
Um episódio para amar ou odiar. Sem meio termo.
Spoilers Abaixo:
Antes de eu começar a falar desse episódio-evento de Grey’s Anatomy, preciso confessar uma coisa: Eu estou com medo de escrever o que penso de verdade nesse texto. Pois é. Tenho a impressão de que a maioria das pessoas vai discordar de mim, me chamar de louca, insensível e o escambau, mas é isso aí. Não tenho o costume de mentir ou tentar minimizar os danos, então estou preparada para os xingamentos.
Provavelmente, a essa altura, vocês já notaram de que lado do muro eu estou. Porque existe um muro. De um lado estão as pessoas que amaram esse episódio musical, choraram, se emocionaram. Do outro, estão os que odiaram cada minuto de confusão musical com texto e interpretação forçada. Eu estou desse lado, mas entendo perfeitamente aqueles que residem entre os apreciadores.
Shonda Rhimes, sem dúvida, é uma mulher que sabe mexer com as emoções humanas, para o bem ou para o mal. Eu dou esse crédito a ela, já que é impossível ficar diante desse episódio sem se posicionar. Shonda sabe disso e usa em seu favor constantemente. Sou admiradora dos talentos dela. De verdade. Caso contrário não seria tão fiel a Grey’s Anatomy até hoje e incapaz de deixar a série de lado, mesmo nos piores momentos. No entanto, vez ou outra eu tenho um probleminha com as decisões criativas que ela toma, porque na verdade eu as julgo nada criativas. Lógico que estou falando mais uma vez do acidente de Callie na semana passada, que nos guiou até aqui.
Sim, eu sabia qual era a intenção. Sabia que o episódio seguinte seria o evento musical. Eu vi as promos, os sneak peaks, tudo. Eu estava perfeitamente consciente do que viria a seguir e me desculpem, ainda assim, eu não gostei. Entendo, mas não gostei.
Ao contrário do que podem pensar, eu também não sou contra episódios musicais. Eu sou fã de Glee, afinal de contas e gosto muito quando as séries se dão ao direito de ir além do convencional. O problema é que isso é sempre um risco. Pode funcionar e pode estragar tudo, como foi o caso para mim.
Quando o episódio começou, eu até me arrepiei com a música tema cantada à capela. Minhas esperanças se renovaram e eu até achei que a coisa ia fluir. Logo em seguida, me senti bombardeada. Era música misturada com fala, fala misturada com música… Resultado é que não conseguia prestar atenção em nenhuma das duas coisas direito e resolvi me prender às canções e ao emocional do episódio. Era tarde demais.
Fui rapidamente invadida por um forte sentimento de vergonha alheia e me peguei fazendo caretas durante as cantorias.Só sei que fiquei com a impressão de que cenas e canções não combinaram em momento algum. Minha vontade era invadir a tela e pedir para pararem tudo e voltarem ao ‘feijão com arroz’. Acredito que o drama de Callie teria funcionado melhor para mim sem as intervenções musicais, quem sabe.
Quero deixar claro que eu aprecio a potência vocal de Sara Ramirez. Ela canta bem e se não fosse ela, esse episódio jamais poderia ter sido feito (mesmo que eu ache que em termos de execução, tenha sido tudo muito infeliz). Só que a cena final, especialmente, foi de doer. Ela cantava e se tremelicava pelos corredores do Seattle Grace Mercy Death (grande sacada do Karev!), depois balançava a cama hospitalar me provocando mais e mais constrangimento. Eu estava constrangida por ela. Não pude evitar.
Outra cena que me deixou no mesmo estado foi aquela da reunião com os médicos, onde Kevin McKidd canta enquanto explica aos outros o que fazer. Lastimável. Contudo, o que eu gostaria de esquecer mesmo foi a música romântica com pegação inserida no meio. Não sou capaz de encontrar um adjetivo para aquilo.
A música durante o parto de emergência e a intervenção cardíaca de Cristina foi outra que não me agradou. Todos cantaram sem forçar a barra, é verdade, mesmo que o auto-tune tenha ajudado, em conjunto com que eu chamo de “Coral Abafação”. O bendito coral surgia para suprimir as vozes de Ellen Pompeo ou Jessica Capshaw, que não tem a menor, repito A MENOR, obrigação de saber cantar e infelizmente não puderam escapar dessa tremenda fria.
O engraçado é que no meio de tanta coisa que deveria ser tocante e me fazer chorar, só uma personagem conseguiu me atingir em cheio: Meredith Grey. Belíssima cena com Derek no elevador, falando sobre as ironias da vida, as crueldades do destino. Foi honesta e direto ao ponto.
Também não ignorei o drama de Sloan e Arizona, que viviam um momento delicado. Não há o que dizer da atuação deles. Aliás, a “figuração” foi toda muito boa. Cristina, Karev, a obstetra cujo nome nunca vou conseguir lembrar… Lexie era outra muito afinada cantando, que teve um destaque merecido. A situação dela é delicada, entre o namorado atual e o problema com o ex. Ela se desdobrou para não abandonar nenhum lado e no final, quando deixa o hospital com Avery, acho que tomou a decisão certa.
Como se pode ver, não encontrei apenas coisas negativas para falar, porque afinal, Grey’s Anatomy pode não ter me agradado hoje, mas amanhã ou depois, isso será inevitável. Sempre acontece, sem falta. Agora, o que eu quero saber é de que lado você está. Amou ou Odiou? Vale tudo, menos ficar em cima do muro.