
E aos 45 do segundo tempo, o episódio que parecia ser um dos mais fracos da temporada mostra como foi perfeitamente planejado, escancarando para os fãs: o season finale está chegando. E ele será marcante.
Spoilers Abaixo:
Não sei quanto à vocês, mas eu, particularmente, guardo uma expectativa absurda em relação a este season finale. Acontece que por um descuido acabei esquecendo que houve uma pequena confusão com a numeração dos releases nesta temporada (por causa do season premiere duplo Broken, lembram?). Com isso, minha expectativa da série acabar no episódio 22 teve que ser adiantada porque, seguindo a numeração usada aqui no blog/releases da internet, a série acabaria no 21. E isso é daqui a duas semanas. Pois é, só restam mais dois episódios nessa temporada. Anyway, passado o momento reflexivo, vamos ao episódio.
Até os mais fervorosos hão de concordar: até (pelo menos) a metade deste episódio, pouca coisa tinha acontecido. Era uma piadinha com o Taub aqui, uma sacada inteligente de House ali, e só. Nada que saltasse aos olhos de fãs como nós, que esperam sempre algo grandioso de uma série desse porte. O ponto mais curioso talvez tenha sido a aparição, agora um pouco mais explícita, do enfermeiro que protagonizará o spin-off da série a partir do fim do mês. Sim, é aquele branquinho esquisitinho mesmo. Fazer o quê.
O caso da semana envolvia um ex-gay (?) e os problemas que isso acarretam em sua nova vida heterossexual. Desta vez, diferentemente de semana passada onde tivemos problemas com casamentos pra todo lado, não foi assim tão explorada a situação ‘sexual’ do paciente. Até porque, convenhamos, tal storyline já deu o que tinha que dar com toda aquela questão da 13 ser bi e tudo mais. Já que citamos a moça, algo que merece menção é que estamos vendo já a algum tempo uma curva ascendente de qualidade da personagem dela. De uns episódios pra cá a Thirteen tem se portado como a verdadeira voz da equipe, seja como a pessoa que aconselha House a agir de maneira sensata ou aquela que fala o que pensa sem se importar com cerimônias. Justiça seja feita: a Thirteen conseguiu o espaço dela ali, e com méritos. Se por um lado me sinto cada vez mais enojado quando a história gira em torno do Taub, toda vez que a 13 aparece em cena os diálogos fluem bem melhor. Ponto pra ela.
Aqui abro um parênteses: a nós, fãs, implicitamente cabe sempre o dever de sermos analíticos. Se por um lado o caso da semana não mostrou tanta relevância assim para a história da equipe,, por outro lado também não foi tão original em sua resolução médica – lembram da paciente judia que precisava de um aperto no pulmão pra ficar boa? Foi igualzinho aqui. Esses dois pontos juntos indicam que o caso do episódio, nessa semana, pouca diferença fez. Visto isso, fica claro que a ‘chance’ oferecida no título do episódio nada tem a ver com a sexualidade do paciente. Ela é mesmo direcionada à House, e é nisso que nós devemos focar.
Com Wilson e Sam cada vez mais próximos, é natural que House fique sem seu velho amigo à disposição o tempo todo. Wilson trata, então, de fazer com que os pupilos de House o façam companhia, nem que precise pagar por isso. Resultado dessa armação? Uma sucessão de situações bizarras envolvendo House e os ambientes particulares de cada um dos seus subordinados.
Primeiro, Taub e esposa. Em uma conversa de 5 segundos, House descobre que Chris ainda trai Rachel e força a barra para que ele tome uma atitude: ou destrói de vez seu casamento ou arranja… um objeto de cerâmica pra esposa. Ahn? Desculpem a repetição, mas não me conformo em como a série ainda dá atenção a essa storyline. Pouquíssimo tempo nos resta na temporada, e considero essa situação conflituosa entre o casal mais do que explorada do que deveria. Se eles ainda vão ter problemas no casamento daqui pra frente, sinceramente, não me interessa. E acredito que falo por muitos fãs quando digo isso; a série tem outros personagens mais interessantes para focar.
Posteriormente, no bar lésbico com a Thirteen, ao contrário do que se poderia imaginar, nada de cenas de nudez ou qualquer insinuação do tipo. É, muita gente ficou triste.
Mas valeu a pena, como já citei acima, para novamente vermos como a médica cada vez mais se firma como uma personagem de importância na história. Arrisco dizer que ela terá um papel maior daqui pra frente, mas isso só o tempo vai dizer.

Por fim, a cena mais engraçada do dia: House e seus dois velhos pupilos cantando e dançando em um bar com karaokê. Pena que foi bem rapidinha, mas o que importa é que o passinho da bengala me fez rir um tempão… aliás, se alguém aí achar um gif com a cena, me passe por favor. Agradeço muito.
Mesmo com tudo isso, o episódio se encerrou com um clima mais tenso do que poderíamos imaginar em seu início. A volta de Sam à vida de Wilson fez com que House sobrasse na relação com o amigo, e isso serviu para o médico perceber que ele está sobrando não só nesse núcleo, mas na relação com [u]todas[/u] as pessoas à sua volta. Pra quem não se lembra, tudo isso começou com ele, ironia do destino, sobrando na relação que tinha com a Lydia. A soma de todas essas situações fez com que House não tenha a quem se conectar. Por mais que tente, algo sempre dá errado.
Sua vida cada vez está pior, sua perna voltou a doer, seus pupilos não lhe são suficientes como amigos. E, ao fim, a única pessoa que lhe restava já está conectada com outra. Cuddy, na cena derradeira, convida House a um simbólico jantar, lhe oferecendo que novamente sejam amigos. E é quando o médico de imediato responde:
Engraçado. É a última coisa que quero que sejamos.
Resposta essa que podemos interpretar de duas formas: Há a maneira explícita, considerando que House está abrindo seu coração e se declarando para Cuddy, em um momento de fraqueza e reflexão sobre seu futuro eternamente solitário. Ou outra maneira, esta talvez mais implícita – e depressiva – se considerarmos que House realmente não deseja nem mesmo a amizade de Cuddy, com receio de que a doutora um dia saia de sua vida e o traga tanto sofrimento quanto ele está tendo agora, com o afastamento de seu único amigo.