
Sensacional!
Spoilers Abaixo:
Você que, como eu, está com todas as séries que acompanha em hiatus e fica desesperado caçando as estreias da summer season, não precisa mais procurar. Sei que existem boas coisas para acompanhar nesse período de vacas magras, como True Blood e a excelente The Big C, mas nenhum seriador sobrevive de duas séries, ainda mais com Falling Skies tapando o buraco das horas de tédio. Sem mais delongas, assista Sirens, nova série do Channel 4, também responsável pela versão britânica de Shameless, Skins e a brilhante Misfits. Dito isto, não preciso de mais apresentações. Ledo engano. Sirens tem muita coisa a ser exaltada, portanto vamos lá.
A trama se desenvolve na cidade de Leeds, interior da Inglaterra, e nos leva pela vida cotidiana de três paramédicos e uma policial, todos com suas limitações, problemas, melancolias e euforias. Junte a isso o sotaque britânico forte e característico das produções do Channel 4, cenas de nudez e humor negro de primeira qualidade. O resultado é Sirens, uma dramédia que tem como foco seus protagonistas e as situações absurdas da vida nas ruas de Leeds.
O roteiro é bem estruturado, com ritmo equilibrado e cenas de humor que valem os quarenta minutos de cada episódio. As atuações são convincentes, quase impecáveis, e no perfeito estilo de série britânica, para os que apreciam o gênero, claro. Inclusive, Bob Fischer, de Rescue Me, e Dennis Leary, de Traffic Lights, já pensam em uma adaptação americana para a série.
O elenco é formado de bons atores, alguns já conhecidos no humor britânico como Rhys Thomas e Kayvan Novak. Na ala dos protagonistas temos também Amy Beth Hayes, que já fez um episódio de Misfits, e Richard Madden que interpreta Robb Stark em Game Of Thrones.
Só descobri a existência da série por causa do Richard Madden e depois do excelente trabalho que ele fez em Game Of Thrones, merecia atenção. Assisti e, pasmem, me surpreendi novamente com a atuação de Richard e com a série em si. O ator dá vida a Ashley, paramédico gay que não se deixa levar pelos estereótipos homossexuais e está muito bem com sua sexualidade. Aliás, tem uma relação um tanto ‘hétero’ com seus desejos sexuais e fetiches, provocando a curiosidade de seus colegas de trabalho. O que mais me chama atenção no personagem é sua interação com os outros personagens. A química é perfeita entre eles, apesar do jeitão desligado e blasé de Ashley.
Já Stuart, interpretado por Rhys Thomas, é solitário, melancólico e problemático. Sua única amizade é a de Maxine, com quem mantém um relacionamento dramático e cômico. Aposto em um possível romance entre os dois, mas pode ser que o clichê não se concretize e outras coisas aconteçam pelo caminho.
Maxine é mulher, policial e durona. Daqueles tipos sem muita feminilidade que tem uma vida amorosa aos frangalhos. Não se aproxima de ninguém porque acha que isso a fará vulnerável, perder a imagem de mulher forte e autossuficiente. Por último temos Rachid, indiano, sotaque caraterístico, vaidoso, mulherengo, paramédico novato e que fala exatamente o que está pensando, além da insegurança e curiosidade a respeito da vida sexual de Ashley. Personagens com repertório suficiente para ser explorado por mais de uma temporada.
No primeiro episódio temos uma trama aparentemente bobinha sobre estresse pós-traumático e um tal de “up, horny, down” que dá para traduzir como euforia, tesão e tristeza. Típica resposta biológica do organismo ao que acontece na vida traumática dos paramédicos. Nesse contexto são mostradas ótimas cenas cômicas, bem articuladas e que deixam no ar uma vontade de ‘quero mais’. Afinal, não é todos os dias que vemos questões filosóficas envolvendo o mundo médico sendo tratadas com boas doses de humor negro e drama digno de Grey’s Anatomy, mas em um nível mais elevado e complexo. Por fim, destaco o ponto alto do episódio com Stuart explicando para sua superior a sensação de ter um coração nas mãos, literalmente.
Portanto, na ausência das séries regulares Sirens é uma ótima escolha para aplicar o tempo da summer season. Fica a dica.