
Todo mundo sabe que The Good Wife é a série que muito provavelmente tem os melhores personagens recorrentes. Em Boom De Yah Da mesmo nós temos dois novos dando as caras e no episódio anterior já tivemos o divertido David LaGuardia (Hamish Linklater). Então eu pergunto: para quê trazer de volta…
Spoilers Abaixo:
…Wendy Scott-Carr?
De uma personagem interessante e esférica, Wendy passou a ser a grande vilã (plana) da série. Eu não esqueci que o objetivo dela na terceira temporada enquanto ela perseguia Will era, na verdade, o de derrubar Peter. Mas não faz nenhum sentido ela estar trabalhando para o departamento de Justiça, simplesmente, por todas as razões que Eli listou assim que a viu.
Se a fala que Eli descarrega nela foi ali a voz dos roteiristas dizendo que eles estão cientes disso tudo e estão pedindo a nós que confiemos na escolha deles, não funcionou comigo. O efeito, infelizmente, foi o contrário, porque com uma personagem tão rasa, o final dessa história não tem como ser outro que não essa investigação ser perseguição e nada mais. Enquanto isso David LaGuardia – que poderia muito bem ter continuado sem ser substituído por Wendy – foi embora do mesmo jeito que as namoradas de Will sempre vão.
Toda essa investigação já chegou aos ouvidos do Partido Democrata. Frank Landau sugere que Eli arranje um co-estrategista para que Peter não venha a sofrer um baque futuramente. É claro que Eli não gosta nada disso e pede que Diane seja mais incisiva para que todo esse barulho silencie o mais rápido possível. Para a infelicidade de Eli, o tiro saiu pela culatra. Diane foi esperta em procurar o antigo estrategista de Wendy, que desesperadamente contou tudo para sua antiga chefe. Wendy, uma mulher megalomaníaca e louca por vingança, não tendo como ficar mais plana como personagem, inclui a Lockhart & Gardner na investigação.
As coisas não vão nada bem para Eli. Super controlador, ele agora vê tudo saindo de seu controle, inclusive a campanha de Peter, que ganhou a interferência de Jordan Karahalios (T. R. Knight). A introdução da personagem foi divertida, mas espero que no futuro vejamos verdadeiros embates entre os dois e não apenas Eli sendo grosso como sempre e Jordan o chamando de velho.
Diane esteve ocupada neste episódio. Além de ajudar Eli, ela teve de lidar com uma nova investida de Clarke Hayden. Por mais que tenha sido bom rever Tamara Tunie de Law & Order como a imperadora Serafina, toda essa história só choveu no molhado. Eu achei que a investigação de Wendy iria prejudicar de alguma forma a mediação, o que faria um paralelo com o caso da semana, mas não foi o que aconteceu. De fato, os King só criaram tempo para derrubar a verdadeira bomba: Louis Canning gastou alguns milhões de dólares e comprou a dívida da Lockhart & Gardner.
Eu poderia refazer nesse momento todo o meu discurso sobre reutilizarem personagens antigos em tramas similares, sem dá-los a devida profundidade, mas não vou. Só vou lembrá-los, leitores, que Canning já tinha voltado no final da terceira temporada junto com Patti e Andrew Wyler para destruir a L&G.
Contudo, acho que essa história pode ter um final diferente e muito interessante. Eu ainda não consigo visualizá-lo, mas tenho esperanças de coisa boa chegando. Primeiro porque acho que Louis comprou sua entrada na L&G por causa de Alicia. Ele sempre a quis em seu time. Só que neste episódio, com toda aquela tentativa de se aproximar dela com a história do amigo que estava morrendo, ele me fez pensar se ele estava tentando (1) dar a ela uma dica do que estava acontecendo com o dono do banco; (2) se ele estava sendo Louis Canning; ou (3) se ele estava apenas tentando se aproximar dela. Como nós tivemos o imenso prazer de rever e conhecer melhor, desta vez, Simone Canning (Susan Misner), eu me sinto inclinada a acreditar na terceira opção.
O caso da semana foi interessante e nos trouxe The Good Wife em boa forma. Acredito que todos os brasileiros devem estar bem familiarizados com o Aedes aegypti então achei engraçado ver Kalinda titubeando. É bom ver também a série lidando com mais um caso que deve ter saído das páginas de jornal. Até então, eu não tinha parado para pensar no que fora feito das casas que os bancos confiscaram e nunca conseguiram revender por causa da crise econômica. Mas o melhor mesmo foi ver que o time L&G ganhou não por causa de um júri simpático a uma bailarina que ficou paraplégica mas por Alicia ter chantageado o dono do banco numa cena maravilhosa. A mais engraçada foi ver Alicia descobrindo como chantagear o bancário, revelando para os autos do processo todas as artimanhas de Canning – que deve ter feito ainda mais elogios à Alicia para sua esposa.
Outro ponto alto do episódio foi a cena que ilustra este texto. Embora não tenhamos nenhum vestígio de Nick aqui, é uma descontinuidade que eu comemoro ao mesmo tempo que deploro. Mas a cena foi linda e nos mostra em que pé anda a amizade das duas, o que não vimos direito desde que elas voltaram a se falar. Foi bom vê-las tocando mesmo que de leve no assunto que as separou e mesmo o relacionamento delas estando um tanto frio, ele está caminhando para frente.
The Good Wife chega em 2013 como um prato bom servido frio. Houve conversas sobre debates entre Peter e Maddie neste episódio então essa primeira parte da campanha já deve estar a ponto de deslanchar. Espero que seja o suficiente para levantar essa temporada ao patamar das primeiras.
Outras observações:
- Alguém entendeu o porquê do episódio se chamar “Boom De Yah Da”? E o porquê de a música “I Love the Mountains” ter tocado extensivamente durante todo o episódio? Ela é fofa e tem bem a cara da série, mas não precisava tanto.
- O ex-extrategista de Wendy ganhou nome e sobrenome: Tobin Ellstrom. Guardem minhas palavras: o comentário que ele fez de “nada ser cem por cento” já determinou o fim dessa história. Wendy será arrastada para dentro da investigação e vão encontrar alguma coisa ilegal na campanha dela e nada, como sempre, na de Peter.
- Sobre a personagem de T. R. Knight: (1) Jordan é um nome que se parece muito com George, antigo papel do ator em Grey’s Anatomy; (2) Karahalios, dito em voz alta, parece muito um palavrão; (3) Adorei ver T. R. novamente.
- Belíssima a jaqueta de couro que Alicia usou no começo do episódio. Bem melhor que os panos em que Alicia se enrolou quando foi receber Kalinda à porta.
- É uma pena saber que o pai de Alicia já morreu. Seria tão bom ver seu relacionamento com o pai. E imaginem uma cena com toda a família reunida? Fantástico!
- Cary estar dando aulas para Clarke esse tempo todo foi uma saída bem à la Caitlin que eu fiquei sem entender muito bem. Alguém teve mais sorte?
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