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Os tempos mudam, personagens partem, cenários são remodelados e até as histórias são outras, mas Mad Men continua como sempre: sensacional.
Spoilers abaixo!
“Well, gentleman, you were wondering what a creative agency looks like? There you have it. Hope you enjoyed looking in the window.” – Donald Draper
É semana de ação de graças e um ano se passou desde que Roger, Bert, Don e Lane criaram uma nova agência, a Sterling Cooper Draper Pryce, para assim serem salvos da McCann Erickson, prestes a adquirir Putnam, Powell, and Low, e tornar os quatro homens impotentes a mercê de uma nova dona (muito provavelmente a Grey, do rancoroso Duck). Na fuga em grande estilo de “Shut the Door. Have a Seat”, também foram Peggy – depois de um dos momentos mais emocionantes da série -, Pete, Harry e Joan. Esses relacionamentos principais continuam basicamente os mesmos, mas o ar de novidade é perceptível em cada minuto da ótima premiere. O escritório novo é moderno e ao mesmo tempo, invoca alguns dos elementos visuais mais marcantes do antigo; novos funcionários são introduzidos, novos clientes, e por fim, um novo Don. Separado da mulher, ele está vivendo o modelo de vida pela qual indiretamente lutou durante anos, e então percebeu que ele nunca realmente a quis. O prestígio trouxe atenção demasiada para a sua vida e uma parte dele que ele prefere escrever, as crianças não estão mais presentes e Betty, mesmo ainda sendo para ele a vadia interesseira do ano anterior, é uma falta muito sentida.
Assim, ele decide voltar aos seus velhos modos, só que cada vez mais sombrio, cada vez mais irresponsável, cada vez mais perto do Whitman que é. Não, não o Dick Whitman apaixonado de “The Mountain King”, mas o danificado e sozinho, ainda com ressentimentos do pai, que assumiu a identidade do falecido Don Draper. Ele se afunda cada vez na tentativa de sentir alguma coisa e ao mesmo tempo manter a sua mentira, que nem percebe como afeta aqueles ao seu redor. O escândalo com os chefes da Jantzen perto do final do episódio, o ultimato infeliz que ele dá em nome de uma companhia que mal possui peso no mercado, a briga pela casa… Isso não é benéfico para nenhuma das pessoas envolvidas, muito menos para ele. E quando alguém o enfrenta, como Peggy faz após a sua campanha inusitada no mercado, ele não aguenta e libera toda a sua raiva, como já vimos acontecer várias e várias vezes no decorrer de três temporadas. É um mecanismo de defesa inevitável, pois não só o faz se sentir melhor, como o faz se sentir justo, julgado, punido e absolvido, assim se dando uma nova permissão para poder voltar aos mesmos erros.
Não é a toa que ele parece tão fora de lugar na própria agência, ao lado das pessoas com as quais ele trabalha há anos. Don simplesmente não sabe o que fazer. Roger, a coisa mais próxima de um amigo que ele pode ter, até tenta levantar a moral dele, alegrá-lo com as suas piadas ou arrumar para ele uma namorada, e ele, assim como todos os outros, não percebe que aquilo é prematuro. Ele acha que entende Don Draper, quando Don Draper é, na realidade, ninguém. Nem nunca será.
Outras observações:
- A música que toca durante os créditos se chama “Tobacco Road”, The Nashville Teens. Interessante como o seu estilo se encaixa na linha do tempo da série.
- Sentirei falta do velho escritório mesmo gostando da mudança de ares. Agora, só eu que acho que é só uma questão de tempo até algumas velhas faces retornarem? Ken e Kinsey são os mais prováveis.
- Eu entendo porque Matthew Weiner quer mostrar Betty, mas as coisas podem ir de bom a mal e de mal a pior numa fração de segundo caso semana após semana eles reservarem 10 minutos dos episódios para ela.
- O maior (e talvez único) problema com a terceira temporada foi a sua falta de foco. Betty e Don tomavam 70% dos episódios e deixavam os outros personagens, igualmente fascinantes, a ver navios e disputar por migalhas. Vamos esperar que o mesmo não aconteça esse ano com Roger, Lane, Bert, Pete, Peggy e o novo membro da SCDP, Joey (Matt Long, da cancelada The Deep End).