
No término de uma temporada irretocável, dois episódios irretocáveis. Perfect season!
Spoilers Abaixo:
Na minha visão Parks and Recreation em sua terceira temporada conseguiu o feito raro de não decepcionar em um único episódio, uma coisa que nem mesmo as badaladas temporadas de Community e 30 Rock conseguiram fazer. Foram 16 episódios coesos e não menos que satisfatórios, e na season finale temos mais dois episódios de alto nível. É de fato a melhor comédia da temporada.
Em “The Bubble” a série explorou um pouco mais o relacionamento de Ben e Leslie, agora usando uma trama tradicional das sitcoms, que é a inserção dos parentes nos relacionamentos, e nada melhor do que a volta da mãe da Leslie (interpretada por Pamela Reed, que também é a mãe da Tara de United States of Tara) para agitar esse plot e desestabilizar a ‘bolha’ na qual o casal se encontrava. Realmente os rumos tomados pela trama não foram nada originais, mas as one-liners (“You know what I should do? I should get my mother a one way ticket to London, leaving today. That way Ben never has to meet her and I could visit her in London. Everybody wins.”) e os atores (principalmente Adam Scott, ótimo na cena em que ele enfrenta a sogra de igual para igual) deixaram tudo mais divertido.
Muito mais engraçada foi a trama de fundo envolvendo as mudanças de Chris no escritório do departamento, com Ron e sua mesa redonda se desviando da população com a cadeira giratória, Donna se irritando com o teclado espacial (eu achei que a qualquer momento o teclado voaria literalmente pelo escritório), Jerry atendendo a população e Tom e Andy no temido quarto andar. Foram cenas isoladas que trouxeram o humor infalível da série e culminaram em um dos momentos em que Ron rouba o episódio indo pedir que Chris desfaça a mudança. Mais uma prova do porque a série tem o melhor elenco de comédia na TV desde Arrested Development.
Já na season finale, “Lil’ Sebastian”, tirando a parte em que Chris se consulta com um médico e passa a temer ainda mais a idade (trama que foi subaproveitada e só revirou a relação entre ele e Ann), o foco foi único: a morte do querido Lil’ Sebastian, o mascote de Pawnee. Se o fato da cidade admirar o pônei (?) já é engraçado, o modo como todos reagem à situação é hilário demais. Com direito a um funeral-evento, tivemos a chance de acompanhar mais Jean-Ralphio e sua busca por um lugar ao sol, e que dessa vez pode levar Tom no embalo e tirá-lo do departamento (eu queria na quarta temporada um episódio dedicado somente ao Jean-Ralphio), a versão de Andy para a música ‘Candle in the Wind’ para o memorial do falecido e ainda Leslie e Ben se enrolando nos preparativos já que subornaram um funcionário que os viu se beijando. O mais inacreditável é que tudo isso funcionou perfeitamente, sem nenhuma correria ou sinal de obviedade nas piadas.
Mas como Parks and Recreation é uma das séries com o humor mais cheesy da atualidade, não teve como não rir com o visual de Ron depois de ter a face afetada pelo fogo no funeral, sem bigode e sem sobrancelhas, uma mistura de macabro com hilário que vai ficar na minha memória um bom tempo. Aliás, Ron foi a estrela do episódio desde o começo quando descobriu o caso de Leslie e Ben, passando pela sua dor de perder o amado Lil’ Sebastian até a parte final quando descobre que a sua primeira ex-mulher está de volta. Uma mulher que faz Tammy (em uma ponta pequena, mas maravilhosa) correr de medo só pode ser o diabo de saias – e fica o bolão para quem já está ansioso pela personagem: qual atriz encarnará a primeira ex-mulher de Ron? Meu palpite é Molly Shannon.
E por fim no episódio temos talvez o grande mote para a quarta temporada: a subida de Leslie no cenário político de Pawnee, com trabalho na prefeitura e tudo. Essa situação já era de se esperar pelo fato da personagem ser eficiente no que faz, mas o curioso é que quando foi questionada sobre algum escândalo na sua vida pessoal que atrapalhasse sua jornada a resposta foi não, já que seu caso com Ben é um grande SIM para a pergunta. A situação foi curiosa, mas totalmente compreensível, já que desde o piloto da série Leslie é uma mulher entregue à sua carreira e seu trabalho, e poderia abrir mão de tudo para isso e foi exatamente o que ela fez, mesmo que toda a sua paixão repentina pelo colega (e seus beijos versão Ruth Bader Ginsburg e Eleanor Roosevelt não me deixam negar). Será que o casal que demorou tanto pra se acertar vai se desmanchar tão rápido? Mal posso esperar.
E assim termina (termina, mas não acaba como diz o ditado) minha cobertura de Parks and Recreation no Série Maníacos. Como sempre, obrigado pelos comentários e pelo suporte e nos vemos na próxima temporada. Até lá!
