
Se um dia o Moffat resolver que cansou de ser o roteirista-chefe de Doctor Who – e espero que esse dia demore muito, muito tempo – eu indico o Neil Gaiman para o cargo. Acho que ninguém vai se opor, a não ser, talvez, o próprio Gaiman…
Spoilers Abaixo:
Para mim, The Doctor’s Wife era O episódio da 6ª temporada, as minhas expectativas eram surreais e de alguma forma (desconfio de alguma interferência sobrenatural) o Sr. Gaiman conseguiu alcançá-las e até superá-las em alguns pontos. O episódio foi perfeito. Cheio dos momentos Doctor Who que fizeram muita falta no episódio anterior e recheado de diálogos absolutamente sensacionais, The Doctor’s Wife contou uma história simples, genial e insana, como Doctor Who deve ser. Mas a melhor parte foi o pequeno grande detalhe que Neil Gaiman acrescentou à mitologia da série.
Vou ser exagerada e dizer que a ideia de que a TARDIS roubou o Doutor é uma das melhores em Doctor Who, junto com a regeneração, a nave maior por dentro que por fora e os Daleks. Eu literalmente me apaixonei por ela no instante em que a Idris/TARDIS/Sexy falou. É perfeito. A TARDIS ser essa entidade que queria conhecer o espaço-tempo e que para isso roubou o único Senhor do Tempo louco o bastante para levá-la é simplesmente perfeito. Fora que a ideia de que é a TARDIS quem está no comando (a maior parte do tempo), explica muita coisa – acho que muitos até já tinham cogitado essa possibilidade. Enfim, é uma contribuição genial, perfeita e lindíssima para a mitologia de Doctor Who e tenho a impressão de que deve ter sido muito cool para o Gaiman como fã de DW poder fazer algo assim.
A alma do episódio é o Doutor poder falar com a sua TARDIS e The Doctor’s Wife faz isso ridiculamente bem. Suranne Jones e Matt Smith pegam o excelente roteiro do Gaiman e transformam cada dialogo entre seus personagens em momentos absolutamente incríveis (estou ficando sem ideias para elogios, help anyone?). Eu adoro a cena em que eles discutem sobre o modo correto de abrir a porta e toda a história de o Doutor chamá-la de Sexy é sensacional. Outra coisa muito legal foi a TARDIS não ver o tempo de forma linear e a forma como ela precisou aprender a existir na forma humana ao longo do episódio.
Sem dúvida o melhor do episódio e o que faz dele tão especial, é a forma como ele retrata o relacionamento entre o Doutor e a TARDIS – acho que isso é até bem óbvio – mas o mais legal, para mim, é que ao mesmo tempo em que a trama se alimenta de pequenos detalhes entre o maluco e a sua caixa de episódios passados, ela traz algo novo para os personagens e marca para sempre a relação entre os dois. Como a Amy disse, sempre foi o Doutor e a TARDIS – o próprio nome do episódio brinca com isso –, mas esse foi o dia em que eles se falaram. Sério, eu amei demais essa trama toda.
O restante da trama foi muito legal também. O vilão que nem sequer mostrou o rosto foi infinitamente superior a sereia do episódio anterior e confesso que se não soubesse que era a voz do Michael Sheen eu jamais iria desconfiar. Gostei muito do planeta ferro velho de TARDISes fora do universo – a explicação do Doutor para tal absurdo foi perfeita como de costume – e da entidade maligna que atrai Senhores do Tempo para se alimentar das suas TARDISes (acabo de aprender que existe o plural). Foi bem legal também, acompanhar Amy e Rory – Oh my God they killed Rory! Again! – correndo pelos infinitos corredores do TARDIS, mas eu confesso que fiquei na vontade de vê-los em alguma sala – biblioteca, piscina, guarda-roupa… Qualquer uma.
O que dizer de um episódio que foi divertido, assustador e emocionante? Acho que já usei “perfeito” incontáveis vezes neste review, mas realmente, The Doctor’s Wife foi tudo o que se espera de um episódio de Doctor Who. Foi um tributo, ou se vocês me permitirem ser um pouco corny, uma declaração de amor de Neil Gaiman para Doctor Who. Foi lindo e, mais uma vez, foi perfeito. Tenho muita pena do episódio de semana que vem. Muita pena mesmo.
PS. Eu super recomendo o Confidential desta semana e só vou dar um motivo para vocês se convencerem de que precisam vê-lo: ele tem Neil Gaiman na TARDIS lendo o roteiro do episódio.