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Mad Men – 4×04: The Rejected

Depois de um tropeço, Mad Men está de volta.

Spoilers e cigarros abaixo!

“How would you know what this feels like?”- Trudy Campbell

É bom ver que mesmo depois de três temporadas e tantas mudanças, a série ainda tem tempo para dois de seus mais velhos e “queridos” personagens, Pete e Peggy. Desde o primeiro ano, a relação tem sido conturbada, tanto entre os dois (com toda a história do caso, da gravidez, da ascensão dela ao posto de redatora) quanto entre eles e nós. Ambos cometeram atos absolutamente reprováveis, mas também tiveram momentos humanos, e vê-los encontrando uma espécie de acordo e seguindo em frente foi maravilhoso. Uma mudança de ares bem-vinda numa temporada que estava sendo bastante sombria (e que deve voltar a ser na próxima ou em algumas semanas).

Comecemos pelo Pete. Desde “Smoke Gets in Your Eyes”, ele é o personagem que aparenta ter passado por menos mudanças. Mesmo cabelo, mesma cara de quem acabou de sair do berçário, mesma atitude arrogante… Ainda assim, ele passou por muitas coisas: suas diferenças com Don, a morte do pai, a falta de notoriedade na agência, todos problemas que não existem mais ou estavam apagados, e ainda assim, incomodavam e o tornavam infeliz. Agora, um dos únicos reais da sua vida se foi (Trudy está grávida!) e ele ainda sente a falta de algo. O quê? Peggy, é claro. Não, ele não a ama ou algo do gênero, mas sente que precisa de absolvição por causa do supracitado caso que deu errado e, de certa maneira, consegue. No final do episódio, ele parece feliz e esbanja um sorriso. Espero que continue assim pois abre várias possibilidades em relação às histórias e aos relacionamentos na firma.

Enquanto isso, Peggy continua tentando se encontrar, descobrindo novas pessoas e expandindo os seus horizontes além das paredes da Sterling Cooper Draper Pryce. Sua nova amiga, Joyce, oferece isso, mas não é o seu estilo ou até mesmo algo suficiente para que ela consiga se libertar da mesma maneira que o Pete. Nessa história, ainda estão presentes as barreiras daquela época em relação ao papel das mulheres na sociedade e o caminho dela, fortemente afetado pelo bebê e pelo noivo que não supre suas necessidades, é mais tortuoso. Pelo menos ela pode arranjar conforto ao descobrir que o seu chefe também não vai tão bem, com a sua vida profissional colidindo com a privada e vice e versa. A conversa que ela tem com Allison após o choro foi um pedaço essencial no seu desenvolvimento pois percebemos a quão longe Peggy chegou e ainda está disposta a ir; deixando bem claro que aprendeu a não ter o mesmo “problema” e assim, ganhou o emprego dos sonhos.

Outras observações:

- Bom ver que o Cosgrove não foi deixado completamente para trás. Sempre simpatizei com ele e é um retorno tão bom quanto o do Freddy. Ambos estavam ótimos nesse episódio, por sinal.

- A nostalgia veio com força essa semana. Teve uma batida e até umas manias visuais das temporadas anteriores, coisas que eu achei que nunca mais voltariam. Gosto bastante disso pois combinou com vários dos temas abordados pelo roteiro.

- E Don piora ainda mais a situação com Allison, se livrando mais uma vez de qualquer envolvimento. Será que foi o divórcio que tirou essa falta de tato? Ele era muito bom em manipular as suas amantes e companheiros de trabalhos, e agora, só está fazendo besteira.

- Esse episódio foi dirigido pelo John Slattery. Novato na direção e surfando na maré de várias outras estrelas (Zachary Levi, Neil Patrick Harris, Kyle Chandler, Jeffrey Donovan e etc), comete alguns erros de iniciante bastante notáveis por causa das necessidades do episódio em questão, mas continua excelente soltando piadas e sendo incrível na pele de Roger Sterling.

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2 Comentários

  1. Adriano Macedo
    Postado em 30/08/2010 às 12:41

    Convenhamos: O Don nunca teve “tato” em lidar com as mulheres. Ele tem “lábia”, o que é beeeeem diferente. Gostei do episódio, da volta do Cosgrove e principalmente da cena final, do casal de velhinhos no corredor do prédio do Don, iniciando e encerrando uma discussão bruscamente. Lembra quem isso? :-)

  2. Lucas Alves
    Postado em 31/08/2010 às 21:47

    Putz… só consegui assistir este episódio hoje… Aliás, vários espectadores de Mad Men que eu conheço na blogosfera também estão atrasados c/ a série. Enfim, sobre o episódio: eu sempre amei a Peggy. É minha personagem favorita desde aquela campanha p/ batons lá na primeira temporada. Então, é claro que gostei muito do episódio. Inclusive, eu comentei na review do episódio anterior que senti falta da Peggy. Mas eu não gostei do episódio apenas por ter dado tanta atenção a ela. Gostei porque foi um texto a altura do personagem (e da própria interpretação da Moss): o teste p/ a tal pomada Ponds, a batida policial, a notícia da gravidez de Trudy… Foi muito bem escrito.

    Mais uma vez, parabéns pelas reviews de Mad Men, estão ótimas.

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