Skins e o retrato da juventude

Post escrito por: , em Reviews

Skins é um grande sucesso britânico. Em Janeiro a série estreia o seu quinto ano. A cada duas temporadas o elenco é todo renovado, sendo assim, no mês que vem teremos uma nova geração de personagens e outras histórias. Além disto, estreia também no próximo mês, a versão americana de Skins. Ou seja, a série chega em sua quinta temporada, ganha uma adaptação americana e deve estrear em breve nos cinemas. Se você ainda não conhece Skins, chegou o momento de conhecer.

Sexo, drogas e bla bla bla. Nada de novo, pelo menos no que diz respeito ao tema. Porém, na maneira de abordar? Quanta diferença. Pra começar, vamos esquecer o politicamente correto. Em ‘Skins’ não há julgamento, nem sermões, existem pessoas. Jovens, mais especificamente, e sua inerente vontade de viver. Provoca? Claro. Deve escandalizar muita gente.  Mas nem por isso se torna vulgar. Na verdade é uma bonita história sobre a juventude e a amizade.

Que tal fugir do óbvio, do clichê e do caminho fácil? Por exemplo, o personagem principal das duas primeiras temporadas tem boas notas, é inteligente, é popular, é um bom amigo, atua e canta na peça do colégio (até parece algum personagem de Glee). Que garoto exemplar, você deve estar pensando. Sim, que garoto exemplar. Ele também transa com todo mundo, empresta a própria namorada pro amigo virgem, quer experimentar o amigo gay e consome droga e álcool de maneira desenfreada. Que menino prodígio. Lá pelas tantas, ele sofre um acidente. Eis que ‘o cara’ virou motivo de gozação: ‘Olha lá, ele ficou retardado!’, é o que ‘as pessoas normais e corretinhas’ exclamam. É neste momento que ele recebe o apoio e o amor incondicional de cada um de seus amigos marginalizados.

O  grande mérito da série, é que ela não recorre ao caminho fácil (ou convencional) e toca na ferida de verdade, desenvolvendo o tema com profundidade. Aqui no Brasil, a teledramaturgia (principalmente a da Globo) se gaba do que chama de ‘merchan social’. Por exemplo, na ultima temporada de Malhação, foi introduzido um personagem que tinha problemas com drogas. Sua única função era servir de step para a divulgação da campanha anti-crack. Uma assistente social e o melhor amigo do rapaz (o Fiuk… eca), gastavam longos minutos com sermões que utilizavam praticamente o mesmo texto didático e ‘sem emoção’ dos comerciais. Todos os dias, o mesmo sermão, com as mesmas palavras, repetidos a exaustão. Depois de transmitida a mensagem, o personagem desaparece da trama e a novela retorna a normalidade.

Não estou criticando este tipo de campanha dentro da teledramaturgia. Muito pelo contrário, inúmeras vezes a Globo já mostrou como o ‘Merchan Social’ pode ser útil, uma vez que traz a tona e esclarece a população sobre diversos temas que lhe afetam no cotidiano*. Mas precisa existir uma coisa chamada adequação. Não pode comprometer o drama negativamente, precisa ser contextualizado, bem inserido, bem abordado e bem desenvolvido. Não basta colocar o texto da campanha na boca de um personagem, como foi feito em Malhação. Mas, isto acontece simplesmente pra inflar os números e poder anunciar depois que as novelas bateram recorde de inserções destas campanhas. No entanto, muitas vezes a abordagem é tão superficial, tão rasa, tão vazia que chega a ser ridícula e medíocre. Não é o caso da série Skins. Aliás, sua intenção passa longe do merchan social. Sua pretensão é mais documental, uma espécie de reality sobre o estilo de vida do jovem britânico.

*(Um exemplo positivo de ‘Merchan Social’ foi desenvolvido na novela ‘Laços de Familia’, quando a personagem Camila descobriu ser portadora de Leucemia. O seu drama tinha o intuito de estimular a campanha de doação de medula. O ápice da campanha foi quando a personagem precisou raspar os cabelos. A novela ultrapassou os 60 pontos no Ibope e aumentou bastante o número de doações na época.)

Além das drogas, temos a questão da sexualidade. Chega a ser irônico, um país ‘tão liberal’ como o Brasil ser tão careta quando o assunto é sexo. Segundo a nossa teledramaturgia, aqui os jovens não transam, bissexuais e lésbicas não existem e gays pertencem exclusivamente ao núcleo cômico e caricato da trama. Ah, e eles não se beijam nunca, claro. Em Skins, de novo, temos o oposto de tudo isso.

Não podemos ignorar as referências de Kids e Ken Park, mas Skins sai na frente. Sua intenção não é apenas chocar e escandalizar, se fosse assim, a fonte teria secado faz tempo. A grande surpresa é que por debaixo de todo este ‘auê’ a série traz uma mensagem que emociona de verdade.

O ritmo da narrativa é bem diferente daquele que costumamos ver nos seriados americanos; A trilha sonora é de primeira qualidade e cria todo o clima. Tá, ás vezes, aparece alguma trilha totalmente oposta ao estilo indie/rock/clássico da série, na intenção de tirar um sarro. Mas faz parte do seu charme. Uma das características marcantes da série é a linguagem. Cada episódio se foca na história de um personagem. O problema é que alguns personagens são mais cativantes do que outros. Deste modo, alguns episódios podem não ser tão interessantes, de acordo com seu grau de interesse no personagem.

Outra característica que chama a atenção, é a maneira como os adultos são retratados na série. Enquanto os protagonistas jovens são desenvolvidos em toda sua complexidade, os adultos mais parecem ‘mortos-vivos’ que vivem suas vidas sem nenhum sentido. São abordados de maneira boba, suas motivações são  superficiais e seus discursos bem vazios. Esta abordagem é totalmente intencional. O contraste entre juventude e vida adulta fica evidente. Na série, enquanto os jovens vivem a vida a flor-da-pele (e à sua maneira), os adultos ficam apenas no discurso ensaiado, empurrando com a barriga.

Enfim, se você ainda não conhece esta série, saiba que ela é altamente recomendável. Já foram exibidas 4 temporadas, cada uma com uma média de oito episódios. Aproveitando que todas as séries estão de férias, dá pra fazer uma maratona fácil, fácil. E em janeiro, você poderá acompanhar as reviews semanais aqui no blog. Agora, se você já conhece a série, eu quero saber: Quais são as expectativas para a quinta temporada da versão original e para a estreia da versão americana? Heeein?

@tonfreitas_

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  • Larissa

    AMEI o seu texto, reflete completamente o que a série é.
    Sem mais.
    Parabéns!

  • Lucas

    Muito ancioso pra assistir essa 5ª temporada, já essa versão americana, tenho um certo medo doque eles possam fazer com skins, pois essa série é tudo que vc falou, e os US são tão… caretas e plagiadores, sem criatividade, tomara que ñ vire uma versão gossip girl hard ¬¬ Bom, seu texto foi foda, a série é exatamente isso, por isso adoro tanto, pq pela primeira vez me indentifiquei um pouco com uma série teen, a série que marcou minha juventude. O Brasil devia fazer algo parecido com a realidade dos nosssos jovens, no caso “nós”, em vez dessa coisa hipócrita que é malhação!

  • http://www.contraponto.posterous.com Daniel Faria

    Conheci a série por esse texto, e 2 semanas e 2 temporadas depois só posso agradecer a vocês pela sugestão.

    Os personagens são maravilhosos, vou ser falta deles, de verdade. Não pretendo assistir as outras temporadas nem a versão americana. Pra mim Skins acabou, e muito bem.

  • http://www.twitter.com/mjnanet Marcinho

    Pra mim esse episódio se resume em:

    A colcha do Tony não tem o casal nu na estampa;

    Effy é feia pra caralho;

    Maxxie não existe e no lugar dele colocaram uma “Cheerleader” lésbica;

    Cid virou Stanley e não usa gorrinho;

    Cassie virou Cadie, é morena e não fala Lovely.

  • http://twitter.com/mateusc__ Mateus Cavalcante

    Eu adoro Skins , muito . Acho que retrata sim a realidade , algumas pessoas podem achar exagerado por que é uma realidade muito distante da delas. Eu vi muita gente dizendo que não gostou muito da segunda geração mas eu gosto das duas igual . Deve ser por que eu comecei a ver primeiro a segunda geração. Não achei o final ridículo , achei triste , só . Estou ansioso pela 5ª temporada

  • http://twitter.com/hamdeelhage Hamde

    realmente, skins é a série mais intensa que eu já vi, diferente de tudo. Minha série preferida, lógico.

  • http://www.com.br pele

    gente todo mundo concorda, a 1 geracao eh insuperavel, eles sao d+++, a segunda geracao nao conseguiu representa a mesma imagen da primeira com akele final bizarro, espero q a 3 geraçao honre o nome skins igual a 1. \o/

  • Wagner Rodrigues

    Não poderia concordar mais com você. Em tudo. Assisti a UK, e não estou achando a US tão ruim, claro que perdeu em grande parte todos os ‘temas’ da UK, mas é um bom passa-tempo, não posso negar.

  • Guilherme de Souza

    Ainda nao tive a chance de assistir skins porém ja sou fã, pois ouço falar muito bem, inclusive acho muito lindo o mitch hewer gosto tanto que vou até deixar meu cabelo igual, nao vejo a hora de assistir ja vi algumas cenas no you tube, e parece ser o máximo.

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