
Tudo o que você tem de fazer é seguir pela estrada de tijolos amarelos.
Spoilers Abaixo:
Bem vindos ao lado C! Sinto que eu deveria ter dito isso há cinco episódios, mas nunca é tarde para receber bem as visitas, não é mesmo? Ainda estou atônita com o que o episódio dessa semana confirmou e nem é tanto pela coisa em si, mas porque estava tudo ali, desde o começo.
Fringe chutou bundas. Episódio complexo, mas ao mesmo tempo simples (não me perguntem como isso é possível, são paradoxos de Fringe). Emocionante, interessante, revelador. Fiquei tão empolgada enquanto assistia que, ao chegar ao final tão rápido, pensei que estava num lapso temporal também. Eu sabia que Peter tinha alguma relação com o caso da semana e continuo acreditando que são esses lapsos que guardam a solução da temporada ou até da série como um todo.
Eu sou uma voraz torcedora pela 5ª temporada da série, mas depois desse episódio sinto que engrenamos num caminho certo para o fechamento da trama. Não é que deseje isso, mas eu quero que Fringe tenha um final descente e que faça sentido e agora eu consigo enxergar um pouco mais as intenções dos roteiristas.
Ano passado falamos tanto em 3º universo e eram tantas viagens alucinógenas sobre cores e easter eggs, quesó poderíamos ter cogitado o que vimos até aqui como o Lado C. Peter desapareceu na união dos lados A e B e acabou indo parar em um universo vizinho, porque afinal, não existem apenas dois, existem infinitas possibilidades.
Tudo é ligeiramente diferente porque não é o Lado A mudado pela Máquina do Apocalipse, é o novo universo que nos prometeram esfregado na nossa cara, com força. A nova mitologia apresentada até aqui, com Nina Sharp adotando Olivia, desconhecimento sobre os Observadores e shapeshifters 2.0 é tão nova quanto aquela construída para o Lado B, quando começaram a nos apresentar tudo aquilo. A abertura laranja/amarela deu a dica desde a Season Premiere e essa confirmação deve acalmar os ânimos de quem estava com raiva de ver tudo mudando, numa espécie de recomeço.
Peter, que está realmente mudado e mais maduro, percebe isso com a maior serenidade. Coisa que só suas experiências prévias poderiam trazer. Ele sabe que não está diante de Olívia (a original) e que sua interação agora é com Colívia (péssimo nome, mas é o que tem para hoje). Ele já se enganou uma vez e isso não vai acontecer novamente. Walter não realmente Walter. É outra espécie de Walternativo, com outros traumas e outros dramas.
“O problema é você”. Olivia diz no sonho em que eles vivem um dia perfeito. E o “problema” é que Peter voltou, mas voltou para o destino errado. Ele é a peça que não se encaixa, porque as pessoas que fazem parte de sua história estão em outro paralelo. Só não sei se estão procurando por ele ou se existe a consciência de que Peter está faltando.
Sua missão, agora, é conseguir voltar para o universo a que pertence e não foi à toa que utilizei a referência ao ‘O Mágico de Oz’ na abertura desse texto. É exatamente isso o que Fringe está propondo. Peter é Dorothy tentando voltar para o Kansas, mas sua jornada deve começar como a dela, no centro da espiral dourada, representada aqui pela de Fibonacci.
Reparem bem em como toda a história desse episódio foi bem pensada e bem amarrada. Walter, ao propor sua teoria sobre os efeitos da câmara temporal, nos entregou o objetivo da temporada. Isso já seria o bastante para minha completa alegria, mas a trama envolvendo Raymond e Kate Green também me emocionou bastante.
Não foi uma surpresa ver aquele desfecho. Era óbvio e todo mundo já sabia que Kate faria aquilo para evitar que mais danos fossem causados pela câmara temporal, mas mesmo assim, me pegou de jeito. Lembrei de ‘White Tulip’ naquela hora, mesmo que apenas vagamente.
Fora isso, achei que toda a base cientifica do episódio foi solidamente construída. Cada detalhe estava relacionado a Peter, que pode até não ter causado os eventos catastróficos e acidentes diretamente (adorei a cena do rio no meio do túnel), mas o que aconteceu só foi possível porque sua chegada àquele universo alterou algo nas linhas temporais.
Para mim, que já estava gostando dos rumos até aqui, mesmo que eu não soubesse exatamente o destino das coisas, esse episódio é a prova cabal de que os Wyman e Pinkner têm completo domínio sobre a história que querem desenvolver e que vão levar seus objetivos calmamente, até o fim.
Para quem ainda não encontrou o danadinho do Observador e está à espera da dica amiga, aí vai: Ele caminha calmamente, em frente ao prédio incendiado.
Uma das curiosidades do episódio foi o artefato que determina se o evento ocorrido foi ou não causado pelo lado B (ou D, ou E, ou F…). O aparelho já havia aparecido antes por várias vezes, é tecnologia do lado B (o B de verdade) e agora é compartilhado entre os universos, como a sequência de imagens a seguir comprova.
O Glyph Code da semana é LIVING (que significa VIVO ou VIDA) e, apesar de eu ter visto muitas teorias malucas que teimam em juntar o STILL do episódio anterior para forma “Ainda Vivo”, relacionando tudo muito forçadamente a William Bell, tenho uma ideia diferente.
Como os códigos estão INVARIAVELMENTE relacionados com a temática do episódio em que aparecem, minha conexão serve para Peter, numa espécie de metáfora com a experiência do casal Green. Reparem nessa fala de Kate para Raymond: “This isn’t living, Raymond. Living is what’s beyond this room, beyond this house, out there in the world where you’re supposed to be”.
A tradução é: “Isso não é vida, Raymond. Vida é que está além dessa sala, além dessa casa, lá fora, no mundo onde você deveria estar”. Para mim, Peter acaba de descobrir que sua vida plena está em outro lugar, “lá fora”, que é para onde ele, afinal, deveria ir. Acredito que é para onde ele vai, a partir de agora.


