
É P I C O!
Spoilers Abaixo:
Foram dez anos de série. 218 episódios. Altos, baixos, perdas, ganhos e uma legião de fãs fiéis que acompanharam a jornada do garoto do interior com um destino maior do que qualquer outro habitante do planeta Terra. Um ícone da cultura norte-americana, um ideal de herói que todos conheciam, mas queriam ver sua progressão em rumo à confiança e poder de um uniforme com cueca por cima de um colant apertado. Entretanto, a série foi além. Smallville não conta somente a história de Clark Kent e suas superações, conta a história de pessoas que participaram intensamente da vida do herói kryptoniano.
Este Series Finale foi um episódio fora do comum por diversos motivos. Primeiramente pela duração, maravilhosos 80 minutos, depois pelo formato que dividiu o episódio em metades bem particulares tanto nos diálogos quanto nas ações. Em segundo plano a trilha sonora, as despedidas e as introduções necessárias para a mitologia e estrutura que todos conhecemos, aquela tão comum dos quadrinhos e dos filmes com Lois Lane, Perry White, Jimmy Olsen e o bobo Clark Kent. E por falar no Jimmy, que surpresa incrível vê-lo ao fim do episódio, todo bem construído ao lado da repórter mais eficiente de Metropolis.
Apesar de ter sido um final maravilhoso e digno de todas as expectativas que os fãs criaram, e isso me inclui, as falhas estavam lá, inerentes à serie e que, não sei se positivamente, fechou a saga com a estrutura proposta desde o episódio piloto. Inclusive, inúmeras referencias ao primeiro episódio foram feitas, justamente para agradar os fãs tão satisfeitos com as primeiras temporadas.
Como um episódio final depois de tantas tramas filler durante a temporada, não vimos o que deveria ser mostrado dignamente. Apokolips foi um bom argumento, todo o esquema de destruição da Terra e etc. Os efeitos foram bem elaborados, frutos dos últimos dólares que sobraram no caixa da série, permitam-me dizer, e não deixaram a desejar. Só lamento que deixaram de lado os efeitos do uniforme, que é mais importante do que o tal planeta de Darkseid. Fiquei feliz em ver Clark vestido de azul e vermelho, mas poderiam ter investido melhor, mostrado um pouco mais do corpo com o uniforme, não só dar closes no rosto e na capa. Tenho certeza de que não gastariam muito dinheiro para mostrar Tom Welling com o uniforme do Superman Returns. Ou será que a DC Comics cobrou os dois olhos da cara pelos direitos de imagem? Vai saber.
Darkseid foi o vilão da temporada, sempre agindo secretamente através de seus servos, mas foi desperdiçado como tantos outros vilões de season finale. Por favor, Clark destruir um deus da Escuridão em 2 segundos? Para disfarçar essa vergonha alheia os roteiristas fizeram com que ele voasse justamente naquela cena, deixando todo mundo distraído para acabar com um personagem rapidamente. Aliás, usar Darkseid no corpo de outra pessoa foi uma forma de economizar nos efeitos, horríveis, da fumacinha preta e esquisita que é o vilão. Pior do que isso só Oliver finalizando sua trama na série e destruindo, ao mesmo tempo, os três servos mais fodas de Darkseid. Vovó Bondade, Desaad e Gordon Godfrey, que aterrorizaram durante a temporada foram tratados como bobagem, derrotados com três flechas, como se o poder do planeta de Apokolips pertíssimo da Terra não intensificasse os poderes sobrenaturais dos súditos. Erros de Smallville que aprendemos a engolir durante tantas temporadas e que deixamos passar. Melhor focar nos pontos positivos.
Aproveitando que falei do Oliver, o personagem não ganhou tanto destaque neste final de série, afinal os dois episódios anteriores deram bastante destaque à trama, INÚTIL, do Arco de Órion, que só serviu para colocar a tal da kryptonita dourada no jogo, dar um clima de tensão para o fim e estragar o casamento dos pombinhos que não se casaram por motivos que serão comentados mais adiante. Para resumir, a vidinha do Arqueiro foi salva pela Luz de Clark, a vida prosseguiu ao lado de Chloe, gerando o filhinho lindo e loiro que curte o Superman.
Quanto à Chloe, ainda não decidi se gostei do fim que os roteiristas deram à personagem. Viver em Star City, casar com Oliver e fazer sei lá o que mais da vida não foi um final digno de alguém que lutou durante tanto tempo para provar seu potencial. Apesar disso, quero esquecer que este foi o fim da personagem e acredito que coisas muito mais importantes delinearam a vida da loirinha mais geek do mundo das séries. Talvez uma vida emocionante e perigosa durante os setes anos que separaram entre os acontecimentos do series finale e a vida de mamãe. Aliás, belíssimo recurso de flashforward. Um dos pontos altos do episódio. O melhor de tudo, com certeza, foi a fala de Chloe para Clark: “Nos vemos nos quadrinhos”, uma referência explícita ao que aconteceu no universo DC quando a loirinha foi introduzida na trama oficial do herói.
Tess, coitada, foi a personagem com a trama mais bizarra deste series finale, afinal estava em busca de algo que não poderia encontrar e encontrou sem esperar: a redenção. Depois de tantos altos e baixos e de sua conversão para o lado da Luz, a ex-vilã e Luthor de raiz, resolveu fazer um bem para a humanidade e usar o feitiço contra o feiticeiro. A ruiva biscate apagou as memórias do clone perfeito de Lex, morrendo triunfante e sendo ferramenta da trama tosca que os roteiristas inventaram de última hora para introduzir Rosenbaum no fim da série. Afinal, Lex Luthor não poderia ter memórias sobre a identidade de Clark, ainda mais depois de ter ajudado o herói a derrotar Darkseid. Lex Luthor e Clark Kent são definidos um pelo outro e apesar de ter gostado da volta do vilão, de sua eleição à presidência e a concretização de uma visão lá da primeira temporada, a trama não foi bem introduzida. Foi mesmo uma participação especial, tudo muito corrido e ainda que o último diálogo dos dois tenha sido na Mansão Luthor destruída, causando uma nostalgia absurda, poderia ter sido melhor. Muito melhor. Pena que Tess tivesse que morrer, assim como o Lionel da Terra 2, mas não havia mesmo para onde ir.
Antes de falar da trama de Clark e Lois, falarei de mais alguns pontos positivos e negativos deste episódio. Entre os positivos estavam a trilha sonora clássica, o retorno à Mansão dos Luthor, o voo, Tessa matando Lionel, o mundo acabando e a volta de Jonathan, como fantasma claro. Entre os negativos que ainda não citei, estavam a confusão de Clark a respeito de si mesmo e de suas escolhas, o UM anel de kryptonita, a ausência da Liga da Justiça e toda a responsabilidade do mundo nas costas de Clark. Onde estavam todos os heróis, galera? Tudo bem que não sobrou dinheiro ou tempo para recoloca-los em cena, mas poderíamos pelo menos ter uma citação de que eles estavam agindo, fazendo o possível. Entretanto, tudo ficou à cargo da imaginação fértil de cada um de nós.
A trama de Clark foi bem resolvida, inclusive com Lois. Eu já previa que os dois não iriam se casar e que tudo acabaria bem, de uma forma ou outra, mas fiquei surpreso com a maneira encontrada pelos roteiristas para mostrar o casal apaixonado, sem prender um ao outro e deixando o amor livre para ser vivido.
Gostei de ver a confusão de Lois ser resolvida pela carta de Clark e toda a compreensão que existiu entre os dois. As cenas da primeira parte do episódio foram bem poéticas, até um pouco exageradas. Tudo muito bem preparado para provocar as lágrimas que caíram dos meus olhos, dos de Chloe e até da própria Lois. Até tivemos direito a cena do noivo não poder ver a noiva, troca de votos e uma tensão de ser abandonado no altar, mas tudo deu certo apesar da galera ter vazado do casamento, Clark e Darkseid terem quebrado a igreja quase toda e aquele líquido preto e sem sentido se espalhar pelo chão. Coisas de Smallville.
Agora finalmente falando de Clark, nosso herói passou por um último teste ao perceber que o passado não deve ser deixado para trás e que as memórias têm um papel muito importante na formação do herói que ele precisava se tornar. Depois de uns minutos de drama, finalmente Clark estava reativando a Fortaleza da Solidão, aprendendo a voar, ganhando confiança e vestindo o uniforme, um dos momentos tão esperados da série. As cenas com Jonathan foram intensas e dramáticas, mas super importantes não somente para dar um tom de nostalgia, mas para mostrar a Clark o que Lois havia dito antes do ‘casamento: não importa se pessoas importantes morreram, o que importa é que elas estão sempre presentes. Alguém vai me dizer que a cena em que Martha, Clark e Jonathan estão abraçados no celeiro não foi incrível? Uma mega viagem às origens da série e ao que ela se tornou. Afinal, depois de tanto tempo com brigas e picuinhas entre Clark e Jor-El, este resolveu ter orgulho do filho e percebeu que o moleque estava pronto para cumprir o próprio destino. Mais digno impossível, mesmo que tenha rolado uma referência tosca a Superman Returns com a cena do avião e do lançamento do Apokolips para o espaço, que até foram cenas bem feitas. Só achei vergonha alheia toda a traminha revoltada de Lois querendo convencer o secretário e o Presidente de que os heróis salvariam o dia. Porque aquele que estava sentado na mesa não era o Presidente, como eu bem entendi.
Por fim, foi um episódio digno, bonito, exagerado em alguns pontos, principalmente nas cenas emocionais, mas que fechou com chave de ouro e muitos clichês a saga de 10 anos de umas das séries mais longas da TV. Ou quem vai me dizer que não foi incrível a cena final, com toda a trilha do John Williams, telhado do Daily Planet, Clark abrindo a camisa, o S aparecendo e os créditos finais com referência aos filmes clássicos do herói? Para mim, a série encerrou sua história com o que era para ser feito, apesar de que sempre mais o que fazer. Posso dizer que a série terminou bem, mesmo que todos nós, fãs, estejamos órfãos.
Portanto, sugiro que cada um faça em casa o que farei a partir dessa semana. Assistirei toda quinta e sexta-feira um episódio de Smallville, para não perder o carinho que nutro pela série e ainda poder relembrar os melhores momentos da saga.
Obrigado a todos que leram meus reviews neste dois anos de Série Maníacos, comentaram, participaram, polemizaram e me fizeram ter vontade de escrever sempre. Dói saber que não estarei por aqui semanalmente falando de Smallville, mas fico com um sentimento de missão cumprida, essas coisas de fã. Obrigado!!!
Como prometi no twitter, aqui vão algumas opiniões de vocês, leitores do Série Maníacos que se identificaram e enviaram as mensagens via Tumblr, Twitter e email sobre este Series Finale:
“Bom, difícil de dizer o que achei do Finale, como todo mundo diz, foi épico. Muita gente, inclusive eu, pensei “Se ele voar apenas nos minutos finais, vou revoltar”, mas a questão é que de tão bem feito que foi a jornada dele durante 10 anos, ensinamento, destino, família, tudo sempre junto, não consegui ficar bravo por isso. Quanto a Parte 1, foi mais para esclarecer sentimentos e se não fosse Chloe, Clark estaria em casa vendo TV com um anel de K-Dourada. O planeta Apokolips. Gostei da explicação gravitacional da marca omega, que atrai o planeta. Mas o que eu realmente gostei no episódio, foi que tudo se alinhou. Lex perdeu todas as memórias de sua vida e não sabe que Clark é Superman, o letreiro Luthorcorp se tornando LexCorp, o verdadeiro Jimmy Olsen surge e o mais legal de tudo. Perry, Jimmy, Lois e Clark finalmente estão em seu destino: O Planeta Diário”.
Bruno Cadore (@bruno_cadore)
“Tenho várias ressalvas em relação aos efeitos especiais, achei o fantasma do Jonathan Kent nada a ver e fiquei um pouco frustrado por não mostrarem direito e de perto Clark totalmente vestido com o uniforme do Superman. Mas quer saber? A cena final foi ótima! A trilha sonora clássica é fantástica”.
Michel Arouca (@michelarouca)
“Uma coisa que vale ressaltar em Smallville é a questão da evolução, nenhuma série jamais foi tão longe quanto Smallville foi. Comparar o piloto com esse último episódio é absolutamente Incrível.”
Alessandro (@alesmarcio)
“Simplesmente perfeito, episódio carregado de emoção desde a primeira cena quando a Chloe aparece até a última com Clark abrindo a camisa com símbolo do Superman. Todos os atores impecáveis, faz 10 anos que assisto Smallville e me sinto realizado de ter assistido esse final. Cenas épicas Lex 10, Tess 10, Chloe 10, Marta e Jhonatan 10, Lois Lane 1000000 e Clark Kent 100000000000000000. Um dos melhores finais da minha vida.”
João Paulo da Silva Bernardes
E por fim, o comentário do ilustríssimo e sempre polêmico @edujakel:
“Por incrível que pareça gostei do episódio, porém quase dormi em alguns diálogos, que foram muitos, muitos. Pra variar tudo se resolve em poucos segundos e de maneira muito fácil. Fãs de uma outra série aí podem dizer de boca cheia que Smallville é uma série sobre pessoas. rs. E diálogos exaustivos. Pra variar algumas loucuras sempre acontecem, como o Presidente ficar voando enquanto um planeta vem dos céus. O Presidente já deveria estar no bunker há umas 3 horas pelo menos. Senti falta dos heróis amigos, que numa hora tão problemática ficaram oque? Capturando batedores de carteira em outras cidades?
Tess fez algo útil na vida, um Lionel Luthor que odiava o Lex se ve dando a própria vida pelo mesmo (?). E foi fácil matar os 3 capangas de DarkSide né?
Quanto ao tão esperado vôo, aconteceu pelo menos alguns minutos antes do fim, mas se ele soubesse q bastava só tomar uma porradinha do Lionel e lembrar tudo que aconteceu, seria mais fácil, né?
Fora isso foi um bom episódio, fechou bem a série, mas sem deixar sua cara de Smallville de ser. Rs”.
Nota dentro do PQS (Padrão de Qualidade Smallville): 10.
P.S. Escreverei mais alguns textos a respeito de Smallville nas próximas semanas. Aguardem.