It’s Always Sunny In Philadelphia – 7×06/07 – The Storm of the Century/Chardee MacDennis: The Game of Games

Boo!

Spoilers Abaixo:

Depois de estabelecer um nível alto de episódios com os três primeiros dessa temporada, Sunny apresentava dificuldades em manter o que fez nos dois episódios seguintes, o que já nos faz acender uma luz amarela em relação a série. Entretanto, depois de uma fase fraca, veio “The Storm of the Century”.

Esse episódio é um daqueles de série de comédia que simplesmente não tem como dar errado, você olha para a sinopse e vê que nada ruim pode sair dali. E como esperava, o episódio dessa semana fez o seu papel de forma natural e aproveitou-se muito bem de sua premissa para gerar risadas.

O episódio coloca The Gang diante de um desastre natural, algo que nunca tinha sido explorado pela série antes (o que prova que sitcoms veteranas podem continuar com histórias criativas não importa a idade) e ao mesmo tempo em que o episódio gira em torno do caos causado por uma enorme tempestade ele consegue dividir os personagens dentro da história de uma maneira harmônica e simples, o que faz com que cada um deles possua a chance de brilhar ao longo do episódio, não dando espaço para que nenhum se sobressaia. Depois de um episódio totalmente focado em Frank, temos um em que pequenas características de todos os personagens são colocadas diante do holofote, graças à situação de caos que afeta cada um deles de maneira diferente. Embora todos os papéis sejam relativamente clichês, podemos ver que todos se conectam de uma maneira que fazem que a imagem geral seja uma anarquia hilária, com retornos sangrentos, ataques de pânico, ovos em conservas, machados e peitos em 3D.

Por ser o mais velho do grupo, Frank acaba com o papel de cabeça-dura que não crê em nada que a mídia fala sobre a tempestade. Esse papel e toda a desconfiança que ele possui fazem com que o roteiro tenha a oportunidade de trazer várias peculiaridades do personagem, como sua mania de sacar sua arma a qualquer momento e seu lado racista ao falar sobre como brancos e negros são vistos pela imprensa. A decisão criativa de juntar ele com Dee foi uma inteligente sacada do roteiro porque a figura dos dois em “The Storm of the Century” contrastam perfeitamente. Frank é um incrédulo e Dee fez a figura de lunática presente nesse tipo de situação.

Já que estamos falando de anarquia em Sunny, a pessoa que ficou responsável por ser a maluca foi Dee. O roteiro consegue convencer que ela seja a mais desesperada, com suas opiniões sobre o Y2K, os robôs dominando o mundo e sua obsessão em ficar no abrigo.

Rickety Cricket faz seu esperado retorno provando que o FX aumentou a verba da série e agora eles estão investindo o dinheiro com sangue. Ele é o personagem recorrente que mais gosto que apareça na série e seu retorno veio em uma situação apropriada para o personagem. Sendo o maior loser de Sunny, sua função foi… ser o loser do episódio! Já que o mundo estava acabando, Cricket era obrigado a aparecer e se dar mal. Além disso, ele acabou sendo a saída criativa mais sensata para que os personagens voltassem ao lugar comum e proporcionar a desordem que encerrou o episódio.

Dennis aproveita a confusão para atrair garotas ao bar. O roteiro recorre ao lado de maníaco sexual do personagem junto ao habitual comportamento estranho do Charlie para poder fazer as piadas na situação do supermercado. A dinâmica e o ar bizarro ao redor dos personagens foram utilizados para um conjunto de diálogos extremamente estranhos, onde se utilizou todo o analfabetismo de Charlie (sua insistência para assinar o contrato e sua confusão com a situação dos maias e dos mexicanos) e a obsessão de Dennis em conseguir a repórter (ou qualquer mulher bonita do supermercado). Fazia um bom tempo em que a série não investia tão pesado na figura do maior predador sexual da série e um contrato para obrigar mulheres a ir ao bar provavelmente não é tão estranho como “alugar um barco porque elas não teriam para onde correr”, mas continua bem creepy.

Se você tinha ficado desconfiado que Sunny tivesse perdido o jeito de nos fazer rir, “The Storm of the Century” veio para elucidar que essa ainda é uma das melhores comédias presente no mundo das séries.

Outras observações:

- O papel de Charlie nesse cenário de caos? Ser bizarro. Sua esquisitice é uma das melhores fontes de piadas da série e acabou sendo utilizada de forma bem sutil nesse episódio, que resolveu focar no Charlie idiota. Aliás, ele está muito “sutil” nessa temporada ou é só impressão minha?

- Mesmo sendo bastante sólido, o episódio acabou não favorecendo Mac. Mesmo ele não aparecendo durante grande parte, os pequenos momentos dele não estão lembrando “O” Mac. Sua obsessão com as TVs e sua aparição final apenas contribuíram para o crescimento do sentimento de que o aumento de peso do ator está sendo muito mal aproveitado.

7×07 – Chardee MacDennis: The Game of Games

É muito fácil para Sunny ser genial. Pegue todos os personagens, joguem eles dentro do bar e deixem eles serem esquisitos. Pronto, temos um episódio histórico!

Algo que se pode perceber sem pensar muito é que essa temporada de Sunny vinha esquecendo um pouco da premissa da série. A história é de 5 amigos que administram um bar e acabam fazendo muitas coisas estúpidas. Chardee MacDennis: The Game of Games foca na dinâmica desse grupo de pessoas que amamos. Eles gritam, xingam, competem e o episódio  proporciona um campo de batalha para fazer isso. O que fez esse episódio ser algo tão genial foi a simplicidade.

Não podemos olhar esse episódio por uma perspectiva de personagem por personagem porque o objetivo dele é colocar aquelas pessoas como o grupo disfuncional que ele é. Depois de um dia chato, todos decidem jogar o melhor jogo criado na história e a cada passo durante o jogo nos perguntamos como eles conseguiram organizar algo daquela maneira.

A divisão dos times representa muito bem os personagens da série. Dennis e Dee conseguem quando colocam suas diferenças de lado juntar forças para um bem comum e nesse episódio tivemos uma sinergia entre eles que nunca tínhamos visto antes. Charlie e Mac tentam a qualquer custo conseguir o que eles querem e Frank aparece como aquele outsider (e como o público, que não sabe nada sobre o jogo) que sempre ficamos com a leve impressão que ele é (por causa da sua entrada na segunda temporada).

Outra coisa que a divisão representa é o nível de perturbação dos personagens. Dee e Dennis sempre foram os personagens da série que aparecem como os que têm mais problemas profundamente sérios (quem aqui REALMENTE não acredita que o Dennis é um estuprador?), enquanto Charlie e Mac são mais estúpidos daquele jeito “insuficiência de inteligência” tipo de estúpidos que ao longo do tempo acabam perdendo fé no futuro.

Depois dessa tentativa falha de fazer uma análise séria dos personagens de Sunny, passe para o próximo parágrafo.

O jogo em si foi muito difícil de acompanhar e até agora não entendi completamente as regras (nem o Charlie, que jogou quase 20 vezes), mas é justamente isso que gera as gargalhadas. É desordem, grito de guerra, palavrão e tudo contribuindo para eventos estranhíssimos que não fazíamos ideias do por que exatamente eles estavam acontecendo (como Frank preso e o jogo de dardos com a mão de Dennis). Eles não tinham motivos para brigar uns com os outros nesse episódio e o jogo representa tudo aquilo que eles são: malucos e imprevisíveis.

Aliás, “imprevisível” é uma ótima palavra para definir esse episódio (genial, maravilhoso e palavras do tipo funcionariam, mas vamos ser um pouco mais específicos?). A qualquer momento poderia aparecer alguma loucura e mesmo quando a série já diz ao público que isso vai acontecer (como Mac tentando destruir o tabuleiro), o momento ainda continua sendo muito engraçado quando ele acontece.

Durante todo esse tempo que acompanho a série, nunca vi um momento em que os personagens respeitaram as regras (Sunny é famosa justamente por não seguir as regras) e ver eles simplesmente tomando chá porque o jogo diz que tem que ser assim é uma daquelas situações em que você ri somente pela estupidez da situação quando comparada com aqueles momentos cheios de berros (que aparecem logo em seguida).

Não posso ficar colocando aquelas piadas e ficar dando pedaços de momentos porque tudo no episódio chegou a ser memorável. Aproveitando-se o estilo clássico das sitcoms e de bottle episodes, Chardee MacDennis: The Game of Games nos bombardeou com piadas que não pararam em nenhum momento e fizeram desse episódio um clássico que merece ser posto em qualquer lista de melhores episódios da série.

Outras observações:

- Adoro a metalinguagem da série. “It’s too dark” ou frases do tipo vem sendo repetidas constantemente ao longo dos episódios.

- Quando lançam o jogo aqui?

- Os bottle episodes de Sunny são os melhores bottle episodes. #fato

- O final de episódio voltou a ser um final de episódio “comum” da série. Além de toda a tensão relacionada a carta negra, tivemos Dennis e Dee vencendo quando tudo apontava ao contrário. Não foi algo como a morte da prostituta (vou repetir isso em todas as reviews? Yep), mas ainda sim, um ótimo desfecho.

@andre_fellipee

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  • http://twitter.com/#!/el1velton Elivelton

    Descobri essa série a umas 3 semanas, estou na quarta temporada.
    Já adoro as pessoas horríveis que eles são.

    Não li a Review por que não cheguei aqui ainda.
    E o maior spoiler que vi mesmo assim, foi a barriga do Mac. hahaha!

  • Limão

    Dois episódios muito bons… Chardee MacDennis então foi um episodio classico… com certeza irei ver novamente… essa temporada está superando as expectativas

  • bob

    série sensacional!
    uma das melhores de comedia, e não é de hoje.

    ps: tenho certeza que o dennis é um estuprador.

  • Adam

    esses 2 episodios são duas coisas absurdas de engraçada!!! Em meio a tanto politicamente correto chato pra caralho, é um prazer ver piadas sobre crack, estupro, furação, racismo, arma, etc… estou cada vez mais fã dessa serie, se é q isso é possivel!

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