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Lost – 5×01: Because You Left (Season Premiere)

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Depois de longos meses de espera, finalmente retorna uma das séries mais populares da atualidade, Lost. E é com grande felicidade que digo: não me decepcionei, nem um pouco.

Spoilers Abaixo:

Minhas últimas experiências com grandes esperas não tem sido satisfatórias, o péssimo hábito se perpetua de criar altas expectativas e quando ocorre o retorno me decepciono, e como já disse no parágrafo inicial, isso não ocorreu com Lost.

De todas as estréias de temporada essa foi a minha favorita, superando até a épica cena em que Jack acorda no meio das árvores no episódio piloto. O Primeiro pensamento dele foi obviamente “Eu quero dar o fora daqui.”. Ah, a ironia.

O relógio avançando um minuto já praticamente deixa explícito para os mais antenados que essa temporada será sobre o tempo em todas as suas formas, seja com os misteriosos desaparecimentos do acampamento ou a consciência de Desmond e sua constante.

Poucas pessoas perceberam, mas logo foi respondido um mistério que muitos insistiam em questionar: o Dr. Pierre Chang. Soubemos o seu verdadeiro nome e que ele é um cara de família que vive na vila dos outros conduzindo os experimentos da Iniciativa Dharma. Sem contar com as gravações dos vídeos de orientação. Um pequeno inside: será aquele bebê é alguém que nós já vimos?

Enquanto isso no lugar da futura estação Orquídea ocorre um problema na escavação: é a fonte de poder que pode ajudar a manipular o contínuo-espaço tempo, Pierre Chang é chamado para resolver a situação e determina que a estação irá ser construída ali mesmo e que não se deveria em hipótese alguma perfurar nem um centímetro a mais. E ao sair da obra, ele esbarra com ninguém mais, ninguém menos que Daniel Faraday, o físico do cargueiro.

O Modo como à cena foi feita me deixou em êxtase, a direção de Jack Bender ao som de Shotgun Willie, conseguiu passar o clima necessário para conseguir iniciar a temporada com a carga dramática já conhecida dos fãs de Lost e ainda colocar um ponto de interrogação (como de custume) na nossa cabeça sobre a presença de Faraday. Seria um flashforward de uma cena que veremos mais adiante da temporada? Ou algo que remetesse ao passado?

De volta a ilha, percebemos que Sawyer está muito abalado com o que ele pensa ser a morte de Kate  e toma algo similar a postura de líder que vinha exercendo desde que tentou proteger Claire na reta final da quarta temporada.

As suspeitas se confirmaram e Faraday e o pessoal do bote estavam no espaço da ilha movido no tempo, nada muito surpreendente até aí.

Começam a ocorrer flashs aleatórios que levam os habitantes da ilha para épocas diferentes, afinal, o termo mover a ilha não especifica como, isso obviamente trás efeitos colaterais, dor de cabeça, nariz sangrando e perda de consciência. Seriam essas as más coisas que Jeremy Bentham falou?

Daniel Faraday, o menos perdido em toda essa história também reafirma a máxima de que o futuro não pode ser mudado e a resposta Sawyer sobre isso só me garantiu de que Lost não perdeu o fôlego e a intensidade poética da primeira temporada, nem um pouco.

Fora da ilha, a maioria dos Oceanic Six começa de onde terminaram na quarta temporada: Jack na funerária e Sayid e Hurley indo para um lugar seguro. Outra ironia. Sun e Kate só tiveram uma cena cada uma no episódio (bem importantes por sinal) em que são ambas confrontadas, Sun por Charles Widmore e Kate pela sua mentira. Sun deixa a entender que irá vingar a morte de Jin não importa o que aconteça e Kate volta a fugir. Um tigre nunca muda as tiras, como diria Sawyer.

Vale ressaltar o modo como tudo foi armado para nos “confundir” , quando ouvíamos falar do estilo da temporada pensamos em algo mais complicado e denso, porém em minha opinião se esforçando um pouco fica bem fácil de criar uma linha compreensível de acontecimentos. Os criadores acertaram em cheio.

Ao chegar a um hotel de beira de estrada, passando em uma lanchonete antes é claro, Sayid é emboscado pelos homens de Widmore. Lost tem conhecimento de que a história não se resume a pancadaria e consegue criar cenas de ação empolgantes sem perder o foco real.

Por fim, Sayid se livra deles, mas termina sendo acertado por um dardo, o que faz Hurley dizer a melhor frase da premiere: “Nós nunca devíamos ter deixado a ilha!” e fugir, sendo injustamente acusado de assassinatos cometidos por Sayid.

Devido a essa confusão, Ben e Jack acabaram por não fazer muita coisa em Because You Left, além de conversar sobre como iriam reunir os seis da Oceanic novamente.

De volta a ilha, Locke está sofrendo os efeitos do ato de Ben, ele termina sendo baleado por Ethan (sim, o outro assassinado por Charlie na primeira temporada) que o confundiu com um dos sobreviventes o avião nigeriano, que caiu na ilha naquele exato momento. Essa mesma confusão temporal que o colocou em uma horrível situação, salvou Locke de um destino fatal e o pôs perto de Richard, que prestou socorro e passou uma enigmática mensagem. Coincidência? Destino? Ou um Richard Alpert que é mais do que aparente ser? Um prato cheio pra quem gosta de teorias. Vale lembrar que a bússola foi um dos objetos que John deveria escolher em Cabin Fever.

Para terminar em grande estilo, a cena bombástica do final foi ótima, Faraday entrando em contato com Desmond no passado (ainda na escotilha) e dizendo que todos na ilha estão em perigo, e que ele deve encontrar a mãe de Faraday em Oxford.  Como já era de se esperar, não soubemos o nome dela. E mais surpreendente do que isso, ele recebeu a mensagem no barco da Penny enquanto dormia e onde passou os últimos três anos viajando. O Brotha não aparece no episódio dois para concluir essa saga, mas podem ficar alegres que o episódio três, Jughead, será o centro no próprio.

Lost volta com fôlego total de sua pausa e o primeiro episódio é prova disso, não tenho nenhuma crítica a fazer sobre ele, somente elogios, que são tantos que me faltam palavras. O que parecia sinal de perigo (separar o elenco principal em dois) se tornou uma das melhores idéias tidas em muito tempo no mundo das séries, e trouxe momentos épicos.
Em dias em que a televisão sofre com shows que insultam a nossa inteligência, Lost é uma alegria para os apreciadores de uma ótima produção, grandes atuações, belíssimas lotações e roteiros brilhantes.

Finalmente, o ano de 2009 começou para as séries.

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1 Comentário

  1. Marcinho
    Postado em 22/06/2009 às 12:39

    [atrazado] O Bom de Lost é justamente isso, os produtores e roteiristas tem inteligência e “peito” para fazer experiências como essa.

    Já vi em muitas outras séries, que após ganhar um público garantido e fiel, acabam perdendo a criatividade ou então ficam presos naquela mesmice.

    Qualquer comparação com “Heroes” não é pura coincidência ! :|

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