
Um herói, uma agente da CIA, um terrorista, uma maluca. Qual é que é?
Spoilers Abaixo:
Homeland estreia oficialmente no dia 02 de outubro, mas a Showtime liberou no Youtube o episódio piloto completo apenas para IPs americanos. Visto a minha vontade de assistir essa série só aumentou desde que foi anunciado o elenco, não perdi tempo ao recorrer a minha lista de proxys que sempre uso em situações como essa. O resultado dessa empreitada você confere aqui.
Homeland é uma adaptação da série israelense “Hatufim/Prisoners of War” e é um drama com pitada de conspiração. A série que trás a história de um fuzileiro resgatado oito anos após ser dado como morto e levanta sérias suspeitas na agente da CIA, que até então investigava um grupo ligado aos ataques de 11/09 e que ela acredita estar planejando algo grande. Graças aos seus informantes no Iraque Carrie (Claire Danes) acredita que a informação que recebeu se tratava de um americano que estava ajudando os terroristas e não prisioneiro deles. Sendo conhecida por suas instabilidades e rompantes o seu chefe não leva muito a sério essa obsessão dela de encontrar tal grupo.
Deixando a parte descritiva e entrando no piloto. Como todo drama conspiratório, o episódio foi lento e dedicou-se a apresentar sua história, levantar perguntas e deixar o espectador se perguntando: será que ele é mesmo uma ferramenta dos terroristas? E o que nos leva a essas dúvidas são pequenos detalhes apresentados durante o episódio. Ao final já não tive tanta certeza se ele é mesmo “o herói resgatado, o sobrevivente”. Nick (Damian Lewis) mentiu duas vezes e sendo precipitada poderia dizer “ah ele é culpado”, mas toda cena precisa de um contexto e as duas apresentadas podem ser parte de algo totalmente diferente. Não acredito que um fuzileiro trairia sua pátria assim a troco de nada ou sem um motivo muito forte. Oito anos é muita coisa, e a cena dele sem camisa é tensa. Marcas profundas de tortura. Até o fuzileiro naval mais forte do mundo é capaz de ceder após anos de tortura. Principalmente se ao assunto ainda acrescenta família e filhos. Não sei. Por esse episódio ficou claro duas coisas: ele não parece totalmente uma pessoa que viveu oito anos num inferno. Há uma dualidade na interpretação de Lewis que deixou mais complicado de julgar. Uma pessoa cativa por anos se esquiva de fotos e se assusta com certas coisas, mas a reação diante das câmeras da TV não foi nem um pouco condizente com a descrição “preso e torturado por oito anos”.
É esse mistério e essa dualidade que a série propõe. Adicionados a isso, problemas mais simples, como a mulher de Scott, que depois de tanto tempo, mantém um relacionamento justo com o seu melhor amigo, Mike (Diego Klattenhoff). Os filhos que cresceram sem ele sendo que o mais novo nem o conhecia, pois era quase bebe. Carrie obsessiva em descobrir a verdade. Quando ele decide grampear toda a casa de Brody é que tive dimensão da certeza de culpa que ela tem. Nem ao menos cogita a hipótese de ser tudo uma impressão errada. O retorno para essa rotina e todos esses problemas pode fazer qualquer um quebrar. Mesmo um soldado treinado para se infiltrar e desenrolar um mega plano de ataque. Pior ainda será se ele não for culpado ou apenas parcialmente coagido a atacar seu próprio país. Na cena onde bate em seu amigo no cativeiro ficou claro que estava fazendo aquilo contra sua vontade. Mas até que ponto ele está agindo contra vontade?
Gostei do episódio, gostei da atuação de Claire e de Damian, e o tema muito me interessa. O que aconteceu com Carrie para ela se tornar essa pessoa instável? Se minha teoria estiver certa, ela vai acabar se envolvendo com Scott, e alguma chantagem ele está sofrendo para passar informações para a célula terrorista. Ele ser inocente é que não é, muito menos apenas culpa, terrorista e corrupto. O algo mais da série vai ser isso. E Carrie e Nick podem ser uma boa dupla. Até quando ela vai continuar a investigá-lo sem ninguém saber, sem ele saber é o ponto. Toda essa trama tem potencial e tudo depende de como os roteiristas vão dosar perguntas, respostas, ação e suspense. Os flashes a princípio devem ser as únicas pistas do que aconteceu nesses oito anos, e com aquele final, tudo aponta demais para o “culpado”. O que significa o dedilhar é capaz de saber só no episódio dois ou três, pior é saber que com a estreia oficial marcada para 03 de outubro, isso será para lá do meio de outubro. Haja controle de ansiedade.
Não sou muito fã de escrever reviews de episódios piloto. É complicado. No começo muitas opiniões diferem e você tenta analisar o máximo que pode sem ser chato. Eu gosto dos atores. Gosto do tema. Por isso e pelos motivos citados acima gostei do piloto. Desde que “Life” foi estupidamente e precocemente cancelada pela NBC que espero ver Damian Lewis de volta a TV. O elenco de apoio também é bom. Tirando Morena Baccarin que além de pé-frio não me apetece como atriz. E é só Mandy Patinkin não abandonar do nada a série como fez com outras. Vamos ver. Aguardo vocês a partir do dia 03 de outubro com as reviews de Homeland. Vamos ver se a Showtime acerta mais uma vez. Potencial a série tem.