
E a maré de boa sorte continua…
Spoilers abaixo:
É Interessante como as coisas, em uma série que muito fala sobre ciclos, acabam chegando a uma conclusão suave e ao mesmo tempo, fortemente irônica. Lost começou com esse grupo de sobreviventes tendo como único objetivo sair da ilha e então tomou outro caminho, não melhor ou pior, somente diferente. Escotilha, cargueiro, retorno, viagem no tempo, reset… Tudo para no final a série acabar com esses mesmos sobreviventes – um título bem mais merecido após as situações acima citadas – tentando sair daquele maldito lugar, de novo. Os motivos para isso estão na cara, mas se olharmos um pouco mais de perto, vamos perceber o quão tal missão só fará sentido completo quando chegarmos a sua derradeira conclusão e como cada um terá o seu motivo em particular. Comecemos pelo Sawyer.
Desde o momento em que ele falou pela primeira vez no piloto, com sotaque sulista, cabelo cortado e jeito marrento, gostei do personagem. A Sua proposta era interessante e se encaixava perfeitamente com o padrão da série, com a redenção daquele grupo não aleatório de pessoas, algo que sempre foi o foco dos roteiristas. Então aos poucos James Ford foi se perdendo em meio a duelos mais importantes, passando episódios jogando ping-pong e fazendo intriga por causa de suprimentos no acampamento. E Finalmente, um pouco antes da quarta temporada terminar, o seu personagem teve uma segunda vida. Uma melhor que foi ganha devido aos anos de sofrimento e tempo para se encontrar na ilha, coisa importante para levar ao homem feliz que ele se tornou ao lado mulher que durante três anos amou e indispensáveis para o seu trabalho de xerife. La Fleur foi sem dúvida alguma a melhor e mais madura fase do personagem, que da felicidade extrema, foi a preocupação com a volta dos seus amigos. Que da preocupação, regrediu a tristeza e agora busca por aquilo que sempre foi a marca registrada do personagem: vingança.
Não se enganem. Por mais que aparente estar superando a morte da Juliet, ele ainda está extremamente machucado e no momento, não dá a mínima para o que aconteça. Kate ainda é alguém que ele gosta muito e a ideia de sair da ilha, de evitar aquele lugar trágico e confuso, é ótima, e mesmo mantendo certa aliança com o MIB, no final, ele está tão ou ainda mais desenfreado que o Jack. A Relação de perigo desse estado de ambos os protagonistas com a qualidade da série no futuro é grande e vamos ter que esperar pra ver como isso irá se desenrolar.
Bem, indo para a parte mais leve do episódio, temos outra visita a realidade paralela e uma história sem aparente conexão com os eventos na ilha. Esse recurso narrativo é tão interessante como arriscado, afinal, não temos como nos importar com aqueles personagens e aquelas tramas se não sabemos o porquê delas. Não adianta tentar apressar isso pois é criativamente difícil carregar uma série no estilo de Lost após uma revelação desse tamanho que certamente virá no final, portanto, Darlton corre o risco de detonar uma boa parte dos seus episódios mais leves com momentos anticlímax, tal qual o Sawyer fazendo uma lasanha após conversar com Charles Widmore. É Extremamente arriscado e está fazendo metade dos fãs torcer o nariz para a temporada, mas boa parte do meu relacionamento com a série é confiança e até o final continuarei acreditando que a resolução para os flash sideways será tão satisfatória que nos fará rever a temporada toda com outros olhos e parará as reclamações sobre sua relevância.
Como um todo, Recon convenceu. Veio e cumpriu o seu propósito de uma maneira profunda e mesmo com pequenos erros que a essa altura não deveriam ocorrer, aumentou ainda mais o novo universo armado desde a season premiere e inseriu delicadamente algumas dúvidas essenciais para a resolução da guerra no mesmo ao final da temporada. Agora é só sentar e esperar o circo pegar fogo.
“It’s sad really. How little you actually know.”
Outras observações:
- Lost sempre foi boa nisso, mas adorei como eles estão equilibrando os últimos episódios. Bastante sutil.
- Na hora, odiei a morte da Charlotte, agora, eu entendo perfeitamente. Ela simplesmente não se encaixaria nesse duelo mais íntimo e mitológico, quem sabe deveriam ter mantido ela até The Incident, mas não acho que faria muita diferença no final das contas.
- Eu realmente não me importo com a Kate nessa temporada. Ela deixou de ser irritante e se tornou alguém sem personalidade alguma, um peão que muda de lado sem ao menos questionar o porquê. Claire, por favor faça o que todos nós estamos querendo e salve a temporada dela.
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