“All in the game, yo. All in the game.” - Omar Little
Spoiler free!
A maior prova da grandiosidade de The Wire é que eu sinto a necessidade de começar esse texto explicando o porquê dela estar em uma posição tão baixa nessa lista. Não que as próximas oito séries não sejam boas (a maioria delas são), mas o que David Simon fez pela televisão com essa sua declaração de amor a Baltimore é quase indescritível, e infelizmente, no Brasil, quase desconhecido. Quantos brasileiros ao menos sabem que existiu uma série chamada The Wire? Alguns milhares, com boa vontade. Quantos sabem sobre o que era a série? 200, com sorte. Talvez seja culpa da emissora que exibiu a série por aqui ou dos temas pesados que geralmente afastam o grande público, mas não posso culpar os meus colegas colaboradores por não terem ganhado nessa loteria e assim terem tido a oportunidade de levá-la em consideração.
Pois se você assistiu todos os 60 episódios, sabe do que estou falando e da sorte que foi ter The Wire nessa última década. Vivendo na sombra de The Sopranos, as grandes premiações a ignoraram, quase sendo cancelada pela HBO diversas vezes devido a sua péssima audiência. Felizmente, ela teve a oportunidade de terminar nos seus próprios termos, durando cinco temporadas e entregando, ano após ano, tramas cada vez mais complexas, personagens cada vez mais envolventes e situações que representaram de maneiras cada vez mais dolorosas a decadência da sociedade. Todos os outros grandes dramas dessa lista têm certos temas que levam mais a sério do que outros, mas o que faz de The Wire tão especial é, além da maneira que ela os aborda, como não se preocupa em explicá-los ou tentar resolvê-los, deixando bastante claro (já na sua magnífica primeira cena) que isso é impossível.
McNulty (policial), Stringer (traficante), Carcetti (político), Bubbles (viciado)… Esses são apenas alguns personagens que representam pontos de vista diferentes diante do tráfico de drogas e dos problemas que o orbitam. Falando assim parece algo de proporções épicas, e enquanto The Wire até pode ser considerada isso pela abrangência de suas tramas – que envolvem as escolas, as docas, o jornal e vários outros pontos da cidade -, são nessas pequenas histórias individuais e em como elas afetam os grandes arcos que sucede todas as vezes. A taxa de acertos da série, aliás, é assustadora. Isso tudo pode parecer exagero, mas é The Wire e defini-la como outra coisa não faria jus a sua memória, até tentar explicar tramas e personagens em uma sinopse típica de guia televisivo seria simplificar algo que é o exato oposto. Sua natureza é complexa e triste, mas exala uma necessidade primitiva por observação que ao ser aliada com as estruturações brilhantes das temporadas, torna a série mais viciante do que psicologicamente devastadora.
Tudo isso é a minha maneira de fazer um simples pedido para vocês que antes desse texto não conheciam The Wire: assistam. Assistam, assistam, assistam e assistam. Mas não me culpem depois quando não conseguirem encontrar uma série tão boa quanto ela.
Ranking:
1ª – Battlestar Galactica
2ª – Friends
3ª – Dexter
4ª – Lost
5ª – Arrested Development
6ª – Six Feet Under
7ª – 24
8ª – Veronica Mars
9ª – The Wire
10ª – Breaking Bad
