
Oh God!
Spoilers Abaixo:
Chega ao fim a temporada mais criticada de Dexter. Concordo que houve falhas e previsibilidades, mas particularmente consigo enxergar méritos e bons elementos que podem ser explorados até o final da série.
Quem acompanha as reviews por aqui já sabe que eu estava apostando nesse cliffhanger. As pistas estavam lá semana após semana, principalmente nos diálogos entre Deb e a psiquiatra, e gosto de pensar que o leque nunca esteve tão aberto para narrativas interessantes. Será que Deb vai entender que a escuridão de Dexter é incontrolável, mas que graças ao seu pai ele canaliza sua “necessidade” de matar em prol de um equilíbrio? Será que o nível de aceitação de Deb pelo Dark Passenger de Dexter vai ser tão completo que ela vai ajudar a encobrir futuras mortes? Ou será que ela vai tentar salvar a alma de seu irmão? As possibilidades são imensas, e com duas temporadas já garantidas, tudo caminha para uma conclusão na 8ª temporada.
Foi interessante acompanhar as reflexões de Dexter no início do episódio enquanto ele estava à deriva em alto mar e pronto para morrer. Nos seus últimos momentos tudo que ele conseguia pensar era no pequeno Harrison, e ali, dependendo de um milagre para sobreviver (notaram o nome do barco que salva Dexter?) suas prioridades mudaram completamente. O Dexter que conhecemos chegaria às margens da praia de Miami pronto para caçar Travis, mas tudo que Dex quer, é ver seu filho.
As analogias feitas com Harrison nesse episódio podem ser pistas sobre o desenvolvido do garoto. Tudo está caminhando para ele se tornar um leão, um predador, como seu pai. O catalisador para o Dark Passenger de Harrison pode muito bem ser o mesmo do seu pai: ser banhado no sangue da própria mãe. Esse foi o grande trauma que fez nascer em Dex a necessidade de ser um predador. Por outro lado, Harrison pode se tornar um inocente cordeiro, imune a todos esses traumas e criado por uma família carinhosa que supre todas suas necessidades emocionais. O fato de Deb descobrir que Dex é um assassino, afeta muito mais que apenas o relacionamento dos dois. O futuro de Harrison está igualmente em cheque e isso também pode ser fator decisivo para Deb deixar tudo passar batido. Sem falar é claro no seu amor inapropriado pelo irmão (Não importar que eles não são irmãos de sangue. O relacionamento deles sempre foi de irmãos).
Gostei da tensão criada na sequência do eclipse e no jogo de gato e rato entre Dexter e Travis. Mesmo sendo óbvio que Harrison não iria morrer e que Dexter estava fingindo quando injetou o tranquilizante no próprio pescoço, o circo criado nesses momentos finais serviu na verdade para o crescimento de Deb como Tenente, que mais uma vez provou que seus instintos são bons e fez até mesmo LaGuerta morder sua língua com qualquer dúvida sobre a capacidade de Deb nesse cargo. Mais uma vez volto a mencionar que essa foi a temporada de Deb e que o personagem foi o que mais cresceu e evoluiu esse ano. Está certo que o amor por Dexter não foi orgânico e sim muito forçado, mas acredito que esses sentimentos serão importantes para ela lidar com o que viu na cena final do episódio.
Aliás, o que Deb viu? Ela viu seu irmão matando alguém aleatoriamente ou viu um serial killer? Não tenho dúvidas que ela sabe que Travis não foi um caso isolado, pois ela presenciou o ritual de Dexter e apenas um serial killer possui rituais na hora de mandar suas vítimas para o outro mundo. Os produtores da série já afirmaram que a 7ª temporada retoma a história no mesmo momento do assassinato de Travis ou apenas alguns minutos depois, ou seja, vamos acompanhar todo o confronto e choque dos irmãos sem aquele salto temporal que pula o conflito.
O que o stag do Masuka quer é porque ele mandou a mão do Ice Truck Killer para Dexter são perguntas que eu gostaria de ter recebido nesse episódio. Agora vou ficar com a impressão de que tudo foi aleatório e só quando os roteiristas voltarem a trabalhar e desenvolver o plot da 7ª temporada que eles vão decidir o que fazer com o personagem. Outra coisa completamente inútil foi a possível transferência de Quinn. Aquilo nasceu e morreu em 10min. O personagem já está confirmado para a próxima temporada e espero que tanto Quinn como Angel tenham mais relevância nas histórias do ano que vem.
O desafio para as próximas duas temporadas é enorme. Mesmo com muitas possiblidades a serem exploradas, ficou claro que será muito difícil um big bad que supere o fantástico John Lithgow e seu Trinity Killer. Mesmo gostando do trabalho de Colin Hanks nessa temporada e de Jonny Lee Miller na temporada passada, a série virou vítima de sua própria qualidade com a conclusão da 4ª temporada. A partir de agora Dexter precisa se reinventar como série e tentar fugir da fórmula, coisa que já começou nesse season finale. Mesmo com os tropeços dessa temporada, ainda acredito que estamos diante de uma das melhores séries da televisão e que o terreno foi montado para uma conclusão épica para a saga de Dexter Morgan.
Nos vemos novamente por meados de Setembro/Outubro. Até lá.