
A um episódio do season finale, Lie to Me parece estar encontrando seu equilíbrio.
Spoilers Abaixo:
Toda série passa por altos e baixos dentro de uma mesma temporada. Raras são as que conseguem emplacar uma temporada só com ótimos episódios (Chuck e Modern Family estão aí pra mostrar que existem). Entretanto, mesmo os momentos fracos de uma série podem ser importantes para a mesma. Lie to Me vinha acertando em alguns episódios e errando irritantemente em outros. A temporada parecia meio avulsa, sem que pudéssemos enxergar alguma conexão (não estou falando da continuidade do storyline, e sim de uma sintonia entre os episódios). Em Darkness and Light a série conseguiu emplacar um episódio que, se não criou uma coesão para a temporada em si, despertou ânimo para o season finale, mostrando um ótimo equilíbrio entre os personagens.
Essa semana tivemos um caso bem peculiar. Lightman decide ajudar o treinador Dawkins no desparecimento de sua filha, Molly, cuja irmã, Amy, é conhecida de Emily. Molly foi encontrada atuando em filmes adultos, e Cal vai até o produtor desses filmes procurar informações sobre a garota, e a acha em um “abrigo” para garotas. Molly parecia nervosa com seu pai, e Lightman tenta descobrir o porquê. Além disso, a garota descobre que é soro positivo, iniciando uma investigação sobre o culpado pela contaminação.
Logo de cara já percebemos que mais uma vez a série consegue criar uma situação completamente diferente das demais. Mas dessa vez temos algo especial. Além de abordar um assunto bastante delicado, tivemos uma divisão entre dois casos dentro de um mesmo. O primeiro, mais familiar, sobre o que realmente aconteceu para Molly odiar o pai, que descobrimos ser o fato de ela culpá-lo pela morte da mãe. O segundo é o caso principal, de natureza policial e, acima de tudo, ética. A indústria de filmes adultos “diverte” milhões de pessoas pelo mundo. O que muitos não sabem é que existem muitas garotas que são forçadas a trabalhar no ramo, a maioria delas menores de idade. A coragem de tocar nesse assunto envolvendo questões familiares é muito interessante, e o desenvolvimento do caso não deixou por menos. Muito embora a ciência da mentira tenha sido bem menos utilizada que no episódio passado, as técnicas utilizadas para chegar ao culpado foram no geral muito inteligentes, provocando o espectador e gerando revolta pela sujeira praticada pelas pessoas. O desfecho do caso ainda toca em um assunto tão delicado quanto, que é a falsificação de exames por médicos.
Mas se no geral o andamento do caso foi bom, a intrudução desse me incomodou bastante. Logo na primeira cena, Lightman e Foster vão ao produtor dos filmes anunciando-se como um casal procurando realizar uma fantasia. Nesse momento, os dois se beijam para aumentar a veracidade da cena. O problema aí consiste simplesmente no fato de a série ter desperdiçado o momento pelo qual os espectadores estavam esperando: a concretização do romance entre os dois doutores. Os roteiristas conseguiram matar a expectativa das pessoas, fazendo com que quando os dois realmente se beijarem a sensação seja de dèja vu. Um crime quando se trata de escrever um roteiro. Erro de principiante.
Paralelo aos dois casos, tivemos a corrida de Loker e Torres pela promoção no Lightman Group. Li em vários comentários sobre o fato dele estar sendo colocado de lado pela série, e que era melhor que ele deixasse o elenco de vez. Parece que isso não vai acontecer tão cedo, já que ele foi promovido e deve receber mais destaque daqui pra frente. Fiquei triste pela Torres, já que gosto muito da personagem e a acho mais profunda que Loker. Mas o romance dos dois parece que vai se desenhar, da mesma maneira que romances do tipo se desenvolvem em várias séries. Confesso nunca ter reparado que era possível abrir um arco com esses dois, mas achei interessante, principalmente pelo fato dele agora ser chefe dela. Acho um bom arco pra ser aproveitado na próxima temporada. Talvez até um pouco pro season finale.
Já que falei em personagens, é bom ressaltar que o Agente Reynolds tem subido bastante no meu conceito. Tem sido muito menos irritante do que fora, e começo inclusive a simpatizar com ele. É uma pena que ele vai deixar a série na próxima temporada. Justamente no momento em que ele começava a se tornar um personagem interessante. Já Lightman esteve um pouco mais apagado no que diz respeito ao desenvolvimento do personagem. E como foi bom ver o Dean Norris (o Hank de Breaking Bad) como participação especial no episódio. É sempre bom quando um personagem de sua série favorita aparece em um lugar qualquer.
Num episódio que faz muito jus ao seu nome, Lie to Me encontra o caminho para o equilíbrio, abre arcos interessantes e, mesmo não sendo um episódio memorável, desperta grande interesse para o season finale de daqui a duas semanas.