
Em um mundo em que qualquer série pode ser cancelada a qualquer momento, sem motivo nenhum, fica difícil escolher um passatempo para que possamos nos apegar. Não sei exatamente qual a razão que me fez assistir o primeiro episódio, mas valeu a pena.
Com um roteiro simples e despretensioso sobre o famigerado ‘sonho americano’, How to Make it in America lentamente nos envolve e nos mantém vidrados na frente da telinha. O motivo (vocês devem estar se perguntado) é que qualquer um pode se identificar com a história de Ben Epstein e Cam Calderon, dois nova-iorquinos em busca de grana para realizar seus sonhos e, bom, ganhar mais dinheiro, claro.
Ben Epstein (Bryan Greenberg, One Tree Hill) é o típico bom moço, que tem o coração partido pela amiga e ex-namorada Rachel Chapman (Lake Bell). Embora ele ainda seja apaixonado por ela, quando conhece Julie, a garota que o ajudou em um momento crítico, vê sua chance de começar de novo. Enquanto Cam (Victor Rasuk) é um malandro, galinha e cara-de-pau, que dorme no sofá da avó e vive fazendo negócios sujos com o primo Rene (um Luis Guzmán em ótima forma), mas, apesar disso, é o comediante da série, e quem faz o negócio virar realidade.
Em sua busca, os dois rapazes acabam batendo o sistema e criando sua própria linha de roupas a Crisp. Porém, a jornada deles não será nada fácil, o que no início deveria ser uma marca de jeans, que são a especialidade de Ben, acaba se transformando em uma marca de camisas. Quando tudo parecia perdido, um empresário japonês faz uma encomenda de 300 das camisetas que Ben havia desenhado na época em que estava na faculdade, salvando assim, os garotos da falência.
Durante toda a temporada, que contou com apenas oito episódios, vemos Cam e Ben correndo e suando para conseguir fazer com que a Crisp se torne um negócio lucrativo, enquanto lidam com suas confusões amorosas. Tanto, que ficamos cheios de adrenalina, para saber o que acontecerá em seguida com os intrépidos mocinhos. Como exemplo disso, temos “Never Say Die”, episódio final da temporada, e provavelmente o mais bem executado de todos. Durante todo o tempo sentimos o clima pesado, o mistério pairando no ar, e solução nenhuma chegar, em um cavalo branco, para salvar os mocinhos da ruína. Contudo, ‘aos 45 minutos do segundo tempo’, vemos uma pequena luz no fim do túnel e (quase) tudo acaba bem. Acrescentei o ‘quase’ pois, os criadores deixaram algumas pontas soltas, o suficiente para deixar os telespectadores curiosos sobre o que acontecerá na segunda temporada, que já foi confirmada pela HBO.
A série ainda conta com outros ótimos elementos, (possíveis responsáveis pela renovação) como excelentes atores coadjuvantes, as estranhas e interessantes histórias paralelas e a música de abertura, “I Need A Dollar” de Aloe Blacc, que serve como um tipo de aviso do que estamos prestes a ver. Enquanto rola a música de abertura e podemos ouvir trechos como “Eu preciso de um dólar. Se eu dividir com você minha história, você divide o seu dólar comigo?”, vemos a Nova York em que Ben e Cam circulam, por um lado a parte badalada, com suas festas incríveis e pessoas ricas por todos os cantos, e por outro, a dos menos afortunados pegando o metrô e fazendo negócios no meio da rua.
How to Make it in America está longe de ser Lost, também não é nenhum Friends, e com certeza não te fará delirar de tão maravilhosa que é, mas ela não tem essa pretensão. E, talvez seja por essa humildade que ela acabe nos conquistando.
Veja o promo da série.
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