
Mais uma temporada livre de consequências. Thank God for Zoey.
Spoilers Abaixo:
Não tivemos cliffhanger. Ora, não tivemos nem uma temporada nem um Season Finale decente. Que bom que minhas expectativas não me traíram, então não me frustrei. Mas isso não quer dizer que não me irrito com o quão fácil Jackie se safa de tudo. De novo, e de novo, e de novo. Eu cansei desse ciclo vicioso.
Já sabemos o que aconteceu com a amostra de urina de Jackie, nenhuma surpresa aí para a 4ª temporada. Achei que Akalitus trocaria as amostras por não querer arriscar perder Jackie, desconfiada ela já deixou claro que estava. Achei até que esse seria o cliffhanger e não veríamos a diretora completar seu caminho até o RH. Todos sempre acodem Jackie, é Akalitus jogando fora o xixi, é o ex-amante que dá carona e vira confidente do marido corno, além de manter a amizade com a enfermeira. É o novo comparsa que ensina como fazer um exame de urina limpo, mas que pena, só para maconha. É a melhor amiga que se oferece pra fornecer drogas até que Jackie fique livre do vício. TÁ MUITO FÁCIL PRA JACKIE.
E foi isso que me fez estranhar quando ela manda Kevin fazer as malas. O sentimento de culpa do marido não facilitaria ainda mais as coisas pra ela? Não seria a arma perfeita para manipulá-lo? Ou Jackie quer mesmo se ver livre da vida em família? Porque, para mim, é óbvio que as crianças ficarão com o pai. E Jackie estará livre para não dar satisfações, não ter o celular vibrando o dia todo no uniforme e é claro, afundar mais no vício. É importante lembrar que Jackie não sabe que Akalitus não entregou a urina, então na sua cabeça, ela não terá mais emprego nem casamento. O que resta para ela então?
Sobre o episódio, achei bom que tiraram o casamento de Coop logo da frente, pois tínhamos coisa mais importante pra ver. Morri de dó de Coop. Acho isso muito interessante nesse personagem, pois por mais absurdo e caricato que seja, ainda assim consigo me relacionar com ele e simpatizar com a sua dor, que é sincera, assim como sua total falta de noção. “Too soon Zoey, but thanks” foi meu 2º momento cômico predileto, só perdeu para Zoey histérica no banheiro, que me fez rir tão alto e estridente quanto seus berros em “Your daughters are so pretty!”. Essa temporada definitivamente foi do elenco secundário, todos os Emmy, Golden Globe e coisa que valha para Eve Best, Merrit Wever, Peter Facinelli e Stephen Wallem. Sim, Edie Falco é um monstro na interpretação, mas sua personagem não foi o melhor da temporada. Quem discorda, que vá reclamar com os roteiristas e produtores.
E paradoxalmente, enquanto eu consigo simpatizar com um personagem caricato como Coop, Jackie tem se distanciado daquela mulher que fomos apresentados há 3 anos, que compensava a distância e frieza com sua própria família, com generosidade e conexão com completos estranhos que acabaram de entrar na sua emergência. A bondade de Jackie não foi tão explorada nessa temporada e sinto que isso comprometeu a simpatia entre espectador e personagem. Essa dualidade foi o que me cativou desde o princípio, era impossível amar ou odiar Jackie, nenhum desses sentimentos durava tempo suficiente, mas suas ações sempre me causavam reações emocionais das mais variadas. Não sei se a foi a personagem que amargou e mudou ou se o caminho se tornou tão repetitivo, que não me provoca mais esse tipo de reação. Me tornei quase indiferente à Jackie.
Jackie transitava entre o certo e o errado com maestria, mas suas atitudes como a da Series Premiere, em que a vimos assinar um documento de doação de órgãos, dar o dinheiro de um diplomata filho da mãe para a mulher grávida do falecido e ainda mandar vaso sanitário abaixo a orelha do fdp. Jackie fazia as coisas erradas, porém desculpáveis, coisas que muitos de nós gostaríamos de fazer, mas por cruzar a linha do “quero, mas não devo” não fazemos. Era quase uma válvula de escape, era um alívio assistir aquilo. E não vimos muito disso nessa temporada, o que me faz pensar que é isso que me distanciou tanto da enfermeira.
Voltando ao casamento, ele virou festa de aniversário pra levantar a moral, e Coop, que só quer se sentir amado, foi capaz de aproveitar aquele super presente e sorrir de novo. Tão deprimente quanto hilário foi a saída nada triunfal numa carruagem de bicicleta. Eddie, o santo, se compadeceu e foi fazer companhia ao doutor. O farmacêutico merecia uma estátua na capela de Akalitus, já que ele socorreu todos nessa 3ª temporada. Ele não teve uma trama própria, nenhum de seus romances insinuados (seja com Tunie ou O’Hara) foram pra frente, mas ele esteve envolvido com quase todo o elenco, on and off All Saints. Mais movimentado que sua farmácia, só a capela.
Enquanto Jackie assume inveja da falecida, ouvimos uma das poucas falas sinceras de Jackie. Com certeza, o caso com o farmacêutico é o menor dos seus problemas. E diferente do que Eddie achava, não é sobre isso que Kevin estava falando todo esse tempo. Assim que ele diz: “You can’t just step outside a marriage and fuck someone else because things got hard and expect the marriage to survive.” Eu falei sozinha em voz alta: “Ele teve um caso”. Mais alguém? A carapuça serve tão perfeitamente em Jackie que a confissão dele se torna um choque ainda maior. A situação se inverteu, ela não esperava por isso e demora de reagir provavelmente por ainda estar calculando como aproveitar o melhor desse novo cenário.
“Pack your bags” não tem o mesmo impacto de “Blow me”, mas a promessa de mudança já não se concretizou antes, então só nos resta esperar – não muito ansiosamente – um ano para ver Jackie livre de Kevin, mas presa às responsabilidades que antes eram divididas por 2. Ele não era somente um marido a quem ela dava satisfações, ele era o porto seguro, a parte mais normal das vidas de Jackie. A separação, seja ela temporária ou definitiva, oferece um mundo de possibilidades e eu espero de todo coração não ver mais do mesmo. Meu pedido às estátuas e manequins é que a 4ª temporada seja uma redenção dos roteiristas e nos entregue um novo caminho, porque acho que falo por muita gente quando digo que cansei de não sair do mesmo lugar.