
Em seis de Outubro, o planeta apagou por dois minutos e dezessete segundos. O mundo inteiro viu o futuro.
No dia 27 de Maio, o mundo inteiro (ou pelo menos aqueles que agüentaram chegar até aqui) assistiu ao Series Finale de FlashForward, a série que, para o bem ou para o mal, marcou a TV Americana no último ano.
Spoilers Abaixo:
Se você chegou até aqui, já está cansado de saber a trajetória seguida por FlashForward desde a sua estréia até o seu fim. O que diferencia esses dois marcos é a opinião do público acerca da série. Estreou com toda pompa por parte da ABC, com ares de superprodução, um ótimo elenco, David Goyer como produtor e a infeliz “fama” de sucessora de Lost. Hoje, a série chega ao fim cancelada, completamente sem fôlego, com uma audiência sofrível e a sensação de que poderia ter nos mostrado muito mais.
Durante esse caminho seguido por FlashForward muitas pessoas foram abandonando a serie, e eu não as culpo. Eu mesmo pensei em desistir dela por várias e várias semanas. E se não o fiz, foi unicamente porque assumi o compromisso de fazer as reviews dela aqui no Série Maníacos e não costumo abandonar meus compromissos. Mesmo continuando a assisti-la, aos trancos e barrancos, pude sentir a irregularidade da série, que mais parecia uma montanha russa, que melhorava, piorava, melhorava de novo e voltava a piorar. Eu fiquei cansado dessa sua inconstância e posso imaginar como o público americano se sentia nesse ritmo. MAS, depois dessa Temporada que parecia não ter salvação em vários momentos, o balanço final é super positivo.
Depois do grande hiatus que teve, FlashForward retornou com uma considerável melhora no roteiro e, mesmo com alguns tropeços, chegou ao seu Series Finale com certo crédito e mais uma vez surpreendeu, fechando seu ciclo com um episódio realmente bom que, pela primeira vez, me fez querer com que a série não tivesse sido cancelada.
Quem leu minha última review já vai perceber, logo de cara, que eu estava completamente errado em quase tudo o que eu disse. Afirmei ser praticamente impossível que todos fizessem aquilo que se viram fazendo em seus flashes pelo pouco tempo que restava até às 22 horas. Mas chegamos a esse momento e lá estava Mark no escritório, Bryce com Keiko no restaurante, Olivia com Lloyd em sua casa, Janis no hospital, etc. Em suma, tudo se cumpriu como as pessoas viram em seus flashes… Bem, tudo não né Janis? Espero que ela não tenha começado a fazer o enxoval rosa para o seu filhinho… Mas, prosseguindo…
Para concretizar os flashs de cada personagem, o episódio seguiu por vários caminhos, alguns muito bons, outros bem forçados. Dentre esses que não foram tão bons, posso destacar Tracy, a filha do Aaron, ressuscitando. Sorte a nossa que foi uma coisa bem boba e não durou nem 2 minutos, e vá lá, o Aaron até merecia ter uma felicidade da vida. Forçado também foi o amor eterno de Bryce e Keiko, que nem se conheciam. E eu pensava que a Olivia era volátil…
Falando na Olivia, por mais que eu odeie esse romance dela com Lloyd, suas cenas nessa Series Finale estão na parte boa do episódio. Afinal, foi uma boa surpresa ver que quem escreveu a fórmula no espelho foi o Dylan, e não o Lloyd.Falando em boas surpresas, não podemos esquecer a quase morte da Nicole. Engraçado como eu me apeguei à personagem em tão pouco tempo (Tá bom, a beleza da Peyton List ajudou). Seu relacionamento com Bryce não deu certo, mas ela teve um recomeço ao ser salva de uma morte certa por afogamento. E quero destacar também a inteligência dos roteiristas ao colocarem o Simon junto com o Demetri. A não-morte do Agente Noh deixou um furo na história, já que qualquer pessoa que estivesse com ele teria que tê-lo visto em seu flash. Ao colocarem-no com uma pessoa que não teve um flash no Blackout, impediram que ocorresse um erro gritante.
Se cada um dos personagens estava vendo seu flash se concretizar, não poderia ser diferente para o Mark. E lá nos encontrávamos, praticamente no ponto de partida da série. O momento em que invadem o FBI atrás do que quer que seja que o Mark havia descoberto. Claro que as coisas não aconteceram bem assim… Para começar o prédio do FBI estava interditado por uma séria ameaça de que havia bombas nele, o que obriga o próprio Mark a invadir o prédio, pois sabia que deveria estar lá às 22 horas.
Graças à Gabriel, que mexeu no painel do Mosaico, Mark chega à resposta que ele procurava desde que se encontrou com Dyson Frost: quando ia acontecer o outro Blackout. Pena que a resposta não era bem o que ele queria, já que dificilmente conseguiria impedi-lo em poucos minutos, restando-lhe apenas pedir que o governo fosse avisado, e ter sua última conversa com a família.
E eis que novamente o mundo apaga, e todos conseguem ver um trecho do futuro, em uma data indeterminada de 2015. E assim acaba FlashForward. Com um cliffhanger que pode ter irritado alguns, com a possível morte de Mark, e com a possibilidade de que ele ainda esteja vivo em 2015, pelo que foi visto por Charlie em seu FlashForward…
Para mim, entretanto, o balanço foi super positivo. Foi até meio poético que a série tenha começado com um Blackout e terminado com um. Não me interesso pelas questões não respondidas desse final, mas sim com o ciclo que a série fez. Um ciclo cansativo, sonolento e, por vezes, massacrante. Mesmo assim, um ciclo que no final encontrou o seu caminho e terminou com chave de ouro. Para quê ficar reclamando do final em aberto do Mark se tivemos finais fechados e redondinhos para Bryce, Nicole e Aaron? E para quê respostas se elas provavelmente não seriam boas?
Fico feliz com o fim de FlashForward simplesmente porque eu pude ver uma série que, mesmo por um caminho tortuoso, me fez gostar gradativamente de seus personagens, e me permitiu me envolver com eles a ponto de querer ver mais de suas histórias.
Para o bem ou para o mal, FlashForward chega ao seu fim. E com isso traz muitas lições para a ABC, para o público e para a TV Americana como um todo. E por mais que eu não vá sentir saudades de seus altos e baixos, seus péssimos roteiros e o seu desenvolvimento irregular, não posso dizer o mesmo sobre Janis, Nicole, Aaron, Olivia, Mark, Lloyd e Simon, personagens que, por incrível que pareça, me conquistaram, e farão grande falta.
E você, caro leitor, me responda:
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