
O melhor episódio de Halloween entre todas as comédias.
Spoilers Abaixo:
Happy Endings possui uma estrutura muito clara: colocar os seis amigos em três situações diferentes por episódio, em tramas que a princípio parecem remeter a reciclagens de sitcoms clássicas, mas que tentam se destacar pela anarquia e metalinguagem do roteiro. Não é a toa, portanto, que a série tenha conseguido se destacar tanto no Halloween, o terreno mais explorado por comédias, portanto com muitos clichês do gênero para serem trabalhados, e uma anarquia natural da festa.
As tramas são: Alex e Dave competindo para ver quem consegue a melhor fantasia no primeiro Haloween depois de eles se tornarem solteiros (em um pequeno erro de continuidade que parece ter se esquecido que houve um salto temporal entre o final da temporada anterior e o início desta), Max e Penny com as tensões de dividir a mesma fantasia e Brad e Jane indo aos subúrbios para tentarem viver a experiência de Halloween nos subúrbios.
Aliás, quando eu vi Penny e Max naquela fantasia, sabia que estava diante de um capítulo excelente. A união forçada pela fantasia dos dois consegue explorar o porquê da dupla funcionar tão bem: suas personalidades fortes e tão diferentes entre si, Max sempre procurando pela diversão constante e Penny na eterna busca pelas sua alma gêmea, além da ótima sincronia entre Adam Pally e Casey Wilson que faz com que os conflitos de ambos pareçam real e não uma mera conveniência de roteiro.
Interessante que pela primeira vez desde o início da temporada, o roteiro tem a coragem de colocar Alex e Dave, o elo mais fraco na temporada anterior, em uma mesma trama e sem nenhum outro personagem com a tarefa de ser o condutor de humor, o que se mostra uma surpresa agradável. Nas fantasias de Austin Powers e Marilyn Monroe competindo para ver quem faz mais sucesso, a dupla consegue explorar o que tem de melhor na relação do antigo casal: a sensação de que ambos quererem mostrar que estão conseguindo continuar a sua vida como solteiros.
Zachary Knighton se mostra o ator com a melhor evolução dentro da temporada, continuando com a característica de bom moço, mas inserindo uma personalidade mais excêntrica e que combina com a série. Percebam a forma como ele fala “No, Baby No”, ou sua decepção ao perceber que estão confundindo sua fantasia com Billy Joe, em vez de Elton John, em vez de Austin Powers. Pode estar longe de ser o melhor personagem da história, mas consegue em muito superar o Dave da temporada anterior. Enquanto isto, Elisha Cuthbert consegue se utilizar de muletas simples, como a introdução da voz rouca, para conseguir funcionar dentro das situações que é colocada.
Mas os que roubam a cena são Brad e Jane com a sua suburban experience. Por ser uma comédia de amizades, é natural que Happy Endings em algum momento foque em uma relação importante no gênero, a idealização dos subúrbios como local ideal para se criar um núcleo familiar. Motivo mais do que suficiente para Jane acreditar que deveriam se mudar para lá, o que gera um contraste pela personalidade do Brad de preferir ficar na cidade para se divertir.
Aliado a isto, temos a trama que remete às pseudo-histórias de terror tão contadas pelas comédias, girando em torno de ambos tentando conseguir doces para satisfazer os garotos no “Trick or Tread”, algo que começa com brincadeiras leve e caminha aos poucos ruma ao non-sense, como na cena que Jane caminha pela casa com um taco de baseball com medo de ser atacada… pelas crianças, enquanto Brad tenta recuperar a porta que perdeu. Tudo isto consegue fazer uma mudança interessante nos personagens: Jane rompe sua idealização do subúrbio e Brad percebe que lá pode ter uma aventura. Finalizando o episódio sem respostas do que poderá ocorrer nos próximos passos da dupla, o que é uma decisão acertada.
Com ótimas utilizações do baile de máscaras e das tramas de “terror” para desenvolver as relações dos personagens primorosamente, Happy Endings merece a coroa de abóbora o ano com o episódio que mais fez jus ao espírito o Halloween. Até mesmo o Jack Skellington ficou orgulhoso!
Outras considerações:
-A entrada triunfal de Alex com sua fantasia de Marilyn Monroe conseguiu explorar muito bem o que Elisha Cuthbert consegue de melhor oferecer à série.
-“Denial, the first step in not want to admit things”, Max é uma grande filósofo contemporâneo.
-As referências a Brett Butler foram muito boas, além de serem fáceis de ser digeridas pela explicação em cena.
-Max ganhou o prêmio de melhor Drag Queen? Fica para a próxima, Alex!
-Por último, mas não menos importante, espero que todos vocês tenham tido um ótimo Halloween! Mesmo não existindo oficialmente no Brasil, é um feriado incorporado no calendário de qualquer Série Maníaco que se preze.