
Mais uma tentativa de JJ Abrams de produzir um procedimental de ação. Quem sabe dessa vez funciona.
Spoilers Abaixo:
Muitas pessoas não gostaram do que viram no piloto de Person of Interest pelo fato que esse tipo de série em um primeiro momento não oferece grandes surpresas. Não é falha da série ou da produção, é uma questão simples: eles tinham um método para apresentar e por isso não apresentaram uma trama maior, o chamado plano de fundo, que muitos consideram fundamental para séries que trabalham com casos por episódio. Para os mais exigentes, isso tornou o piloto fraco e sem atrativos. Comum, como dizem “feijão com arroz demais”. Mas eu vos digo que é esse tipo de série que se bem feito explode e vira sucesso na TV americana, afinal por lá eles gostam desse tipo de série. Uma premissa boa e bons roteiros podem fazer a vida de Person of Interest longa. Aos mais rígidos, é possível sim séries assim serem boas. Ir além. Mas é questão de gosto e tudo vai depender do quão atrativo vai ser os casos e o que vai ser o “algo mais” da série. Aqui parece ser o passado de John, e o que o governo fez com ele. Mudando de assunto.
Na série, John Reese é um ex-agente do governo, enganado e dado como morto em ação, que vem vivendo fora do sistema como mendigo, vagando, morando em hotéis baratos e se entregando a bebida para esquecer o passado, até que se envolve numa briga com uns playboys no metrô e acaba na delegacia, onde Mr. Finch finalmente o encontra. Finch é um milionário que também se decepcionou com o governo e também perdeu alguém. Gênio e criador da tal máquina que antecede possíveis novos 11/09. Ele já estava pesquisando e sabendo tudo sobre a vida de Reese, e quando o encontra tem uma proposta de trabalho: salvar pessoas que estão prestes a se envolver em crimes pesados. Claro que o cara recusa e toda aquela coisa até ser convencido (de uma maneira nada convencional) a trabalhar com ele. Mr. Finch é tão rico que tirou ele de hotel, levou para outro lugar, prendeu numa cama e ele não acordou. Ok. Estava com a cara cheia, mas mesmo assim. Ex-agente e preparado para tudo, pessoas assim dormem com um olho aberto, mesmo bêbado. Voltando.
A máquina foi criada para o governo e está com ele, mas ele deixou uma porta dos fundos que o permite ter acesso à lista descartada pela máquina. Lista essa que contem o apenas o número do seguro social (algo como o CPF) de pessoas que vão se envolver em crimes. Imagina saber que tal pessoa vai morrer e não fazer nada? Com essa informação ele descobre quem é a pessoa e assim vai evitar que tudo aconteça. Com acesso aos dados irrelevantes eles vão acabar topando com muita coisa perigosa, crimes envolvendo gente importante e até mesmo o governo. Pode apostar.
O primeiro “número” que eles pegam é o de Diane Hansen, advogada trabalhando em um caso que pode ter ligação com gangues. Depois de entrar em seu apartamento, ter acesso a e-mails, e ao seu telefone celular Reese passa acompanhar o dia a dia de Diane a seguindo e monitorando encontros e ficando atento ao possível momento. A virada do episódio vem quando descobrem que ela não será a vítima e sim a mandante do crime. Envolvida em corrupção, tráfico de drogas ela manda matar o companheiro de escritório. Na hora que ele foi pego por um dos policiais espiando o encontro sabia que ele ia acabar aproveitando para ter alguém, um contato útil ao serviço dentro da policia. Com essa ajuda vai ser mais fácil descobrir quem está atrás de cada número emitido pela máquina. Agora, a outra policial que está determinada a prendê-lo e descobrir a verdadeira identidade de Reese, é uma incógnita, pois ele não existe, está coberto por um bilionário, vai ser complicado chegar até ele, e pelo que andei lendo de certa forma ela também vai ajudar. Já é uma ponta interessante.
Toda a resolução do caso, e as investigações de Reese e Finch foram bem feitas e dependendo do episódio pode rolar um pouco de diferença para não ficar maçante. Depende muito de cada história. Cenas de ação como aquela que ele para o carro para socorrer o rapaz que era testemunha do caso e a outra onde ele pega “emprestado” as armas da máfia dão cara a proposta e demonstra mais as habilidades dele. A trilha também é outro atrativo que gostei. Só tem um, porém nisso tudo, Jim Caviezel precisa acertar o tom e soar mais a vontade dentro do personagem. Série nenhum sobrevive com um protagonista fora do tom. Não que ele esteja fora e ruim, mas precisa ser mais empático. Menos seco mais convincente. Não gostei muito. Por outro lado, como Michael Emerson fica bem nesse tipo de papel, excêntrico bilionário. Para mim Finch está escondendo coisas de Reese e é esperar para ver o resultado disso tudo, o que mais tem por trás do passado de cada um? Como vão dosar trama central e casos semanais? A série vai sobreviver?
Criticas também vieram para a edição do piloto, que utilizou recursos que ao longo da temporada se usados em demasia pode cansar quem assiste. Como o uso das imagens das câmeras espalhas pela cidade, a troca de quadros, e etc. Eu achei interessante num primeiro momento, mas como disse, sem exageros. Tudo demais é ruim. Os flashbacks do passado de Reese devem aparecer mais vezes e com o passar dos episódios ser mais explicativos e não apenas pessoais. O clima do episódio, uma NY mais sombria também casou bem. Diferente do que sempre fazem, NY frenética e quente. O principal de um piloto é deixar curioso e com vontade de assistir mais um. Person of Interest conseguiu isso e se seguir a linha de filmes que já vi é sucesso na certa. Não vejo como dar errado. Claro que por ser “JJ Abrams” muita gente esperou mais, outra coisa e ainda espera coisas anormais na série. Não vejo onde encaixar, mas tudo é possível. E vocês o que acharam? Mais positivo ou mais negativo? Comum demais? Mais uma para o gênero “policial” (bem entre aspas). Até a próxima! @Yasminck