings é tudo isso e muito mais.
Aliás, a referência bíblica mais gritante desse episódio é justamente a cena que o soldado David vai resgatar o príncipe e fica frente a frente com o tanque de guerra inimigo apelidado de Golias. Essa sequência pode ter sido exagerado um pouco nos efeitos especiais de baixa qualidade, mas não tem como negar que foi uma cena tensa.
Obviamente que depois de resgatar o príncipe, David se torna a celebridade local e símbolo de coragem e esperança para o povo do reino de Gilboa. A forma como David é usado pelo rei Silas para ganhos políticos e a maneira como em pouco tempo, David conquista o coração da princesa ao mesmo tempo em que desperta a inveja no coração do príncipe, são um dos principais elementos que nos fazem lembrar de um conto épico. Tudo isso narrado de uma forma que não insulta a inteligência do telespectador e com um bom ritmo.
Como todo reino que se preze, o clero precisa estar presente. Aqui ele é muito bem representado pelo reverendo Samuel (Eamonn Walker). Normalmente o clero é desafiador e tem sua própria agenda, em Kings isso não é diferente. Outra grande referência bíblica está em torno de David e Samuel. Na bíblia, Samuel era um profeta que em nome de Deus fez de Davi o rei de Israel. Em Kings isso também acontece, mas não de forma tão gritante. Se juntarmos as cenas em que o reverendo Samuel diz para o rei Silas que ele não possui mais a benção de Deus para continuar como rei devido aos “pecados” que ele cometeu, junto com a cena final da coroa de borboletas, a referência bíblica fica clara.
Isso sem contar que o Davi da bíblia era pastor de ovelhas e o sobrenome do David de Kings é Shepherd (que a palavra em inglês para pastor de ovelhas), Davi da bíblia era músico e tocava a harpa, em Kings David também é músico e toca o piano… São inúmeras as referências.
Mas o importante mesmo é deixar claro que Kings pode ser a melhor estréia de 2009 e que em meio a tantas séries iguais, Kings é uma grande brisa refrescante que propõe uma trama singular e de qualidade.
Preciso dar destaque para Ian McShane que está sensacional na pele do rei Silas. É impressionante como ele consegue transmitir imponência e simpatia. Todos seus diálogos são relevantes e nos fazem acreditar que realmente estamos presenciando um rei. Até Christopher Egan me surpreendeu positivamente como David Shepherd. Aquela cena final da coroa de borboletas é ótima e não vai sair da minha cabeça tão cedo.
Outras storylines promissoras como a do príncipe baladeiro que almeja a aprovação do pai e pode acabar tornado-se cúmplice em um golpe contra o rei ou a história da segunda família do rei Silas, são algumas das peças que me deixou fisgado em Kings.
Não perca seu tempo com novas séries vazias e água com açúcar como Castle e The Listener, vá direto providenciar o piloto de Kings porque é dever de casa para qualquer série maníaco que se preze.











Postado em 6/07/2009 às 19:28
já comentei no twitter e falo aqui mais uma vez. Que série fantástica! vou acompanhar até o final por aqui. ABRAÇO!