
Dic Pics e baseados gigantes.
Spoilers Abaixo:
Viagem alucinógena. Para mim, não existe nenhuma expressão que descreva melhor a 3ª temporada de Blue Mountain State, embora eu pudesse repeti-la para definir a série como um todo. Cretina, calhorda, retardada, sem noção e boçal também poderiam entrar na lista, porque afinal de contas, esse é o objetivo de BMS (só para os íntimos), fazer humor idiota, em episódios cheios de exageros e maluquices.
Pode parecer um defeito, mas em BMS tudo isso é sinônimo de qualidade. Tanto que, depois de três anos, descobri que existem mais fãs da série do que eu jamais imaginei. Muita gente pedindo para que alguém comentasse os episódios e praticamente saindo do armário, batendo no peito e dizendo “Eu também assisto Blue Mountain State. Go Goats”.
A série foi obviamente criada para divertir com seus absurdos e não poderia ter começado esse ano de maneira melhor, apresentando um roteiro tão canalha que era todo baseado em como tirar belas fotos de pinto (e por pinto eu quero dizer órgão sexual masculino). Lembro de assistir a cada cena com aquele riso meio perplexo, pensando na ousadia que é uma série de TV assumir que pode sobreviver no ar com uma trama desse tipo.
Aqueles que, por acaso, nunca viram nenhum episódio e estão lendo esse texto, devem pensar que BMS é uma série completamente debilóide. É mesmo e esse é o grande trunfo da série, porque ser debilóide exige um talento fora do normal. Falando nessa linda e sonora palavra, penso automaticamente em Thad.
Alan Richtson é fenomenal. Nunca, na minha vida, eu vi alguém ser exagerado de uma forma tão boa. Thad é, provavelmente, o personagem favorito de 99% dos fãs de BMS e não é à toa. Cada cena dele é ridiculamente boa, porque ele transita entre o machão violento ao monstro de músculos bobalhão em poucos segundos. Por isso acho que um dos meus episódios favoritos da temporada é ‘Fun Facts’. Impagável e constrangedor, de um jeito bom. Sem esquecer de ‘Death Penalty’, com o casamento gay do século.
Nessa 3ª temporada ele se destacou ainda mais. Não consigo lembrar se as duas anteriores tinham um arco central definido (além das drogas, bebidas e mulheres seminuas), mas esse ano de Blue Mountain State teve uma melhora impressionante nesse quesito. Cada episódio ainda funciona de forma independente, mas o conjunto da obra e a proposta do roteiro são muito bons.
Pode parecer até estranho, mas BMS teve roteiro amarradinho. Começamos com a possibilidade de Thad se tornar profissional, vimos as manobras para mantê-lo no time (incluindo montanhas de cocaína e até a um filme pornográfico), a ascensão de Alex Moran, que finalmente começa a se importar com o time, o sucesso dos Goats e claro, a terrível investigação que derrubou nossos heróis e os colocou naquela depressão capaz de tirar o sabor da cerveja.
Outra coisa notável é o desenvolvimento dos personagens. Além de Thad, Moran e Sammy, foi bom ver coadjuvantes ganhando espaço. Harmon é um exemplo perfeito. O cara está na série desde a primeira temporada, mas nessa, ele pôde mostrar toda a história por trás desse maluco viciado em drogas pelos primos. O episódio em que ele acha que está sendo seduzido pelo treinador é maravilhoso.
Até mesmo o coach Daniels cresceu na trama, com sua picuinha com Gilday. Da mesma forma, Debra foi mais do que a mulher maluca e capaz de tudo para seduzir, abusando, até mesmo do uso de cristais na dita cuja.
Apesar de eu ser capaz de encontrar coisas boas sobre cada episódio, devo dizer que a Season Finale dupla, ‘Corn Field’ foi realmente especial. Não economizaram no clima de deboche a Friday Night Lights, com trilha sonora parecida e muitos takes aéreos absolutamente idênticos aos de FNL. Fiquei até esperando coach Daniels soltar um “Clear eyes. Full hearts. Can’t loose.”, mas a coisa ficou por aí.
Lembrei muito do episódio de FNL em que os jogadores constroem um campo sozinhos e jogam no meio de uma chuva sem fim e de um lamaçal lazarento. Em BMS, essa pegada poética ficou por conta do campo construído onde antes crescia feliz uma plantação de maconha. Maconha, aliás, que Thad queria queimar para deixar Deus chapadão em agradecimento pela oportunidade de vencer seus principais oponentes no campeonato.
Meu único “problema” com essa Finale foi o clima de encerramento definitivo. Fiquei com a sensação de que Blue Mountain State não terá outra temporada de loucuras, até porque, ainda não há notícias sobre uma possível renovação. Fico na torcida. Quem não tem o maior baseado do mundo precisa contar com BMS para mais uma viagem alucinógena.