
Um episódio excepcional, talvez o melhor deste ano, que de quebra nos faz questionar um velho ditado: será que os fins realmente justificam os meios?
Spoilers Abaixo:
Parto do pressuposto que você que está lendo este texto já assistiu ao episódio em questão, mas como a imagem de abertura fica exposta para todo o site (o leitor abrindo o post ou não) poderia ser algum tipo de spoiler dar esse destaque ao Chase. Afinal de contas, por mais que o episódio seja ‘dele’, ele só aparece da metade pro fim, que é quando realmente descobrimos o que aconteceu naquele quarto.
A verdade é que Nobody’s fault, ainda mais vindo depois de um episódio ‘padrão’ como foi o anterior, ganha destaque e conquista o espectador logo em sua primeira cena. O caos do esfaqueamento de Chase seguido da atmosfera sombria que Jeffrey Wright dá ao seu personagem fazem com que o fã, que antes talvez estivesse deitado relaxadão no sofá, refaça sua postura e fale ‘eita, agora a p*rra ficou séria’.
Não há nada mais gratificante do que quando House dá atenção ao seu próprio protagonista. Não é à toa que Hugh Laurie já ganhou uma penca de prêmios: pudera, seu personagem ajuda e muito. Nesse sentido, a sequência de ações (tinta no shampoo, máscara de gás, ausência de cuidados) realmente soa absurda a alguém que observa de fora, como é o caso de Cofield. Pra mim e pra você talvez não, já estamos acostumado – pro Chase menos ainda. E é essa dinâmica do ‘o que diabos acontece aqui dentro’ que norteia esse episódio, tendo House que provar que seus métodos são, de fato, efetivos e justificam essa insanidade.
A cena onde os médicos se alternam em uma entrevista contínua com Cofield, sem um único corte perceptível, é bem emblemática ao mostrar que uma mesma situação pode ser vista por diversos ângulos, diversas perspectivas. O que não muda no discurso de nenhum deles é que o método de House “não está errado”. Todos os três pupilos entrevistados questionam, debatem, refutam algumas atitudes, mas eventualmente concordam que o modus operandi utilizado traz resultado efetivo. Esse é o tipo de confiança que não se compra… se conquista.
Chega a ser engraçado isso, mas – talvez seja viagem minha – notei uma certa metalinguagem nessa parte. Os professores de português que me perdoem se eu falar alguma bobagem aqui, mas até onde eu me lembro essa era a função que falava de uma coisa dentro da própria coisa. Dicionário explicando palavra, poesia falando de poesia… enfim, a ideia é essa. O que deu pra sacar nesse episódio, e aqui entra o meu devaneio, é que a própria série estava se justificando para nós, fãs questionadores. Cofield durante todo o interrogatório questionava a fórmula que House (personagem) usava para conseguir seus objetivos, mas o que eu consegui ver foi a cabeça do produtor explicando pra gente que House (série) também tem sua fórmula base que “geralmente dá certo, mas que às vezes coisas ruins também podem acontecer”… percebem o paralelo ou viajei nessa? Me digam vocês.
Ao fim, fiquei um pouco decepcionado com a decisão do avaliador em deixar tudo como está. Por mais que a intromissão salvadora da mulher do paciente faça com que seja compreensível essa escolha, o fã chato dentro de mim queria que House fosse, eventualmente, culpado por seus métodos. Não porque concorda com qualquer punição, mas porque quer mudanças na série. Qualquer respiro que possa trazer alguma mudança, algum alento, tá valendo.
Observações finais:
1) Parabéns pro diretor, pro cara que escolhe o cast… pra todo mundo da produção dessa vez. O episódio foi lindo, bem editado, com o brabo do Jeffrey Wright e ainda de quebra tivemos umas cenas bem bonitas essa semana. Tudo bem que um fã mais atento podia perceber que o Chase era o único que não estava ali dando entrevistas, mas como isso foi resolvido logo em seguida, não chega a ser algo negativo.
2) Wilson fez falta pra você? Pra mim também não. E eu sempre falo mal dele, mas justiça seja feita: gostei do Taub essa semana.
3) A pergunta que fica é: algo muda agora na forma de House interagir com seus pupilos? Pelo diálogo final fica aberta a possibilidade de que talvez, TALVEZ, TALVEZ se o House tivesse ido diretamente falar com o Chase sobre os atrasos, nada dessa bola de neve teria acontecido e não teríamos outro barbudo com problema na perna diagnosticando pelo hospital. Oh, eureka! Será que acabei de ver o final da série com um substituindo o outro? Hm… hahaha
O espaço para os comentários está aí embaixo. Espero a opinião de vocês.
Um abraço, obrigado pela atenção, e até a próxima!