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The Pacific – 1×08: Iwo Jima

O oitavo e antepenúltimo episodio de “The Pacific” pode ser divido em duas partes: a preliminar, que mostra um herói querendo se distanciar de sua fama, e a derradeira, que justifica as virtudes que lhe deram tanto prestigio. Duas partes com ritmos e diretores diferentes

Spoilers Abaixo:

A primeira metade se desenvolve nos Estados Unidos, e avança de forma rápida sobre os eventos que culminaram no re-alistamento de John Basilone até o treinamento dos recrutas. Ao contrario dos outros episódios, que mostravam superficialmente os conflitos internos que Basilone enfrentava, este evolui em todas as questões ligadas ao personagem. Nos treinamentos, ele parece descarregar as frustrações vividas no ultimo ano em seus subordinados, e ao mesmo tempo em que ensina o que aprendeu com sua experiência, volta a sentir prazer em cumprir suas funções como soldado. O começo é lento e a historia é muito centralizada no romance, e por isso, eram aproveitadas todas as oportunidades que apareciam para dar mais dinamismo à primeira metade do episodio. Era como tirar leite de pedra, e cada cena dos treinamentos era uma guerra, com imagens trêmulas e ângulos diagonais.

Quando a peteca ameaçava cair na reta final da serie, começa a segunda metade do episodio. Com os interesses românticos, conflitos existenciais e treinamentos, a batalha de Iwo Jima, que já tinha sido anunciada na sinopse do episodio, parecia deixada de lado na historia. Mas ela veio, e quando veio não só reafirmou o padrão de qualidade que “The Pacific” já estabeleceu, como elevou a outro nível as cenas de ação que já eram perfeitas. A parte estética é muito bem cuidada, e a frieza do realismo agora divide espaço com um foco narrativo poético, que enfatiza a beleza no que é relevante para a historia. Através dos olhos de Basilone, que volta agora na condição de superior, as manobras estratégicas eram mais nítidas e os soldados, que antes pareciam correr de um lado para o outro fugindo de balas, aparentam ordenados e comprometidos com missões mais palpáveis.

Se a serie é fiel aos registros documentais, então Basilone realmente deve ter sido um soldado diferente dos outros, porque em nenhum momento há uma desmistificação de sua imagem, ao contrario, em tudo que servia de base para comparação com o restante dos fuzileiros navais, ele se destacava. Suas reações eram enérgicas e suas atitudes, sempre corajosas. O próprio ator que o interpreta já é uma demonstração disso, enquanto Eugene tem um corpo desengonçado e magro, Basilone é forte e atlético. A montagem da uma certa idéia de como o processo de pesquisa para a composição dos três arcos foi feita. Eles são distintos e não se encontram a não ser por um capricho dos diretores, que flexionam a historia para mostrar alguma interação que una esses arcos dentro da proposta narrativa da serie.

Se não houvesse um compromisso com a escala cronológica dos fatos, este poderia facilmente ser o ultimo episodio da serie. Independente dos níveis de envolvimento de cada espectador, é muito difícil não torcer por um personagem como John Basilone. Essa afetividade é resultado de um ótimo trabalho de concisão, que desenvolve a narrativa com uma estrutura que a deixa autônoma em relação aos outros episódios. O final ressalta, de forma muito bem orquestrada, que apesar dos seus méritos individuais, ele morreu como todos, e lá permaneceu como qualquer um. Em certo momento ele diz que o medo os fazia avaliar melhor, sentir-se acordado, talvez esse tenha sido o seu mal: a confiança no próprio mito e a certeza de que era indestrutível.

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1 Comentário

  1. Jefferson
    Postado em 16/07/2010 às 10:30

    Caramba! Ótima resenha, realmente muito bem escrita! Juro que resisti a pesquisar no google sobre o real destino do personagem até poder ver o que realmente aconteceu com os meus próprios olhos diante da tela. Como você mesmo falou, todos nós torcemos para que Basilone sobreviva e se consagre ainda mais, porém aquilo lá é a “vida real” e morte (como costuma-se dizer) nivela a todos. Covardes, corajosos, maus soldados, Heróis.
    Provavelmente (se tal obra fosse meramente ficcional) ele teria sobrevivido com louvor, afinal, como bem foi mencionado, ele aparentava realmente ser superior a grande média dos soldados. Mas enfim, o mito desaba ao mesmo tempo em que se consagra ainda mais. Como prova de que numa guerra não basta apena capacidade técnica e autoconfiança para sobreviver. Elas contribuem sobremaneira, mas numa situação tão caótica onde todos flertam com a morte a cada segundo, ter um pouco de sorte é algo extremamente fundamental e talvez ele tenha gastado todo o seu estoque na batalha de Guadalcanal, vai se saber…
    Sendo assim, após retornar pra casa e até se casar, praticamente pedir para voltar ao teatro de operações, talvez, não tenha sido uma decisão muito sábia. Uma decisão corajosa, sem dúvidas, mas ele próprio selou o seu destino. E como não poderia deixar de ser, John Basilone, fez a escolha mais previsível diante da grandeza do personagem (falo aqui na vida real, mesmo) que criaram para ele. Entre ser herói ou mártir, ele optou, com honras, por ficar com a segunda opção.

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