
Conheço você de algum lugar…
Spoilers Abaixo:
O episódio dessa semana de Community é um caso atípico: daqui a alguns anos, alguns irão ver esse especial de Halloween isoladamente e poderão ter uma visão bem melhor do que os fãs que viram o episódio essa semana. Isso porque embora tenha sido engraçado e tenha trabalhado com elementos que a série conhece e quase nunca erra, adotou uma estrutura muito similar à do episódio anterior (um dos melhores de toda a série) e por isso aquela sensação de ser surpreendido pelos roteiristas não veio.
Se em “Remedial Chaos Theory” a ideia era dividir o episódio em uma pizza de sete pedaços que representavam sete realidades alternativas diferentes, aqui temos sete histórias de Halloween contadas por cada membro do grupo, em uma tentativa de Britta descobrir qual dos seus amigos tinha sintomas de desvio de comportamento (Gillian Jacobs em mais um bom momento). Se a estrutura proposta trouxe mais uma vez as características distintas dos personagens interferindo na visão individual do grupo, a boa notícia é que “Horror Fiction in Seven Spooky Steps” tem a seu favor o fato de os personagens realmente saberem o que acontece nas sete versões da história, e não apenas o telespectador. E se o fim do episódio anterior trouxe um momento genuíno de felicidade após as sete realidades paralelas mostradas, não deixa de ser revelador que quando os personagens vêem o que seus colegas pensam sobre si próprios a primeira reação seja de histeria completa – e é uma pena que mais uma vez coube a Jeff resolver a situação de emergência, em um episódio com uma composição tão criticada, trazer o elemento mais desgastado da série (o sermão do personagem) é um prato cheio para os haters.
Mas individualmente o episódio conta pontos pelas sete histórias serem bem arquitetadas e ter momentos de pura comédia. Embora a primeira história de Britta seja ótima pela simplicidade descarada e as situações clichê, assim como as histórias de Annie e Troy por serem completamente absurdas (Troy e Abed de maloqueiros trocando as partes do corpo do “velho racista” foi ótimo), a história de Shirley na minha opinião foi a melhor por reunir mais elementos da série como o reitor vestido de diabo (e com uma serra elétrica que grita GAY MARRIAGE) e sendo expulso pela sua versão angelical (e boa cristã como é, não poderia deixar de largar os amigos na mão do coisa-ruim esquecendo o dom do perdão), sem mencionar o pote de maconha nem um pouco suspeito de Britta.
E como não poderia deixar de ser, os roteiristas não deixaram de aprofundar o fato de que, sim, um louco estaria à solta dentro do grupo de estudos, e mesmo que Britta “brittaing” tenha sido um tanto quanto óbvio, colocar Abed como o único são da turma foge um pouco do indício dado pelo episódio anterior – eu acreditei que o nome no centro da mesa seria de Troy pela sequência de infortúnios que aconteceram sem a sua presença em “Remedial Chaos Theory”. Especulações de lado, Community conseguiu mais uma vez divertir com suas situações mesmo que o episódio não tenha alcançado a qualidade esperada, e continua com uma temporada muito sólida.