
Fairly Legal é uma série jurídica que se esforça para se destacar de outras produções do mesmo gênero, mas que mastiga todos os clichês possíveis.
Spoilers Abaixo:
Não sou contra clichês. Acho que nos dias de hoje é praticamente impossível uma série não se basear em algo que já existiu ou usar elementos narrativos “obrigatórios” como triângulo amoroso, madrasta malvada e protagonista sexy. Clichês usados de forma inteligente e sutil podem agradar e ironicamente até mostrar algo novo, porém, o problema é quando uma série jurídica quer ser diferente ao colocar uma protagonista que não é uma advogada, mas que acaba envolvida em casos que mostram tramas já aproveitadas em praticamente todas as outras séries jurídicas que existem.
Kate Reed (Sarah Shahi) é uma advogada frustrada com o sistema legal, que decide trocar de profissão e se tornar uma mediadora. Sua vida fica ainda mais complicada com a recém morte de seu pai, o divórcio e o fato de que a firma da família agora é comandada pela madrasta que ela odeia.
Essa nova profissão de Kate como uma mediadora é o diferencial que Fairly Legal tenta se agarrar para dizer que não é apenas mais uma série jurídica, mas quando o caso principal do piloto envolve o dilema pessoal da nossa protagonista em defender o cliente rico que está errado ou ajudar o malfeitor pobre que é inocente, fica claro como é difícil desvencilhar Fairly Legal do rótulo de “apenas mais uma série jurídica”. Em certos momentos, as habilidades de Kate são extremamente over, como na sequência em que ele negocia os termos de um assalto.
Sarah Shahi, no entanto está ótima na série. Sua beleza e charme são os destaques do episódio piloto. Quem já tinha visto a moça em The L Word não vai ficar surpreso com seus atributos físicos – que são constantemente valorizados por ângulos generosos e saias apertadas. Sarah Shahi é uma boa atriz, aproveita ao máximo o roteiro fraco da série com discursos rápidos e eloquentes, possui um sarcasmo afiado e um sorriso hipnotizante. Aliás, o elenco em geral não é o ponto fraco da série. Tanto Michael Trucco como Virginia Williams convencem nos seus respectivos papeis de ex-marido e madrasta de Kate. Do elenco fixo só não gostei do rapaz que faz o assistente nerd.
Outro “diferencial” técnico de Fairly Legal é a câmera de ombro frenética que em cenas de correria e urgência acompanha o personagem para tentar passar uma falha sensação realidade. Esse tipo de câmera é muito usado produções de guerras (The Pacific usou em quase todas as cenas de ação), mas aqui esse artifício acaba ficando deslocado e sem sentido. Aliás, tenho a sensação de que quase todas as séries do canal USA são feitas pela mesma equipe. O visual é sempre semelhante.
Resumindo: o piloto de Fairly Legal é longo, Sarah Shahi é linda, o roteiro é fraco e a série é sim apenas mais uma produção jurídica. Assim como em The Mentalist, Fairly Legal é uma série rasa que vai depender do sorriso charmoso de seu protagonista para sobreviver.