
Onde tudo acaba e quando tudo começa, ninguém realmente sabe.
Spoilers Abaixo:
Ainda estou catando meus miolos espalhados pela casa, porque meu cérebro explodiu de novo. Não acontecia há algum tempo, desde a Season Finale da 3ª temporada, para ser bem exata, mas cá estou, tão perdida e maravilhada quanto no dia em que Peter foi apagado da história.
Esse é, sem dúvida, o melhor episódio de Fringe desde “The Day We Died”. Pelo menos é o primeiro dessa safra a me deixar com ondas de arrepio e olhos extremamente arregalados, tamanha a ousadia do roteiro e das ideias apresentadas. A dica para aqueles que “não estão entendendo Fringe” é conferir duas obras de Isaac Asimov, sobre as quais já comentei aqui. Leiam ‘Fim da Eternidade’ e ‘Despertar dos Deuses’ e aí vai dar para ter uma ideia bem melhor do que a série propõe, já que Fringe é declaradamente inspirada por esses dois livros, mais especificamente.
Apesar dessa minha dica de leitura não ser exatamente novidade, eu nunca comentei a fundo o enredo tratado porque senão, Fringe pode até perder a graça, especialmente para quem gosta de ser sempre surpreendido. Não poderia deixar de citar o autor, no entanto, porque o conceito de ‘Observador’ é todo de Asimov, que os chama de ‘Eternos’. A explicação no livro (O Fim da Eternidade) é mais ou menos a mesma.
Os Observadores seriam seres humanos do (nosso) futuro, que desenvolveram tecnologia a tal ponto que foi possível viajar no tempo de forma não linear, sendo capazes de presenciar grandes momentos da História, assim como fica claro na cena em que Peter tem a chance de explorar o cérebro de September, testemunhando o Big Bang.
Não saber mais sobre os Observadores era algo que incomodava bastante quando a ideia de cancelamento aparecia (ainda aparece). Agora, por incrível que parece, incomoda ainda mais, porque imagino milhares de possibilidades para continuar a série só a partir desse ponto.
Walter e todos os seus projetos científicos são, provavelmente, a base de todo esse desenvolvimento no futuro e deve ser essa uma das razões de Peter ser tão importante. Tenho a impressão de que sem Walter, Peter e Olivia o mundo jamais chegaria aos Observadores, que como fica frisado, são um dos muitos futuros da humanidade. É tudo tão amplo e tão complexo que tenho até dificuldade em colocar todas as ideias, mas mesmo que alguma coisa me escape, prometo retomar o assunto em outras reviews.
Comecei falando dessa sequência dentro do cérebro de September porque ela foi o que mais me impressionou no episódio. Logo de cara me senti colocada numa espécie de homenagem a Doctor Who, já que o cenário “cerebral” é parecido (para não dizer idêntico) com a abertura da série britânica que trata justamente de viagens no tempo.
Depois, a carga emocional ali é muito grande, com muitas explicações, memórias e a revelação sobre Henry, o bebê que JAMAIS deveria ter existido. September, aliás, deixa isso tão claro que imaginei que Henry, caso continuasse a crescer, seria a causa de um grande desastre. O problema é que Peter foi capaz de voltar, em carne e osso, para o que pode ser o universo A ou C (ainda não dá para afirmar, não é mesmo?) e desconfio que ele deva entrar numa jornada em busca do filho, para, de alguma, trazê-lo de volta também.
Nessa hora a pergunta mais retumbante é: COMO? Basta prestar atenção a um diálogo simples do episódio, quando Peter observa o vídeo da câmera que estava no apartamento de Olívia. Walter cita a técnica do palimpsesto como se não tivesse a menor importância, quando ele está, em verdade, explicando esse momento de Fringe.
Palimpsesto consiste em, basicamente, pegar um papel ou pergaminho, apagar o texto original e reutilizar a folha, escrevendo novamente outra informação no lugar da antiga. Todos (exceto Peter) são palimpsestos humanos, por assim dizer, já que as informações originais (com Peter) foram apagadas e substituídas por outras (sem Peter). Porém, assim como no vídeo em que Peter recupera camadas que ficaram sobrepostas, pode ser possível recuperar também as memórias, como pode estar acontecendo com Olivia.
Por tudo isso, penso que não seria impossível restaurar a antiga timeline e trazer Henry de volta, até porque, temos ainda a Máquina do Apocalipse e o incrível poder do anfilicio que, se seguirem a ordem do livro (Despertar dos Deuses) de Asimov, são capazes de manipular leis da física e fazer o impossível se transformar em realidade. Lógico que ao fazê-lo, ambos universos ainda sofreriam terríveis consequências.

Outra coisa que não pode passar em branco é a referência ao Mr. X, o homem que matará Olivia. Fiquei na dúvida sobre September ser o real Mr. X ou, no caso, Peter. Como September morreu (e espero que tenha ido para o céu dos Observadores), a impressão é a de que ao entrar na mente dele, Peter se transformaria no homem destinado a matar Olivia.
O estranho é que September deveria saber disso, mas se torna disponível para que Peter possa vasculhar sua mente, o que leva a pensar que September está articulando algo muito maior e extremamente calculado para salvar os dois universos da destruição. Cada aparição dele, cada intervenção tem um motivo específico e eu espero que Fringe dure o suficiente para que conheçamos esse futuro tão promissor da série.
Digo isso porque nossos queridos e brilhantes roteiristas continuam sacaneando geral. Semana passada dava para afirmar que estávamos do Lado A, mas quem desconsideraria um lado C depois desse episódio? Os caras estão armando a maior confusão de ideias já vista na TV e é de propósito. Não querem que saibamos antes da hora onde estamos e o que está acontecendo e isso me faz respeitá-los e curtir a série ainda mais.
No entanto, vou ficar do lado A. Muitas coisas (o palimpsesto, para começar) me fazem pensar que estamos vendo apenas as memórias alteradas depois do sumiço de Peter, mas quem está do lado C pode acabar acertando. Não quero acreditar que Peter se enganou com Olivia naquela cena do carro.
Talvez seja bobo e romântico, mas considero que as constantes alfinetada de Walter e Lee, sobre Peter projetar suas memórias e Olivia captá-las por causa do cortexiphan podem muito bem ser as projeções de Walter e Lee afetando o julgamento de Peter. Para ele, o momento é instável e delicado e sem maiores informações fica difícil saber qual é a verdade e no que acreditar. Mais ou menos a nossa situação como espectadores.
Falando em Olivia, fiquei super feliz em vê-la tão manipuladora e poderosa. Desvendou rapidamente a identidade da Nina Fake e conseguiu fazer com que Peter fosse levado até onde ela estava. Nina, inclusive, pode ser a versão B da que conhecemos e nunca havia aparecido antes. Broyles meio que descarta a possibilidade de ela ser um shapeshifter 2.0, afirmando que a original deveria estar morta. Então, o que sobra é a Nina B.
Vale lembrar que um dos comparsas de David Robert Jones, Leeland, foi rastreado pelo FBI e descobriu-se que ele estava morto há três anos. Por isso, Nina Sharp B, se estivesse morta, poderia ter sido trazida à vida de novo por Jones, assim como pode ter acontecido com Leeland. Além do mais, Jones leva um tiro na garganta e não sucumbe (por causa da reorganização molecular), o que mostra que as possibilidades estão abertas.

A lembrança da caixa de luzes, que aprece lá na primeira temporada foi maravilhosa e muito bem arquitetada. Dessa vez, no entanto, Olivia mostrou que é capaz de fazer coisas que vão muito além de sua capacidade anterior, o que pode prejudicá-la imensamente, já que só por brincar de fusível humano teve uma convulsão. O interessante é notar que ela não pode agir sozinha. Precisou de Peter para que suas habilidades fossem ativadas, o que me leva a crer que o Glyph Code da semana está ligado a isso. UNITE significa UNIR ou UNIR-SE, o que deve estar relacionado a união entre Peter e Olivia e a incrível força que os dois têm quando estão juntos.
P.S* Episódio foi ótimo e ficamos loucos. Momento mais do que propício para um maldito hiatus quebrar nossa empolgação e o ritmo de crescimento da série. Fringe retorna só em 23 de março. UM MÊS. Ninguém merece.
P.S* Mostrar logo o Big Bang na memória do September foi muita petulância. Por isso eu amo Fringe cada vez mais.