
Depois de uma polêmica Temporada, cheia de altos e baixos, True Blood retorna querendo mostrar que ainda tem força para prender seu público e surpreendê-lo positivamente, numa espécie de recomeço que, até o momento, defino como… INTERESSANTE.
Spoilers Abaixo:
Faço parte de um grupo minúsculo que gostou da Terceira Temporada. Na verdade, acho que nesse grupo só tem eu e Alan Ball, porque o que eu mais li por aí foram críticas duríssimas à série e um tanto de gente dizendo que a abandonaria. Obviamente, não sou masoquista a ponto de dizer que tudo na Temporada passada foi bom, muito pelo contrário, tivemos muitos momentos chatos, mas gostei do resultado final.
Dito isso, acho que fica claro que encarei essa Premiere sem nenhum “pé atrás”. Aguardei a série como havia aguardado a estréia das temporadas anteriores, sem mais ou menos expectativa. E para antecipar um pouco o que vem na review, digo que o resultado foi bastante positivo, após assistir aos dois episódios de estréia dessa Quarta Temporada.
Mas nem tudo são flores. Acabei de dizer que a Terceira Temporada não me decepcionou, mas após começar a ver a Premiere, comecei a fazer coro àqueles que criticavam a série. True Blood sempre foi bizarra. Mas no melhor significado da palavra (se é que existe). Mas toda aquela cena no mundinho das fadas foi extremamente desconfortante. Vergonha alheia definia bem meu sentimento. Ao ver a guerrinha de bolas de luz das fadas que pareciam bruxas eu só conseguia pensar: “Como a HBO permitiu que isso fosse ao ar?”. A idéia, convenhamos, foi interessante. Ver que as fadas não são seres tão mágicos e bonzinhos como pensávamos foi um bom ponto de partida para a Temporada. O erro ocorreu na execução.
Sorte a nossa que esse momento vergonhoso de True Blood durou poucos minutos, e todo o resto do episódio foi interessante. Muito interessante… Isso porque, esses poucos minutos vergonhosos foram, na verdade, meses, na história. E o pouco tempo que Sookie passou na Fadalândia fez com que todos em Bon Temps achassem que a moça estava morta, após procurarem incessantemente por ela durante mais de um ano.
O ponto interessante aqui é que todos os acontecimentos da série, desde o Piloto até a Season Finale da Terceira Temporada, ocorreram numa linha temporal muito curta, em pouquíssimos meses. Pela primeira vez, portanto, temos um salto temporal longo em True Blood. Um ano se passou, muita coisa mudou e temos que redescobrir como muitos personagens lidaram com a “morte” de Sookie. Se muita gente estava desmotivada em continuar assistindo a série após a Terceira Temporada, esse reboot surge no melhor momento possível.
E tanto o 4×01 quanto o 4×02 serviram para começarmos a ver como estavam cada um dos personagens, após um ano sem vê-los. No geral, a curiosidade fez com que todas as histórias parecessem interessantes, ou quase todas. Para mim, a única que não colou muito foi a da Andy. Essa história de colocarem o Xerife viciado em V Blood não me convenceu. Primeiro porque esse vício já foi tratado diversas vezes na série com outros personagens e, segundo, porque Andy teve uma evolução ótima até tornar-se Xerife e agora vemos tudo ir para o ralo.
No sentido oposto, temos Jason. O mais irresponsável personagem da série tornou-se um homem respeitável, quem diria. Num primeiro momento até achei estranho. O perfil que nos apresentavam não era compatível com o Jason que conhecíamos, mas no decorrer dos minutos, já estava me acostumando e até comecei a gostar dessa nova faceta durante o 4×02. Com o Xerife incontrolável, uma família de sujismundos pra cuidar e a irmã desaparecida, Jason puxou toda a responsabilidade para as suas costas e virou um homem admirável, policial decente, justo e uma espécie de “pai” para os pequenos selvagens. Como se trata de Jason, o roteiro não costuma ser-lhe generoso, e parece que isso vai mudar em breve… Não sei que tipos de mudanças pode acontecer com esse “Novo Jason” após virar uma pantera, mas estou bem curioso para descobrir.
Quem mudou completamente também foi Tara. Depois de muito sofrer nas Temporadas anteriores e chorar por vários e vários episódios, a moça decidiu tomar o controle de sua vida. Fez um alisamento, virou uma espécie de Anderson Silva e tá pegando mulheres. Foi uma mudança completamente absurda… E mais absurdo ainda é que ela fez total sentido para mim. Primeiro porque, depois de tanto apanhar da vida, a luta era uma forma de tomar o controle da situação e ao mesmo tempo extravasar sua raiva… E também porque, depois dos relacionamentos péssimos que ela teve, nada faria mais sentido do que ela passar a namorar mulheres. Assustador isso tudo, mas caiu como uma luva para a personagem. E olha, eu que sempre peguei no pé dela, vou adorar vê-la sem choramingar por aí, porque a personagem é boa, só era judiada pelo roteiro. Agora, juntando sua nova personalidade ao seu humor, temos uma candidata a preferida do público pintando aí.
Falando em personagens preferidos do público, tenho que comentar sobre aquelas que deixaram de ser coadjuvantes e conseguiram mais destaque com o tempo: Pam e Jessica. Pam é magnífica e ponto. Não há muito o que falar. E ela roubou a cena nesses dois primeiros episódios. Não digo isso afirmando uma importância que a personagem não tem, digo, apenas, que suas participações foram o diferencial, mesmo que pequenas. Sempre cômica, é ótimo ver Pam afiando sua ironia ou esbanjando simpatia na gravação do vídeo que deveria mostrar aos humanos que o Fangtasia é um lugar “para todos”. Pam funciona muitíssimo bem em doses homeopáticas e deve ser um recurso recorrente do roteiro nessa Temporada.
Jessica me surpreendeu bastante. Toda a história dela foi inesperada para mim, e não sei explicar o motivo. Foi bom ver sua vida de casada com Hoyt e, ao mesmo tempo, dava pra sentir que algo estava muito errado ali. O amor dos dois é forte, mas a convivência entre um humano e um vampiro parece estar minando o sentimento existente. Estamos diante de mais uma história que não vai ser importante, mas vai ser boa de acompanhar.
No Merlotte’s, muitas mudanças também. Sam nunca foi um dos meus preferidos, mas meu interesse no personagem vem desaparecendo a cada episódio. Gostei bastante de ver sua reação ao fato de ter atirado no irmão e toda a história do “grupo de apoio” dos metamorfos foi até interessante. Mas minha paciência com Sam já era mínima, em cada uma de suas cenas. Não sei explicar o motivo. As histórias de Sam, para mim, são sempre mais interessantes pelos outros personagens que são incluídos do que por ele próprio. Esse é o exemplo de Tommy, que me despertou muito mais curiosidade como sendo o novo filhinho da mamãe (do Hoyt) do que todas as cenas de Sam juntas. A trama ainda vai cruzar o destino dos dois e é fácil prever tragédias por aí, já que rolou aquela história de que “se um metamorfo mata alguém da família, pode se transformar em outra pessoa”. Novamente, achei a história muito interessante e promissora, muito mais pela mitologia dos metamorfos do que pelo Sam em si.
Como essa review já está imensa, parto para os comentários finais sobre o trio de protagonistas e as bruxas. Lafayette foi o personagem que menos evoluiu em um ano… A única coisa que mudou mesmo foi aquele moicano ridículo que ele tem agora. Eu esperava que ele já estaria um bruxo profissional a essa altura, mas não. Continua cético com relação à magia. Essa situação só começou a mudar quando ele ressuscitou sua primeira periquita… Tendo pouca experiência com o bicho, aquilo para ele foi algo inacreditável (desculpa, mas a piadinha era inevitável). E o ressuscitar da periquita foi algo que também movimentou o núcleo dos vampiros, interligando Sookie, Eric e Bill pela primeira vez.
De Sookie tivemos pouca informações, já que ela estava lidando com as mudanças dos personagens assim como nós. Eric também pouco mudou, já que tinha muita esperança no retorno de Sookie. Já Bill foi o que mais mudou. O vampiro, agora Rei da Louisianna, age como um verdadeiro monarca, tem seu exército, algumas belas mulheres, dá ordens e vive no conforto de sua Mansão. O triângulo amoroso ainda tá vivo. Sookie não confia mais em Bill e nunca confiou muito em Eric. Os dois ainda dizem que a amam. Eric comprou a casa de Sookie e parece não ter entendido que quando o contrato diz “com tudo dentro”, isso não inclui a dona.
Mas fato é que, ao mandar Eric ir “resolver” o problema das bruxas, Rei Bill parece ter desempatado a disputa pelo coração da donzela. Sookie sempre teve atração por Eric, mas nunca se entregou à ele pelo passado negro do vampiro nórdico. Agora, com essa estranha perda de memória causada por Mernie ao vampiro, ele tem uma chance de “recomeçar” e quem sabe conquistar a loirinha.
Claro que muita água ainda vai rolar e tudo pode mudar a todo momento, mas nesse momento, o terreno de True Blood parece estar armado. O triângulo amoroso dos protagonistas parece que terá mais destaque do que nunca, e as bruxas se fixam como o contraponto aos vampiros. De cara já digo que elas são muito mais interessantes que os vampiros, e a julgar pela atual conjectura das coisas, com Bill agindo como Eric e Eric como Bill, True Blood deve se recuperar diante do seu público e fazer uma Temporada instigante. Se boa ou ruim, só o tempo irá dizer, mas pelo menos por enquanto, a curiosidade nos prenderá à série, o que não é nenhum sacrifício, convenhamos.
Portanto, é com muito prazer que dou as Boas Vindas a mais um ano de True Blood. Espero estar aqui acompanhando o episódio e comentando com vocês cada nova bizarrice dessa série toda semana. Tenho muita fé em True Blood e acho que esse ano será sensacional. Que Godric me ouça!
P.S.: Desculpem não ter comentado muita coisa. Mas foram dois episódios e a review já está enorme.
P.S. 2: Alguém me explica a aparição do avô de Sookie. Completamente desnecessária para mim. O cara aparece só pra morrer de dor de barriga (não comam aquela fruta de luz e pulem no buraco mágico! Nunca!) e dar um relógio para o Jason.
P.S. 3: Tô virando fã da Sookie. Ela longe de Bill fica ótima! Mal começa o episódio e ela já tá reclamando que a fada madrinha dela é uma merda, o que é verdade. PORRÃN… Se haviam boatos de que Sookie estava na pior, ERAM VERDADE. A coitada só se fudeu desde o piloto da série. Fada Madrinha de merda.
P.S. 4: Não deu pra falar na review, mas os melhores momentos do episódio vieram da Arlenne. Ri demais dela toda psicótica arranjando briga com um bebê fofo daqueles achando que o moleque é um Psycho-Baby… Mas ó, acredito nela. Que criança arranca a cabeça de Barbies, minha gente?
P.S. 5: Nan Flanagan deve aparecer muito mais nessa Temporada. Além da cena nos anos 80, espero ver muitos outros flashbacks por aí… Quem sabe não descobrimos quem é A Autoridade máxima dos vampiros?
P.S. 6: Esses protestos contra-vampiros promete trazer toda aquela guerra humanosxvampiros da Segunda Temporada de volta, o que é ótimo. Quem sabe o próprio reverendo Newlin não volta com toda força?
P.S. 7: Na minha humilde opinião, a melhor adição ao elenco nessa Temporada foi Mernie. Essa promete muito!
P.S. 8: Por fim, a pior coisa do episódio: COMO ASSIM MATARAM SOPHIE-ANN? Isso é algo inaceitável. Mataram uma das melhores personagens da série por um motivo bobo. Ela podia fugir, sei lá… Existem outras formas para transformar Bill em Rei, não? Estou de luto, por isso nem vou me despedir de vocês…
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Um minuto de silêncio em homenagem à nossa eterna Rainha, por favor!
Taí uma periquita que as bruxas deveriam ressuscitar, digo, personagem!