
A empatia pelos fragilizados.
Spoilers Abaixo:
É comum, pelo menos para a maioria do público, se envolver com aqueles personagens que passam pelas maiores dificuldades. Surge um tipo de empatia, uma compaixão que se converte em uma torcida para que todos os obstáculos sejam superados e haja então a famosa volta por cima. Está aí descrito um dos enredos mais seguidos pela cartilha do entretenimento, o bom e velho clichê. Todos já têm a certeza de que o frágil vai dar a volta por cima. E é tão bom não ter essa certeza aqui, já que temos vários de nossos protagonistas em situações delicadas e nem todos devem dar a volta por cima.
Pode-se dizer que a personagem mais frágil na guerra pela coroa dos Sete Reinos é Danaerys Targaryen. Ela perdeu seu poderoso marido/guerreiro, além de ser abandonada por boa parte do seu grupo e, apesar do nascimento de seus dragões, se encontra fragilizada numa caminhada por uma terra árida e cruel. Jornada que teve seu fim agora, com a chegada do seu grupo à cidade de Qarth. Lá, apesar de uma relutância inicial, a cidade abriu seus portões para a Mãe dos Dragões, graças ao interesse despertado em um dos governantes do lugar. Parece que Dany vai começar sua volta por cima. Bem, pelo menos um banho ela deve tomar.
Outro fragilizado é Stannis Baratheon. O auto-proclamado rei não tem carisma, tem poucos seguidores e não tem o apoio de nenhuma das grandes casas dos Sete Reinos. Isolado em Dragonstone, Stannis sequer parecia ser uma ameaça a qualquer um dos outros reis. Mas eis que Melissandre acaba se tornando sua grande cartada. A cena final do episódio confirma que a sacerdotisa possui sim algo de sobrenatural, algo que anteriormente era apenas insinuado. Ao dar a luz a um ser de sombras, a mulher de vermelho pode ter dado uma dianteira a Stannis nesta corrida ao trono de ferro. E quem deve sofrer com esse novo elemento sobrenatural é o carismático Renly. O jovem Baratheon, que é o que possui a vantagem nesta disputa, deve levar um golpe certeiro do irmão e seu deus da luz.
Mas nem só os frágeis passaram pela tela, o poder de alguns foi bem definido. Primeiro tivemos a sessão de sadomasoquismo hardcore que o filho do incesto Joffrey fez com as duas pobres prostitutas que seu tio mandou para “acalmá-lo”. Junto com a tortura a Sansa, o jovem rei aumenta a lista de motivos para que ele seja odiado por todos. Inclusive por nós, claro! Já Tyrion mostra seu poder de outra forma. O jogo que fez com seu primo para tê-lo como informante dos afazeres da rainha foi sensacional. E a Cersei não deixa escapar ninguém da família, hein? Cuidado Tyrion, pode sobrar pra você.
Já Arya chega cada vez mais perto de ter sua identidade descoberta. Tywin Lannister fez sua entrada na segunda temporada e vai ser um belo antagonista para a lobinha. Fora que a cidade de Harrenhal foi mais um belo cenário ao qual fomos apresentados. O aspecto sombrio e o fato de ter sido atacada por dragões só aumentam seu misticismo. Com certeza, a ruína de algo que foi grande no passado e uma história que deve se repetir no futuro.
E esta balança de fragilizados e poderosos é extremamente volátil. As posições podem mudar ao menor estímulo e tenho certeza que os acontecimentos deste quarto episódio, assim como os que seguirão no próximo, serão o estopim de várias mudanças. A situação em Westeros cresce em tensão e essa bolha vai estourar em grande estilo.
Em Tempo de Matilha: Adorei a sequencia inicial do episódio onde Robb Stark manda seu lobo e seus homens derrubarem mais um acampamento Lannister. Entretanto, aquele flerte com a “enfermeira” foi um tanto caricato e dispensável.
Em Tempo de Tortura: E o rato comendo o estômago do pessoal de Harrenhal? Agonia mil. E vocês sabiam que essa técnica era usada no Brasil durante a ditadura? Mas só que o balde com o rato era colocado num lugar onde o sol não bate, se é que me captaram…
Em Tempo de Muralha: Alguém sentiu falta de Jon Snow?