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Lie to Me – 2×15: Teacher and Pupils

Mesmo com o retorno de um personagem que não fazia falta alguma à série, Teacher and Pupils nos apresenta um episódio sólido, divertido e cheio de alternativas.

Spoilers Abaixo:

Nunca escondi que não gosto do Agente Reynolds. Acredito que ele tenha sido um dos responsáveis pela queda da série na primeira metade desta  2ª temporada, e quando o vi nos primeiros minutos desse episódio confesso ter torcido o nariz. Por sorte estava enganado e o que vimos aqui foi uma narrativa bastante diversificada, sem os ares de série policial me incomodam em alguns episódios.

O caso da semana envolve a morte de Nick, um policial que, respondendo a um chamado, entra em um prédio residencial bancado pelo governo federal, onde é baleado por uma criança. O caso chega às mãos do FBI, que chama o Lightman Group para obter informações sobre os culpados. Descobre-se então que há outro assassinato no mesmo prédio, encoberto pela própria polícia. A situação acaba pisando nos calos de um grupo de policiais corruptos, causando uma série de novos problemas para o FBI e para Lightman. Além disso, tivemos a volta de Clara Musso, a viúva do episódio The Whole Truth, que agora utiliza Cal como conselheiro e pede para o mesmo ensiná-la a ciência tão explorada por ele.

Enquanto nos episódios anteriores tivemos foco quase que exclusivo no caso, dessa vez houve uma pequena ramificação, com uma abordagem em algumas subtramas, que embora estivessem ligadas à trama principal geraram uma boa diversidade para o episódio. As cenas com Emily deram uma boa dose de humor e, principalmente, mostraram o quanto a família é importante para Lightman. Já tínhamos uma boa ideia disso, mas dessa vez tivemos certeza que se você quiser deixar o cientista realmente puto é só fazer algo à sua filha. Tivemos momentos de emoção com Nick e sua família no hospital, além da investigação propriamente dita. Costumo elogiar muito a facilidade que a série tem em abordar os mais diversos assuntos sem fugir de sua proposta, mas é importante ressaltar que aqui os roteiristas conseguiram diversificar sua trama dentro do mesmo episódio sem que a ideia principal se perdesse ou que as subtramas ficassem deslocadas.

Além disso, mais uma vez tivemos um personagem inserido na trama de maneira a dificultar as leituras promovidas por Lightman. Nick, que mal podia mexer seus olhos, era essencial para a investigação do FBI, então Cal tinha que decifrar o que ele tinha a dizer, mesmo que não pudesse de fato falar nada. Aliás, a maneira como o doutor “calibra” o policial, fazendo perguntas de respostas simples da mesma maneira que é calibrado um polígrafo, é genial e muito bem pensada, tornando a coisa menos sobrenatural e mais científica. Esse recurso de dificultar as coisas para ele tem sido bem utilizado pelos roteiristas, mas temo pelo seu futuro. Primeiramente porque em um momento as opções irão se esgotar, obrigando a série a se repetir. Além disso, um grave defeito que uma série pode ter é de transformar situações antes interessantes em coisas maçantes e recorrentes (vide “Bazinga!” de The Big Bang Theory). Por enquanto, nada disso está acontecendo, mas é necessário cuidado.

Com relação ao caso em si, o desenvolvimento desse foi interessante e com muito cuidado, sempre com a cautela de não revelar ao espectador mais do que ele precisa saber naquele momento. Além disso, há uma crítica implícita ao comportamento de certos policiais e como esses fazem o impossível pra encobrirem seus crimes. Esse tipo de crítica não chega a ser novidade, muito pelo contrário, já foi abordado em inúmeras séries policiais, mas mesmo assim é algo interessante. Não achei que eles chegariam ao ponto de prender Emily por porte de drogas, num ato extremamente sujo e covarde, além de burro, uma vez que trouxe Lightman de volta ao caso. Aliás, algo não me sai da cabeça. Como Hollander prendeu alguém do nada com uma acusação fictícia? Essa parte pra mim não fez muito sentido, muito embora sua intenção tenha sido bem explorada.

Paralelo ao desenvolvimento principal, a volta de Clara à série me deixou bem intrigado. A viúva agora toma conta de todos os negócios de seu finado marido, e parece bem à vontade com isso. Mas o principal é que ela salva o Lightman Group de uma possível falência e agora deve se tornar um personagem recorrente na série. Além disso, parece muito interessada em Cal e a recíproca é verdadeira também, muito embora seja um interesse mais sexual do que amoroso, ao contrário da química existente entre Cal e Foster. Fico feliz com o aproveitamento do personagem, e gostaria muito que isso significasse ver menos o Agente Reynolds.

Mais uma vez, Loker foi inutilizado pelos roteiristas, e levou com ele a Torres, além de por pouco não levar a Foster, que aparece bem menos que o habitual. Acho que os roteiristas deveriam dosar um pouco melhor o tempo de tela de seus coadjuvantes, que considero interessantes, mas muito mal aproveitados. Já Tim Roth dessa vez exagerou um pouco em Lightman. Achei os gestos com os braços feitos pelo ator excessivos e forçados. Aproveito pra comentar sobre o próprio personagem. Li em alguns comentários que Cal estava super-herói demais nessa temporada. Concordo com isso, mas ainda não chega a incomodar. Nesse episódio, por exemplo, isso não ocorre. Mas é um fato que realmente tem acontecido.

Apresentando episódios coerentes e sem cansar o espectador, Lie to Me tem me surpreendido muito nessas últimas semanas. Pode ser total delírio meu, mas a considero uma série muito subestimada por público e parte da crítica. E manter essa regularidade só vai reforçar esse meu pensamento.

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7 Comentários

  1. Netto
    Postado em 15/07/2010 às 9:19

    Eu achei que como foi um episodio para inserir a viuva na trama foi legal um enfoque nela e a Foster meio de lado, mas no proximo deve voltar ao normal, gostei muito do episodio.

  2. reinaldo chen
    Postado em 15/07/2010 às 11:17

    Pior que parece que a viuva vai se tornar a inimiga da terceira temporada… a viuva negra….
    E os pontos fracos dele vao sendo mostrados e aprendidos por ela…
    A Foster de lado seria natural ,mas Locker ja ta na geladeira por muito tempo (mas natural depois do chilique no episodio do soldado) e a Torres vai ganhar um pavio e fosforo para se tornar em definitivo uma vela…

  3. Marco Lourenço
    Postado em 15/07/2010 às 13:20

    Gostei muito da sua análise. Foi ao ponto. Mas, gostaria de fazer uma pergunta, onde e o que aconteceu com o namorado da Torres que ficou ferido no atentado do shoping?
    Achei que ele foi sacado da trama sem maiores explicações e, para piorar a reação da Torres ao saber que Cal havia, digamos, “sonegado a verdade”, sugerindo um rompimento.
    Fiquei meio perdido neste ponto.

    Obrigado.

    Marco.

  4. choppy
    Postado em 15/07/2010 às 18:41

    1. O Agente Reynolds é o tipo de policia durão, com esse estilo não se enquadra nesta série. Até porque Lightman tem sempre o duplo papel de durão (ex. quando teve de falar com os policias que se meteram com a filha) e o papel do bozinho.
    2. Torres é uma figura muito forte e que para ter mais papel nesta série iria chocar com a protagonista Foster.
    3. Foster às vezes parece um pouco “fora da cena” por ser muito soft. A sua personagem poderia efectivamente assumir-se com mais força nas histórias e liderar ou acentuar os conflitos de acções com o Cal.
    4. Locker funciona no jeito de “geek meio off”. É mais um apêndice.
    5. Clara, a loira cheia de grana. Esperteza a mais para esta série, sem acrescentar nada de novo. Vão fazer o quê? Trabalhar o conflito dinheiro vs filosofia? Lembram-se que Cal não quer trabalhar com políticos?
    Mas as histórias estão bem construídas e seguem aproachs diferentes, o que é estimulante para o espectador. Adivinhar linha condutora de série é tristeza!

  5. Gil_Folador
    Postado em 19/07/2010 às 0:53

    essa volta de Lie to Me ta muito fodastica. Ep atras de EP um melhor que o outro. Sério! tou curtindo demais.

  6. Rafael Sampaio
    Postado em 19/07/2010 às 15:11

    Gostei do episódio! Muito Bom!
    =D

    Mas, como de costume,
    Loker e Torres mal apareceram!
    A Torres, se não me engano, só teve uma fala no episódio inteiro.
    =(

    Eu gostava na época da primeira temporada onde haviam sempre dois casos distintos num mesmo episódio. Valorizava mais os personagens secundários, fazendo com que Cal não fosse a única estrela da série.

    Acho que é devido a isso que estão chamando-o de super-heroi!
    A série está toda focada nele, deixando os demais personagens de lado

  7. Olga
    Postado em 21/07/2010 às 12:22

    Essa história de um caso por episódio é uma faca de dois rumos, é bom porque há uma melhor dinâmica e compreensão da audiência, já o ponto fraco é que assim sempre ficam e lado os personagens secundários, ou como agora até os “protagonistas” (Foster) acabam ficando de lado. Mesmo assim acho que a série está notavelmente superior a primeira temporada e a primeira parte da segunda.

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