
Prepare o guacamole e a sangria.
Spoilers Abaixo:
Existem três formas de você já ter ouvido falar de Rob Schneider: se você é um pouco mais velho, deve tê-lo visto em alguns episódios dos anos 90 de Saturday Night Live; Outra possibilidade é se assim como eu, você é um apreciador de comédias ruins e duvidosas como Gigolô Por Acidente e Animal, mas se por algum motivo desconhecido, você não tolera comédias ruins e SNL, sua última saída é ser fã de comédias medianas, daquelas com Adam Sandler. Schneider é aquele idiota que sempre aparece gritando “You can do it!”. Rob é uma comédia 100% Rob Schneider. Ele é o criador, produtor, roteirista e protagonista, que já declarou abertamente que a série é baseada na sua vida real.
A série mostra Rob e Maggie, um casal extremamente apaixonado, que optaram por um casamento de impulso depois de poucas semanas de namoro, mas mesmo apaixonados, o casal não poderia ser mais diferente um do outro. Rob é um paisagista de meia idade, que não é muito próximo de sua família, baixinho e compulsivo por organização. Já Maggie é linda, jovem, alta, inocente, filha de imigrantes mexicanos e muito apegada a sua enorme família, que de tão grande pode ser confundida com a plateia de um show do Julio Iglesias.
O humor da série vai apostar nesse conflito de gerações e culturas, e obviamente, nos estereótipos latinos. Confesso que fiquei surpreso comigo mesmo quando me peguei rindo algumas vezes durante esse episódio piloto. Eu esperava algo de extremo mau gosto e forçado, mas a verdade é que Rob soube fazer bom proveito dos estereótipos latinos e desenvolveu boas piadas. Por ser um sitcom familiar, a série também tem espaço para explorar aquelas clássicas dinâmicas entre o genro odiado e os sogros exigentes.
O time de coadjuvantes que compõem a família de Maggie são os melhores elementos do episódio, principalmente o pai, que mesmo sendo um imigrante é completamente a favor de colocarem uma muralha ao redor das fronteiras para evitar que mais mexicanos cruzem para a terra do Tio Sam. O Tio Hector, que acabou de chagar aos Estados Unidos para passar o fim de semana e não pretende voltar nunca mais, é aquele personagem bobão e sem noção, que sempre fala o que não deve nas horas mais inapropriadas e quer de qualquer maneira um empréstimo de U$ 7.200 de Rob. A vó foi vítima da cena mais pastelão do episódio, em que acidentalmente Rob acaba molestando a pobre velhinha.
Mesmo que Schneider não seja um bom ator, fica claro que sua experiência ajudou muito. Ele tem um bom timing, está bem relaxado e cumpre o principal papel de uma comédia: faz rir. Porém, a química entre ele e a atriz que interpreta sua jovem esposa, é muito ruim. A série quer mostrar que Maggie é muita areia para o caminhão de Rob e isso acaba ultrapassando as lentes da câmera. Para falar a verdade, o laço de amizade entre Rob e o sogro é muito melhor desenvolvido e crível do que a paixão do casal principal.
Embora o piloto tenha me feito rir, é preocupante pensar como a série vai se sustentar de piadas étnicas a longo prazo, e vale lembrar que o humor pastelão não funciona para todos, mas por enquanto, Rob é um das poucas novas comédias que me deixou com muita vontade de conferir o próximo episódio.