Pelo menos eles explodiram alguma coisa.
Spoilers abaixo:
“Grateful” – Rick Grimes
“The day will come when you won’t be” – Doc Jenner
O principal motivo pelo qual a primeira temporada de The Walking Dead teve apenas seis episódios foi a AMC querer usar o seu festival de terror anual (Fearfest) como plataforma de lançamento para ela, por ser um evento relativamente famoso para o canal e de temática bastante apropriada a da série. Assim, como “TS-19” comprovou, todo o lado estrutural da primeira temporada foi destruído e ela precisou correr mais rápido do que eu quando um episódio de Heroes começa na TV para chegar a um ponto minimamente dramático em seu finale.
O conflito em si funciona. A dor de Edwin Jenner é explicada com sucesso, e ao fim, a compreensão de suas motivações consegue atingir um interessante ápice emocional que me levou a avaliar toda a breve jornada dele. Ainda assim, fica difícil se envolver completamente quando o diálogo é tão constrangedoramente escrito, quando a situação não possui consequências reais ou busca com desespero em seus momentos finais soar legal. Todo o discurso sobre esperança foi algo desnecessário para uma ideia naturalmente boa, nenhum dos personagens pelos quais me importo sofriam perigo, e os momentos não conseguiram (como a grande maioria dos dramas e até ela própria nos episódios anteriores) atingir um nível em que mesmo sabendo disso, do fato de que Rick, Lori e Carl não correm perigo algum, há uma preocupação e tensão com os acontecimentos. Também há, é claro, Bob Dylan. Nenhum problema com ele, mas The Walking Dead só usou “Tomorrow Is a Long Time” pra pagar de legal e isso é perder o ponto de uma cena final de temporada.
Ainda assim, esse finale não foi completamente ruim. Enquanto ele sofreu pela trapalhada geral de uma temporada que tentou enfiar muitos arcos em pouco menos de cinco horas e teve um roteiro particularmente ruim, plantou umas boas sementes para o futuro que desde o presente ressoam. Foi duro ver Shane (um personagem que a série fez questão de humanizar naquela maravilhosa cena inicial) atingindo aquele fundo do poço e só posso imaginar o quanto isso vai afetar o futuro pós-CDC do grupo… Consistência é o essencial para que eles sobrevivam nesse mundo e Shane, nesse momento, é o exato oposto disso com uma obsessão doentia por Lori e ciúme mortal de Rick. Também gostei de como o episódio soube balancear isso lá pro final, com alguns momentos no qual Dale deixa claro os seus sentimentos para Andrea (má escrita a parte, foi a cena mais tocante depois do discurso suicida de Jenner).
“TS-19” foi, levando tudo em consideração, bastante decepcionante. The Walking Dead chegou com aquele fantástico piloto e depois de vários obstáculos, achou um bom tom na semana passada, só para abandoná-lo nessa por algumas resoluções sem sentido que tentam demais, mas nunca conseguem. Fica aqui a esperança de que na segunda temporada, com mais calma e espaço para trabalhar, Darabont consiga perder todas as manias de cinema, pois esse não é o formato com o qual ele está trabalhando e para The Walking Dead se tornar por completo o ótimo drama que pode ser e foi em alguns momentos desse seu primeiro ano, precisa abraçar com força essa maratona que é ser uma série de televisão. Porque caso continue perdendo fôlego, o seu título se tornará uma triste e perfeita definição.
Outras observações:
- Desafiando expectativas, a temporada não acabou com um cliffhanger. Interessante decisão que pode indicar um caminho bem diferente pra segunda temporada.
- Todas as cenas dos sobreviventes aproveitando “regalias” foram dispensáveis. Tanta coisa importante para ser dita sobre o CDC e a série perdeu tempo tentando arrancar umas risadas (as tentativas de alívio cômico da série, por sinal, são bem fracas) e lágrimas.
- Mesmo só introduzido somente na semana passada, a morte de Edwin Jenner será bem mais sentida que a da… Espera, eles se importaram em dar um nome pra ela? Porque dentre os cinco minutos de tela que ela ganhou, não lembro de um fato importante ou um mínimo detalhe que faria a sua morte importar. Da maneira que aconteceu, ficou claro que Darabont estava cortando o excesso para não precisar lidar com ele no futuro – ou pior: não saber como.
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Bem pessoal, é isso. Entre a perda de esperança na FOX, as diferenças de opinião e a esquentada discussão sobre o que deve ou não ser adaptado da HQ, foi bom ver um clima saudável predominando os comentários de quase todas as reviews. Comentar essa curta temporada foi um prazer e espero poder retornar em 2011 para mais 13 reviews de mais 13 episódios.
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