
Quando eu digo “Marilyn” em qual pessoa você pensa?
Spoilers Abaixo:
Smash, nova série no canal NBC, ainda não estreou oficialmente, mas a emissora apostou numa tática que nem sempre gera resultados para fazer crescer a expectativa em relação ao lançamento, que acontece no dia 6 de fevereiro.
“Vazar” ou liberar séries novas no ITunes parece ter se transformado no jeito moderno de ganhar em divulgação e comentários, cativando de antemão, seu público alvo. Verdade seja dita, não é exatamente uma tentativa segura, mas no caso de Smash, desconfio que a ideia da emissora funcionou, simplesmente porque, julgando pelo Piloto e pelo breve preview disponível ao final do mesmo, a série promete ser bastante boa.
A Series Premiere, pelo menos, é ótima e dá uma visão geral do estilo de Smash, que aposta na metalinguagem. Essa não é apenas uma série que mostra os bastidores de uma grande produção da Broadway, mas sim, um musical sobre como produzir um musical. Quem não gosta desse tipo de coisa, provavelmente não vai criar empatia com Smash, mas fica o aviso: você vai sair perdendo.
O pessoal que pegou birra de séries musicais por causa de Glee deve esquecer completamente disso. Smash não é uma série adolescente escrita por Ryan Murphy. As comparações devem parar na questão do gênero.
Smash é uma produção absolutamente madura e delicada, que capta perfeitamente o clima de bastidores da Broadway, construindo sua história sob diversos aspectos e visões. Desde o surgimento de uma ideia banal e aparentemente sem futuro, passando por todo o processo criativo e de produção, audições, escolha da equipe, patrocinadores, problemas financeiros e, claro, aquela pitada de drama pessoal, que não faz mal a ninguém e ajuda a enriquecer a trama.
Para quem está acostumado a fazer o papel apenas de público nos espetáculos, acredito que Smash será um bom parâmetro para o entendimento de como esse mundo funciona e de como é difícil construir um show de sucesso, especialmente um sobre o ícone Marilyn Monroe.
Quase numa brincadeira, os compositores Julia (Debra Messing) e Tom (Christian Borle) começam a pensar na possibilidade de emplacar um musical sobre Marilyn (de preferência um que dê certo, já que outros tentaram e não foram bem sucedidos na missão). Quando a primeira canção escrita e interpretada por Ivy Lynn (Megan Hilty) cai sem querer na Internet causando furor, o projeto começa a tomar forma e ganha, logo de cara, uma produtora, Eilleen Reid (Anjelica Houston) que vai a busca do diretor certo para o trabalho, mesmo que Tom e Julia não fiquem muito animados com a ideia de ter Derek Wills (Jack Davenport) por perto.
Para Ivy Lynn, atriz com experiência e que busca o papel que vai finalmente alçá-la ao sucesso, o papel de Marilyn estaria garantido, não fosse, é claro, pelo teste de Karen Cartwright (Katharine McPhee), uma típica garota do interior tentando ser atriz em New York, cheia de sonhos, apesar de receber muitas respostas negativas.
Nesse começo da série, é a briga pelo papel principal, que determinará o sucesso de toda a produção e que deve motivar os plots centrais. Recheando a história temos belíssimos números musicais, que misturam os testes com o resultado final, quase como se estivéssemos imaginando todo aquele trabalho finalmente transformado em espetáculo.
É necessário dizer que Katharine McPhee, além de cantar de forma divina, empresta carisma gigantesco à personagem e deve emplacar diversos sucessos (a começar pela versão de Beautiful) ao longo da temporada. Megan Hilty, que tem um tipo totalmente oposto ao de Katharine, exalando sensualidade, é outra potência vocal apresentada pela série. A rivalidade entre Karen e Ivy promete excelentes momentos. Infelizmente, teremos de esperar até fevereiro para mais.
Os produtores executivos de Smash incluem Steven Spielberg e Craig Zadan & Neil Meron (Chicago and Hairspray). Os compositores são Marc Shaiman and Scott Wittman (Hairspray).