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Mad Men – 4×05: The Chrysanthemum and the Sword

You goin’ my way, doll?

Spoilers e cigarros abaixo!

“Not very subtle are they?” – Joan Harris

Toda temporada de Mad Men tem os seus temas predominantes. A primeira foi sobre Don tentando lidar com o seu estilo de vida infiel vindo à tona, a segunda sobre os mais variados tipos reflexões que evoluíram e se tornaram aceitações, e a terceira sobre o fim das estruturas mais básicas da série, a Sterling Cooper e o casamento dos Draper. Já a quarta, mesmo com um início bastante direcionado, vem de pouco a pouco se dispersando e ficando cada vez mais vaga, com um apoio exagerado em personagens e situações que ela, no passado, dispensava. Não estou dizendo que “The Chrysanthemum and the Sword” foi ruim, pelo contrário, mas ele está a par com os três primeiros episódios em estranheza e continua a mostrar alguns desses ferimentos. A história da Honda, por exemplo, teve uma elaboração clara e veio a se tornar uma sucessão de cenas incertas pelo final, enquanto o exato oposto ocorreu na de Sally Draper e a de sua “descoberta”, com o poder dramático se tornando mais eficiente no decorrer da hora. Essa imprevisibilidade é uma aposta perigosa que pode resultar tanto em um “Christmas Comes But Once a Year” quanto em outro “The Good News”.

Agora, partindo para os específicos, vemos que muitas das maravilhas típicas da série permanecem absolutamente normais. Roger Sterling se negando a fazer negócios com os japoneses por causa do passado foi um paralelo perfeito com o que tínhamos visto anteriormente dele e do seu “crescimento”. Os tempos estão mudando, as pessoas também, e mesmo com ele tendo uma postura voltada ao futuro, ainda não consegue se libertar completamente do passado, algo que somos constantemente lembrados nas suas interações com Joan. Ele nunca vai deixar de amá-la e não pode fazer algo sobre isso, então se casa com outra mulher de modo a forçar uma superação que talvez nem seja verdadeira a sua personalidade. Também há uma forte sensação histórica nisso e mesmo não sendo a pessoa mais indicada para se ter como referência no assunto, foi interessante observar o que era uma das reações da década ao choque cultural. Tudo, no final, adicionou bastante a uma trama mal elaborada, que tirando a grande jogada de Don, responsável por levar a grande pedra no seu sapato à falência, não adicionou muito como várias outras (“Guy Walks Into an Advertising Agency” é um grande exemplo de história bem sucedida).

E para fechar tudo com chave de ouro, o retorno de Betty. Os meus problemas com ela não eram por causa da sua história (achei maravilhosa, por sinal), e sim pelo claro desequilíbrio que ela causava naquele universo – vide Pete, Peggy e Roger agindo como figurantes de luxo na terceira temporada. Felizmente, o divórcio acabou por restaurar a ordem natural das coisas e essa nova temporada está mais orgânica em relação a essa divisão. Tanto que ver Betty se abrindo para a psicóloga infantil foi algo que teve uma posição diferente na narrativa; ganhou mais peso e levou a interpretações inéditas. Que ela é uma criança todos sabemos, mas o que ela realmente quer? E é possível que uma parte dela se arrependa de ter se divorciado de Don e casado com outro homem? Ainda precisamos observar mais da nova dinâmica familiar para tentar responder, e enquanto isso, nós seremos obrigados a observar Sally quase ser assassinada por cortar o cabelo, se masturbar, sentir saudades do pai… Enfim, por se conhecer, saber o que quer, o que é errado e, finalmente, crescer.

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Essa review termina sem as usuais observações finais pois eu tenho um recado importante para dar: a partir da semana que vem, estarei revezando as reviews da quarta temporada com o Hélio Flores, do sensacional Comentários em Série. Espero que vocês gostem.

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2 Comentários

  1. Yasmin
    Postado em 29/08/2010 às 11:58

    Comecei a assistir Mad Men nessa summer season e não me arrependo. Assisti as três primeiras temporadas e agora nessa quarta percebo que muita coisa mudou. Betty é uma neurótica, aquilo não é mãe, nem nos anos 60 e nem em época nenhuma. Não sei, mas aquele casamento dela tende a durar pouco. Don sente falta daquela época, afinal ela de certa forma complementa ele, todos os problemas, ela neurótica, ele um mentiroso e com caráter duvidoso. Adorei a série, é fantástico o trabalho em remontar aquela NY dos anos 60.

  2. Lucas Alves
    Postado em 3/09/2010 às 23:19

    Eu nunca tive grande simpatia pelo Roger, mas sempre o vi como um personagem importante p/ série e este episódio reforçou ainda mais isso.

    Agora… eu não entendi direito o que você escreveu sobre Betty ter provocado desequilíbrio. Você acredita que um foco tão grande nela fazia c/ que os outros personagens não fossem tão explorados quanto poderiam? É isso?

    Enfim, eu gostei do episódio e achei a cena da Betty c/ a psicóloga infantil bem interessante.

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