
Uma inteligente de maneira de explorar os arcos principais de The Mentalist.
Spoilers Abaixo:
É fato sabido que The Mentalist nunca foi uma série que desenvolva suas histórias em passos largos, sempre preferindo estender o máximo possível suas tramas. Uma prova disso é que o arco principal, que envolve Red John e o cruel assassinato das filhas de Patrick Jane, dura até a metade desta quarta temporada, e muito provavelmente irá ainda mais longe. No entanto, Bruno Heller, criador da série, assumiu o fato de sua produção estar se desgastando, admitindo a necessidade de uma mudança de direções. E, pelo visto, ele foi capaz de cumprir sua promessa. Este Red is the New Black é prova cabal disso.
O episódio foca-se na morte de Wyck Theissens, um talentoso designer de moda, assassinado de forma inusitada, com uma pena dourada enfiada em sua boca. A equipe da CBI é então chamada pra resolver o caso, e logo identificam uma série de suspeitos, principalmente um peculiar fotógrafo, Tony Redgrave, odiado por muitos, mas aturado por todos. Mas o maior suspeito é o poderoso Guy Duval, com quem Theissens já tivera desentendimentos. Enquanto isso, Susan Darcy não desiste do assassinato de Panzer, acreditando haver coisas muito estranhas por ali. E logo descobre Rosalind Harker, a velha amiga de Red John, o que levanta suspeitas sobre a real situação do serial killer.
Lendo a premissa de Red is the New Black, é impossível não afirmar que The Mentalist esteja apresentando uma grande evolução em relação à temporada anterior, principalmente no quesito da construção de seus episódios. Ao contrário do que ocorre em Always Bet on Red, por exemplo, o que vemos aqui é uma maneira hábil de focar-se em duas histórias diferentes, jamais tornando uma das duas sem importância. Essa abordagem permite que o episódio se torne coeso, tornando os 40 minutos de exibição agradáveis, evitando a presença de cenas desnecessárias, que comprometeriam o desenvolvimento das histórias. Dessa forma, é louvável o esforço dos roteiristas da série em tornar seus textos mais interessantes para o espectador, sem cometer erros básicos que prejudicam a história como um todo.
Esta quarta temporada possui algo muito mais intrigante do que os aspectos explicados acima. Sem sombra de dúvidas, esse ano já é, mesmo com pouco mais de metade dos episódios exibidos, o que possui a maior quantidade de episódios em que Red John é pelo menos citado. Não por acaso, é também a temporada em que esse arco flui de maneira muito mais natural, oferecendo ao espectador um desenvolvimento mais sutil e inteligente, permitindo a este uma apreciação muito maior das histórias.
Em relação ao caso da semana, é importante notar que ele também passou por uma grande evolução, se comparado ao episódio anterior, que não funciona. Aqui, o assassinato de Theissens não é desenvolvido de forma linear, abrindo um interessante leque de possibilidades, que se concentra no nicho da moda, mas sem focar-se necessariamente em apenas um suspeito, sem também lançar na tela uma infinidade deles para logo descartá-los. Pelo contrário, o roteiro apresenta uma pequena quantidade de possíveis criminosos, e trabalha paralelamente nas motivações de cada um deles, tornando o episódio dinâmico e orgânico. Dessa forma, a investigação se dá de maneira ágil, explorando competentemente as relações da vítima com cada um dos personagens, o que permite ao espectador ter um claro panorama da situação.
Mas é o desfecho do caso que chama a atenção. Não pelo fato de ser surpreendente, porque The Mentalist quase sempre cria assassinos com esse tipo de motivação, mas pela forma como Jane resolve o caso. Ao contrário da maioria das vezes, quando o consultor se mostra quase infalível, o que acontece aqui é uma solução baseada na sorte, ainda que exija das habilidades de observação dele. Ou seja, dessa vez a história chega a passar por uma incerteza, ao invés da costumeira prepotência de seu protagonista, que parece sempre saber o culpado com muitas horas de antecedência.
Além disso, Red is the New Black permite que o espectador se envolva com a história, focando-se muitas vezes nos gestos de diversos personagens, como se o convidasse a participar da investigação para observar movimentos e autoincriminações. Repare, por exemplo, na cena em que Jane descobre o affair entre a esposa de Duval e Junior Acosta. Antes mesmo dele afirmar a existência do caso, a câmera se esforça para mostrar a mão dela repousando sobre o braço de Acosta. Dessa forma, o público participa do episódio, o que é um recurso interessantíssimo, principalmente para uma série como The Mentalist.
É claro que o episódio também tem seus problemas. Um erro crasso é a incoerência proposta pelo roteiro também no desfecho da investigação. Quando Sasha assume o assassinato, ela mostra claramente não ter nenhum arrependimento do ocorrido. No entanto, logo no começo do episódio ela surge nitidamente abalada pela morte do estilista, mostrando uma falta de cuidado com o estudo dos personagens por parte dos roteiristas.
Mas como falar de Red is the New Black sem citar a trama que envolve Red John? É interessante a abordagem do roteiro ao trazer de volta Rosalind Harker, que pode se tornar peça-chave nos próximos episódios em que essa trama for citada. Além disso, aqui vemos, mais uma vez, a série focar-se no ódio de Jane por seu inimigo mortal, preferindo admitir para uma agente do FBI que o serial killer ainda está vivo a perder uma oportunidade de pegá-lo. Além disso, essa situação abre um bom leque de possibilidades para as consequências que Jane pode sofrer por ter matado o homem errado, além de abrir novamente a guerra entre os dois, que estava interrompida devido aos recentes acontecimentos.
Criando um episódio diferente do que a série costuma oferecer, Red is the New Black é extremamente feliz em criar suas atmosfera, presenteando o espectador com o desenvolvimento do arco principal. É claro que no próximo episódio a série provavelmente nem citará o caso, mas é muito bom ver que The Mentalist tem investido em novas direções.