
Toda maldição pode ser quebrada, mas é bom ficar longe da maçã envenenada.
Spoilers Abaixo:
Perdoem a rima de livro infantil, mas ela foi 100% inspirada no segundo episódio de Once Upon a Time. Prometo não lançar mão de tal artifício barato uma próxima vez. Depois do choque que foi (para a maioria) gostar da Series Premiere, continuo nesse clima de surpresa, ainda vendo potencial na série e achando o desenvolvimento da história muito bom, de forma geral.
Entretanto, tenho que apontar algumas coisas que realmente estão fora dos trilhos. Entendo a dificuldade em criar um mundo extenso e complexo como “Far, Far Away”, afinal, estamos lidando aqui com o universo de TODOS os contos de fadas. São castelos, florestas, calabouços… Uma infinidade de cenários recorrentes nessas histórias e que precisam ser retratados com o mínimo de dignidade.
Para mim, Once Upon a Time peca (e muito) nesse aspecto de produção. Odeio ser clichê e lançar mão da velha crítica ao uso incorreto do Chroma Key, mas é inevitável. Com tantos recursos e profissionais capazes de criar as coisas mais críveis usando apenas um computador, é difícil aceitar a falsidade das bolas de fogo lançadas pela Bruxa Má Megaevil, assim como aquelas armas medievais voadoras. O fundo do cenário do castelo da Bruxa Má Megaevil da Bela Adormecida já estava terrível. Com arminhas voadoras, quase chorei de tanta infelicidade.
Acho que não tem desculpa. Se os caras têm grana para comprar toda a produção de maçãs falsas do mundo, precisam ter esse cuidado com a aparência de ‘Far, Far Away”. Infelizmente, duvido muito que esse aspecto melhore com o tempo, afinal, a série está no começo e já não dão atenção a isso. Imaginem mais para frente.
Por enquanto a história contada supera as frustrações técnicas. Gosto do modo como traduzem os personagens para a realidade. Quão esperto é transformar o espelho mágico num jornalista meio fofoqueiro, responsável pelo jornal local “The Mirror”? A coisa melhora mais ainda quando descobrimos que é Giancarlo Sposito, que recentemente mostrou seus talentos em Breaking Bad, a interpretar Sidney.
Também adoro o fato de que Regina ganhou esse nome justamente porque ele significa ‘rainha’. Detalhes bobos talvez, mas acho que eles ajudam a construir uma boa base para a série. Outra boa sacada foi a de Regina nomear o filho adotivo com o nome de seu pai, Henry. O “apego” dela ao menino está ligado ao vazio que sente como consequência por ter ativado a Maldição das Maldições. Nada mais justo, já que ela foi capaz de sacrificar a pessoa que mais amava em nome de uma vingança bastante absurda.
Aliás, tenho que comentar a cena em que ela faz a roda da bruxaria e taca o cabelo de todos os vilões no fogo. Foi um pouco tosco de ver, até porque os efeitos foram péssimos, mas eu ri quando ela transformou o duende em peça de decoração de seu jardim.
A língua meio presa do menino que faz Henry começa a me irritar um pouco. Até acho que ele é bom ator, mas presto mais atenção no problema de fala do que no que ele está falando. Também achei que a rivalidade entre Emma e Regina está bem colocada. É meio como aquelas brigas de menina no colégio, uma puxando o cabelo da outra para ver quem fica careca primeiro, mas pelo menos Emma não é aquela coisa medrosa e recolhida de sua amável mamãe Maria Branca demonstra ser.
Já sou a maior fã de Mr. Gold. Vou evitar usar o nome de “Far, Far Away” porque é difícil escrever Rumpelstiltskin sem errar. O trabalho de Robert Carlyle transformado na criatura mítica é impressionante. A maquiagem é boa e ajuda bastante, mas ele realmente pega esse elemento instigante e parece estar muitos passos a frente de todos os demais.
Continuo apostando que ele é o único que sabe de tudo, porque é esperto demais para se deixar abater por uma bobagem como essas. Maldição que prende as pessoas na realidade nua e crua é nada perto da audácia e da petulância de Gold.