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Antes de começar esse texto, deixo avisado que esse não é o tipo de televisão que agrada a todos. Não falo isso pelas profanidades ou cenas fortes – que são bem poucas por sinal – , mas sim pelo o seu estilo. Tão estranho, e ao mesmo tempo, brilhante.
Spoilers leves!
Men of a Certain Age começou de forma bem discreta na TV á cabo. O Piloto foi bastante elogiado pela crítica especializada americana e a audiência impressionou de maneira positiva os executivos da TNT, mas na semana seguinte, muitos abandonaram as “aventuras” de Joe e seus amigos, pois não era a típica série que estamos acostumados a assistir. Não havia grandes surpresas entre os comerciais ou cliffhangers de roer as unhas, havia simplesmente um auge emocional para aqueles personagens e que caso você não desse a mínima para eles, você não iria gostar e sentiria tédio durante uma hora. E Quem, como eu, começou a gostar dela por esses fatores, logo se sentiu amarrado pelos outros e completamente fisgado por um dos melhores dramas da atualidade.
Um dos fatores principais nesse domínio criativo que a série tem sobre si mesma é que Mike Royce toma o seu tempo. Ele não é forçado pela emissora a adiantar as coisas, a ser mais simples, mais complicado… Nada. Ele desenvolve as histórias que quer, da maneira que quer, na intensidade e no humor que quer, tudo isso de maneira bem orgânica ao lado da ótima equipe de roteiristas e da estrela/criador Ray Romano. Vocês devem conhecê-lo da igualmente maravilhosa sitcom que acabou em 2005, Everybody Loves Raymond, e assim, vai estranhar o fato dele estar estrelando um drama. Mero engano. Quem prestou atenção nos episódios da comédia acima citada, sabe do que estou falado. Ray tem um timing impecável como comediante, tanto na televisão quanto no stand up, mas sabe como entregar uma linha dramática de maneira que muitos atores especializados no gênero não sabem. No final do piloto, quando ele empilha as pedras em honra ao animal morto no meio da estrada, a emoção que ele passa é tão grande que você consegue se pôr na pele do personagem. Você, um mero telespectador, consegue sentir tudo que o personagem passa, a incerteza e estranheza em meio aquela situação surreal…. É Grande. Ele, sem dúvida alguma, é a revelação do ano e com a campanha certa do canal, poderia acabar levando uma indicação nas grandes premiações, fazendo os americanos prestarem atenção a série.
Mas não. Quem é fã de Men of a Certain Age sempre vai ligá-la ao seu aspecto desconhecido. As piadas internas e encontros entre amigos, a química perfeita entre o trio Bakula, Romano e Braugher, aos muitos erros que levam pessoas boas a um final merecido e justificável. Aos seus poucos episódios, curtas temporadas e se o plano der certo, rápida duração. Aos Beach Boys cantando “When I Grow Up To Be a Man”, a todos que subestimaram a sua capacidade e principalmente, a melhor reprodução de um dos estágios mais rápidos e essenciais da vida.
“Stop analyzing and obsessing. Just let yourself enjoy something [...] Go with the flow.”











Postado em 1/03/2010 às 13:07
Mateus, ainda não assiti a série, mas pela descrição creio que vá curtir. Valeu pela dica!
Postado em 1/03/2010 às 13:08
Vi só o piloto, não tive tempo de ver o resto, me pareceu bom, a série parece explorar o universo masculino de uma forma interessante
Postado em 1/03/2010 às 13:37
eu assisti a série graças à você, e concordo com cada linha. é uma série que pode nã conquistar o grande público, que prefere se render aos clichês, mas sem dúvidas é impecável até nos detalhes que podem parecer erros – mas com um olhar mais atento se percebe que é apenas um modo do roteiro ir entregaando as nuances dos seus personagens.
série incrível, texto idem.
Postado em 1/03/2010 às 23:16
Me interessei, vou assistir
Postado em 12/03/2010 às 17:10
Assisti até o episodio 6, como no texto cita, é muito estranho a relação entre o tédio e a emoção, coisas simples viram complexas e faz pensar muito nas suas atitudes.
Postado em 25/07/2010 às 15:08
Alguém sabe onde posso assistir online?
Postado em 17/09/2010 às 0:17
Pra começar, gostei mto do teu título, pq é bem isso: pra desatentos/as e ‘hiperativos/as’, a série vai passar batida! E é lamentável, pq ela é mto boa. Já no primeiro episódio a que assisti, me senti ‘fisgada’, como tu falou, e ao mesmo tempo me perguntando: caramba, o que ela tem que tanto prende a atenção?? Que sutilezas são essas que colam a gente na narrativa, do começo ao fim do episódio? Dias comuns, de gente comum, com dilemas e resoluções comuns, sem clichês, sem glamurs e granfinales. E de uma fase legal da vida que quase nunca é retradada (e quando é, quase sempre é de forma caricata). Talvez seja isso, e tb elementos de narrativa, cenografia e áudio, q põem a cena bem próxima da gente, entre o documentário e a ficção, seilá. Pena q não tenho mais tv a cabo. Como a Kika, gostaria de saber onde a gte pode assisti-la online.