
Comentar séries em um blog é algo novo para mim, mas não tanto entre os amigos. Comecei a assistir, de fato, séries lá em 2005, portanto sou um maníaco para lá de recente. Infelizmente. Agora, pensem: Discutir, debater e até mesmo ridicularizar alguém, às vezes íntimo ou que você nem conhece, para defender um personagem? Partir para briga ou ameaçar um indivíduo porque não gostou de um comentário dele contra aquela série que você assiste? Falar para as pessoas sobre personagens de séries, como se estes fossem grandes amigos ou confidentes de longa data? Quem diabos faz isso? Nós, os maníacos por séries, ora!
Antes uma nota: O texto ficou grande, mas leia até o fim. Valerá a pena. Se não, sinta-se livre para me esculhambar nos comentários.
Particularmente, odeio quando comento sobre uma série com alguém e ela vem com aquela pergunta estúpida: “Série é que nem novela, né?” Dá vontade de bater no infeliz que faz uma pergunta dessas. Quem assiste séries, sabe do que estou dizendo. É simplesmente incomparável. Numa novela (tomemos as da rede Globo como modelo, para o bem da discussão), temos um padrão claro, independente da história:
a) No início, temos vários personagens, cada um na sua, que por algum motivo acabam tendo suas vidas conectadas. Em regra, o mocinho e a mocinha despontam imediatamente aqui. Todos já sabem que no fim, eles terminarão juntos (há suas raras exceções). Assim como também somos apresentados ao(s) vilão(ões), que, em regra, é algum indivíduo sociopata, ressentido ou ambicioso. Nas séries, a primeira parte até é comum, admito, mas as histórias… Põe superioridade nelas, inegavelmente, sobre as das novelas. Mais que fato. Até mesmo os personagens (principais e secundários) são superiores aos seus congêneres das novelas.
b) Durante ou no meio da trama, o mocinho e a mocinha irão se apaixonar, acabarão se separando, se odiarão, se perdoarão, e se apaixonarão de novo (às vezes, esse ciclo, para fazer o camalhaço durar muito, repete-se). Durante todo esse tempo, os outros personagens irão fazer alguma coisa para ocupar o tempo restante de cada capítulo (sexo, beber, comer, ir ao parque, matar ou roubar alguém etc.). Nas séries, temos também o personagem principal e seus antagonistas, claro. Acontece que nela (série) a linha entre o bem e o mal tende a ser bem acinzentada, o que não acontece com os personagens das novelas (e em algumas raríssimas e irritantes séries). As histórias secundárias nas séries são importantes mesmo, e não um “enche linguiça”. Nós os amamos (ou os odiamos profundamente), mas não dá para discutir quão importante cada personagem é, para o bem ou para o mal, no desenvolvimento da história.
c) No fim, a novela termina como o início já apontava: o(a) mocinho(a) se dá bem na vida. Toda injustiça é devidamente reparada (com exceções). Todos terminam de algum jeito bem (tirando, obviamente, o vilão que termina ou preso ou morto). Um mar de flores, enfim. No universo das séries, esqueça isso. Finais felizes só em histórias da carochinha. Nada é certo ou definido. Claro que, em algumas séries dependendo do gênero da mesma, podemos até especular que o fim será de determinado jeito. Mas até isso é uma aposta. Emoções das mais variadas são muito bem trabalhadas, porque sentimos conexão de fato com aqueles personagens. É estranho para quem não assiste séries. Mas só para eles.
Uma questão a se considerar é por que somos mesmo maníacos pelas séries. Sabemos que elas são melhores que os folhetins nacionais, como demonstrei acima. Até mesmo os shows e reality shows de lá (EUA e Europa) estão um nível acima dos nossos. Mas por que somos maníacos mesmo?
Não sei vocês, ouso falar apenas por mim, mas um dos motivos de eu ser maníaco por séries é porque elas (não todas) não são apenas entretenimento. Elas (as que assisto) me fazem refletir, questionar, indagar sobre meus próprios valores e as decisões que tomo. Quem assiste House ou Dexter, por exemplo, está entendendo bem o que estou expressando aqui. As séries conseguem além de divertir, nos fazer olhar para nós mesmos e perguntarmos se estamos felizes ou infelizes com a vida que levamos, com as escolhas que fazemos, com o rumo que nossa vida está seguindo. Quando vejo um Hank Moody (Californication) ou um Tommy Gavin (Rescue Me) vejo não só personagens quebrados fisicamente e moralmente, vejo pessoas. Indivíduos que não se diferem de indivíduos que estão muitas vezes ao nosso próprio redor. Chego a me ver neles. “O que faria se estivesse nesta situação?” “Como reagiria a aquele problema?” São perguntas que me vem à mente e que percebo não ter respostas para muitas delas.
Como seres humanos, tentamos, em sua maioria, ser pessoas melhores. Nos esforçamos, lutamos, batalhamos com outros, ousamos tentar chegar a um nível melhor que aquele em que nos encontramos atualmente. Mas são os personagens de séries que nos costumam lembrar que a maioria dos sonhos não se concretiza. Que aquele amor forte por alguém tende a se esvair com o tempo e, em alguns casos, até mesmo se torna ódio. Que mesmo que tenhamos a melhor das intenções podemos agir certas vezes como monstros. Que não somos aquilo que queremos ser, mas o que somos agora. Que somos julgados pelo que aparentamos ser, ao invés do que realmente somos.
As séries são um portal para um universo, algumas vezes distante outras vezes bem próximo, do nosso. Elas nos tornam melhores ou piores dependendo da maneira que as vemos e reagimos as mesmas.
Sou maníaco por séries porque elas além de fazerem parte da minha vida, me fazem sentir que também faço parte da vida delas. Que ficção e realidade tendem a se misturar de tal maneira que chega a ser difícil (se não, pouco desejável) retornamos as nossas vidas “reais”.
Essa conversa toda me deu vontade de rever uns episódios de algumas séries, então, até mais! Fui…
P.S: Agora é sua vez: Porque você se considera um maníaco por séries? Comente. Participe. E me siga no twitter.
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